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	<title>Valentin Nusinovici &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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	<description>O Tempo Freudiano é uma associação de psicanalistas, fundada em abril de 1998, no Rio de Janeiro.</description>
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	<title>Valentin Nusinovici &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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		<title>Notas sobre o semblant</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Valentin Nusinovici]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2014 12:53:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Notas sobre o semblant]]></category>
		<category><![CDATA[Valentin Nusinovici]]></category>
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					<description><![CDATA[Semblant (Vocabulaire de la philosophie de Lalande): o que imita ou representa, de um modo fictício, uma coisa real, de maneira a fornecer mais ou menos a ilusão dela. Termo muito usual até o século XVI, depois caído quase completamente em desuso. Seria conveniente servir-se dele mais amplamente.Semblant (Robert historique de La langue française): aparência, aspecto (desde 980); a partir do século XVI, o valor negativo ligado à idéia de aparência predomina.

Lacan recupera, então, o semblant (no sentido do século XVI: ele volta a lhe dar boa aparência), sobretudo subverte seu sentido. O semblant não é a imitação ou a representação de uma coisa real. Nem uma aparência (um fenômeno) para além da qual haveria a coisa em si.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Seminário de verão 2008</p>
<p align="right">Valentin Nusinovici &#8211; 15/07/2008</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Semblant</em> (<em>Vocabulaire de la philosophie</em> de Lalande): o que imita ou representa, de um modo fictício, uma coisa real, de maneira a fornecer mais ou menos a ilusão dela. Termo muito usual até o século XVI, depois caído quase completamente em desuso. Seria conveniente servir-se dele mais amplamente.<em>Semblant (Robert historique de La langue française)</em>: aparência, aspecto (desde 980); a partir do século XVI, o valor negativo ligado à idéia de aparência predomina.</p>
<p>Lacan recupera, então, o <em>semblant</em> (no sentido do século XVI: ele volta a lhe dar boa aparência), sobretudo subverte seu sentido. O <em>semblant</em> não é a imitação ou a representação de uma coisa real. Nem uma aparência (um fenômeno) para além da qual haveria a coisa em si.</p>
<p>O termo entra na teoria analítica quando a questão de um discurso que não o seria é posta em cena. Mas, certamente, há um trabalho prévio. Se o primeiro exemplo de <em>semblant</em> no <em>Sobre um discurso&#8230;</em> é o dos meteoros (fenômenos que se produzem na atmosfera), já o que é dito do arco-íris, no final do seminário sobre as psicoses, dá corpo, por assim dizer, ao termo <em>semblant</em>. Lacan  ressalta que, se o arco-íris  está inteiramente em sua aparência, nós só nos interessamos porque ela é nomeada. É seu nome que nos captura “até perdermos o fôlego para saber o que há de escondido atrás dele”, quando todo mundo sabe que “não há nada escondido por trás” (nada que seja capaz de aparecer no campo perceptivo). A ciência (Descartes) vai reduzi-lo ao “modo que os raios de luz atuam contra essas gotas, e de lá se orientam na direção de nossos olhos”, ou seja, ao real de leis físicas. O arco-íris não é imaginário. Ele é uma ilusão – relacionada com um real – da qual o significante faz um <em>semblant</em>.</p>
<p>Só há <em>semblant</em> nomeado. O nome que sustenta a figura do <em>semblant</em> é o representante de um real que, enquanto tal, é sem representação.</p>
<p>Segundo a concepção corrente, os fatos científicos são elaborados a partir de fenômenos “naturais”. Qualificar esses fenômenos de <em>semblants</em> subverte a idéia de uma natureza enquanto dado pré-discursivo. A natureza à qual temos acesso é cheia de <em>semblants</em> (<em>Sobre um discurso&#8230;</em> lição 1). “O discurso científico só encontra o real pelo fato de que ele dependa da função do <em>semblant</em>” (lição 2).</p>
<p>O trovão, na medida em que ele é a “própria figura do <em>semblant</em>”, é a manifestação do deus supremo. Figura do significante mestre, “ele é ligado à própria estrutura do que é discurso” (lição 1). Vale dizer que o <em>semblant </em>não é desprovido de eficácia. Lacan dizia que o pai do pequeno Hans infelizmente nunca estava lá para fazer o deus trovão.</p>
<p>Encontramos o termo <em>semblant</em> nos <em>Quatro conceitos&#8230; </em>(11 de março de 1964). Lacan acaba de lembrar que o objeto da psicanálise está fora da problemática filosófica da representação, que “me assegura como consciência que sabe que é apenas representação e que há, mais além, a coisa em si”, o que permite que “tudo se arranje bem”.</p>
<p>É preciso partir, diz ele, do fato de que há “uma fratura, uma esquize do ser à qual ele se acomoda, desde a natureza” (entendemos: uma esquize que não seria determinada pelo significante). Ele se apóia em sua leitura do livro de Roger Caillois, <em>Méduse et Cie</em>, para sustentar que isso é observável no mimetismo. “O ser se decompõe aí, de um modo sensacional, entre seu ser e seu <em>semblant</em>, entre ele mesmo e esse tigre de papel que ele oferece à visão”. Parada amorosa ou insuflação deformada da intimidação, “é por essa forma separada de si mesmo que o ser entra em jogo nos seus efeitos de vida e de morte” (talvez a insistência no termo ser remeta a Sartre, citado pouco antes, e para quem a aparição, que não é sustentada por nenhum existente diferente dela, tem seu ser próprio).</p>
<p>Segue-se a constatação de que é também “por intermédio das máscaras que o masculino e o feminino se encontram”. Há, então, “uma certa manutenção” do <em>semblant</em> animal no comportamento humano. Mas uma coisa os diferencia: “o fato de que esse <em>semblant </em>seja veiculado num discurso” (lição 2). É o discurso que faz <em>semblant</em>”; fazer-homem, fazer-mulher são fatos de discurso.</p>
<p>O <em>semblant</em> humano não é <em>semblant</em> de alguma coisa, “esse <em>semblant</em> é o significante em si mesmo”(lição 1). Esse enunciado é seguido pela precisão de que o significante não é “essa coisinha boa domada pelo estruturalismo”. Procura-se domá-lo, entendemos, quando ele é suposto se sustentar num céu (a partir do qual ele se sobreporia à natureza), a questão de sua incorporação sendo então descartada, e com ela os embaraços da questão do gozo. Mas o <em>semblant</em> só tem sentido analítico com relação ao gozo. Em <em>Antropologia estrutural</em>, Lévi-Strauss postula a identidade das leis do pensamento e das leis do mundo. O que, para Lacan, mantém a relação em espelho do mundo e do pensamento, anterior à ciência moderna, e sustenta a idéia de uma escala dos seres que chega até um ser supremo (<em>Mais ainda</em>, 15 de maio de  1973). É estabelecer teoricamente um mundo de <em>semblant</em>.</p>
<p>O estruturalismo que Lacan reivindica para si é o da série. A série, diz ele em <em>De um Outro ao outro</em>, pode dar medida do gozo. Trata-se de situar, no final da série, “a falha” (o objeto <em>a</em>), que é sua causa.</p>
<p>Em <em>Lituraterre</em> é citado o livro de Roland Barthes, <em>O império dos signos</em>. Entre outras, uma importante diferença com Lacan refere-se à significação da verdade. Barthes evoca o ator japonês masculino intérprete de papéis femininos: ele não representa a mulher, não a plagia, ele a significa. Ele é um “puro significante cujo <em>embaixo</em> é dito <em>clandestino </em>(ciumentamente mascarado) ou <em>subrepticiamente assinalado</em>(no travesti ocidental). A verdade é objetivável, situada na realidade do sexo anatômico.</p>
<p>A verdade para o analista é a de uma falta fundamental, a do gozo primordialmente recalcado cujo significante é o falo, ela é da verdade da castração (Lacan fala no seminário da “verdade pura”). O órgão peniano, que nos exemplos de Barthes tem, claramente, uma função de significante, é precisamente um <em>semblant</em> fálico. Não é que o ator japonês ausente a verdade, é que ele não faz valer o<em>semblant</em> fálico.</p>
<p>“O <em>semblant</em> que se dá pelo que é, é a função primária da verdade” (lição 2). A função primária da verdade é de palavra. O sintomático “embaixo subrepticiamente assinalado” é um <em>semblant </em>que se dá pelo que é; a verdade fala aí na defesa (desmentido) contra a castração.</p>
<p>Lacan diz também que “o <em>semblant</em> só se enuncia a partir da verdade” (lição 9), ou seja, na dimensão da verdade, a partir do lugar dela (de sua <em>demansion<a title="" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/notas-sobre-o-semblant?cod=81#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>2</sup></a></em>). Na escrita dos discursos uma flecha sai do lugar da verdade em direção ao do <em>semblant</em>.</p>
<p>O que faz interpretação produz um efeito de verdade que não é <em>semblant</em>, mas que não basta para refutá-lo. “O sangue rubro<a title="" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/notas-sobre-o-semblant?cod=81#_ftn3" name="_ftnref3"><sup>3</sup></a> não refuta o <em>semblant</em>, um pouco de serragem e o circo recomeça (lição 1). Há um efeito de luz, o sujeito é tocado no nível em que se defende, no nível de sua falta. Mas o efeito de verdade comporta sempre sua zona de sombra (correspondente ao recalque originário), a partir da qual o circo (o girar em círculos) recomeça.</p>
<p>Questão levantada no fim da primeira lição: de que se trata ali onde não seria <em>semblant</em>? (não: de que se trataria?). Trata-se de que, para além do princípio do prazer, “apareça o relevo desse efeito de discurso que até então nos parecia impossível”.</p>
<p>Para dar conta do relevo (a homonímia ligando o objeto <em>a</em>, resto da operação discursiva, ao mais-de-gozar) é proposta uma “curva de excitação” com um ponto de tangência inferior, dito ponto ‘supremo’: o mais baixo de um limite superior, em oposição ao ínfimo, o mais alto de um limite inferior. Os termos supremo e ínfimo (dos quais vários colegas ainda não conseguiram encontrar a origem) aparecem já em <em>De um Outro ao outro</em> (com definições inversas) Em <em>O saber do psicanalista</em> (6 de janeiro de 1972) o objeto <em>a</em> será definido como “o supremo de uma curva à qual ele dá seu sentido, e  do qual, muito precisamente também, o supremo escapa”.</p>
<p>Há sentidos latentes, mas não falsos <em>semblants </em>para o psicanalista. A psicanálise não é um levantamento de máscaras. A pretensão a levantar as máscaras (que leva à passagem ao ato) não tem nada em comum com a saída da roda dos discursos por um discurso que não seria <em>semblant</em>.</p>
<p>Falar de falso <em>semblant</em> levanta suspeita sobre a palavra. Lacan diz que “o que se enuncia de palavra é justamente verdadeiro por ser sempre autenticamente o que ela é” (lição 1). Qual é o fundamento dessa autenticidade subjacente à verdade? Sabemos da crítica feita a Heidegger por ter querido estabelecer um critério de autenticidade na idéia de um acordo, por exemplo entre uma coisa e o que ela é estimada ser. Não seria ao “dividir irremediavelmente o gozo e o <em>semblant</em>” (instaurando um desacordo) que a palavra é autenticamente o que ela é, sendo por aí verdadeira, não podendo dizer senão o <em>semblant</em>sobre o gozo?<br />
<a title="" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/notas-sobre-o-semblant?cod=81#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>1</sup></a> NT &#8211; Para ler o texto original, em francês:<br />
<a href="http://www.freud-lacan.com/articles/article.php?url_article=vnusinovici150708" target="_blank" rel="noopener">http://www.freud-lacan.com/articles/article.php?url_article=vnusinovici150708</a><br />
Tradução: Sergio Rezende<br />
<a title="" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/notas-sobre-o-semblant?cod=81#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>2</sup></a> NT – construção lacaniana que joga com dimensão e mansão, morada.<br />
<a title="" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/notas-sobre-o-semblant?cod=81#_ftnref3" name="_ftn3"><sup>3</sup></a> NT – No original <em>sang rouge</em>, que joga foneticamente com <em>semblant</em> / <em>sang blanc</em> (sangue branco).</p>
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