Coleção A Clínica da Psicose – Prefácio
Todos nós gostamos de nossas histórias infantis. Conta-se que o [...]
Todos nós gostamos de nossas histórias infantis. Conta-se que o [...]
Questões da clínica lacaniana das psicoses Marcel Czermak É [...]
É com grande satisfação que disponibilizamos para o leitor brasileiro o livro de Marcel Czermak, Patronimias, que é, sem dúvida, uma das mais importantes publicações da literatura psicanalítica nos últimos anos, em especial no que concerne à clínica da psicose. Marcel Czermak foi aluno e colaborador direto de Lacan, sobretudo quanto ao trabalho com o psicótico. Chefe de Serviço no Hospital Henri Rousselle do complexo de Sainte-Anne, em Paris, era o responsável pelas apresentações de pacientes que Lacan realizava ali, escolhendo, entre os casos de maior dificuldade e valor doutrinário, os pacientes a serem entrevistados. Além dos benefícios diretos dessas apresentações para os profissionais envolvidos no tratamento e para os próprios pacientes, delas derivaram inúmeras referências retomadas por Lacan em seus Seminários.
A liberdade é coisa bem estranha, pois se apresenta para a maioria de nós como um objeto que nos faltaria, e cuja propriedade deveríamos reencontrar. No melhor dos casos, é um usufruto – usus et fructus – que está separado de seu nu-proprietário; um usus e um fructus quanto aos quais nossas vidas testemunhariam mais que nos comportamos como nu-proprietários, enquanto o usus e o fructusseriam para o outro. A liberdade, então, não apenas nos faltaria, mas seria ela própria portadora de uma falta fundamental.
Certamente, vocês conhecem o artigo de Freud sobre a feminilidade. É um artigo que é, evidentemente, cheio de preconceitos que nós vamos tentar tratar. Que preconceitos? Freud diz que uma mulher é constituída como um homem, ou seja, que ela está ligada ao mesmo falicismo, mas que para realizar sua feminilidade, ela tem que renunciar a uma parte de sua virilidade e deslocar uma parte de seu erotismo do clitóris para a vagina.