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	<title>Tempo Freudiano &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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	<description>O Tempo Freudiano é uma associação de psicanalistas, fundada em abril de 1998, no Rio de Janeiro.</description>
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	<title>Tempo Freudiano &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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	<item>
		<title>Homenagem a Denise Sainte-Fare Garnot</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 12:19:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[  Os membros do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica, do Rio de Janeiro, Brasil, lamentam a morte da querida colega e amiga Denise Sainte-Fare Garnot que contribuiu para a fundação do Tempo Freudiano e, durante muitos anos, para o desenvolvimento das relações de troca e intercâmbio entre o Tempo Freudiano e a Association Lacanienne Internationale. Confiantes  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Os membros do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica, do Rio de Janeiro, Brasil, lamentam a morte da querida colega e amiga Denise Sainte-Fare Garnot que contribuiu para a fundação do Tempo Freudiano e, durante muitos anos, para o desenvolvimento das relações de troca e intercâmbio entre o Tempo Freudiano e a <em>Association Lacanienne Internationale</em>. Confiantes de que a marca deixada por Denise no Brasil continuará a se fazer, não apenas através da lembrança de sua presença entre nós, mas também a partir dos textos que ela publicou em português e que continuam ressoando ainda hoje, enviamos as nossas mais sinceras condolências à família, aos amigos e colegas, e um grande agradecimento póstumo a Denise, por seu empenho e seu acolhimento em nossas iniciativas conjuntas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Carta Aberta do Movimento Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/carta-aberta-do-movimento-articulac%cc%a7a%cc%83o-das-entidades-psicanaliticas-brasileiras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Sep 2024 17:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Vimos, mais uma vez, a público, manifestarmo-nos contra as propostas de cursos de graduação em psicanálise que estão sendo oferecidos à população e buscam reconhecimento junto ao Ministério da Educação. Nosso propósito é apresentar como estas ofertas são equivocadas, uma vez que a formação em psicanálise não se contempla no espaço acadêmico. Embora muitos psicanalistas  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="page" title="Page 1">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>Vimos, mais uma vez, a público, manifestarmo-nos contra as propostas de cursos de graduação em psicanálise que estão sendo oferecidos à população e buscam reconhecimento junto ao Ministério da Educação. Nosso propósito é apresentar como estas ofertas são equivocadas, uma vez que a formação em psicanálise não se contempla no espaço acadêmico. Embora muitos psicanalistas realizem pós-graduações em psicanálise, não é isso que legitima o ofício do psicanalista, que, para ser exercido com rigor, exige compromisso com os pressupostos freudianos. Desta forma, apresentamos abaixo algumas pontuações que esclarecem esses pressupostos.</p>
</div>
</div>
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>1. Como situar o campo da psicanálise?</p>
<p>Podemos dizer, de forma resumida, que a psicanálise, criada por Sigmund Freud a partir da experiência clínica, funciona como um método de investigação do inconsciente, que é o que determina nossas ações. Esta descoberta do inconsciente constituiu-se em uma importante subversão no campo do conhecimento, deslocando a consciência do lugar de determinação, ao apontar que os sintomas revelam um saber a ser decifrado. Isso se dá em um contexto específico que requer um vínculo singular entre analisante e analista, o que distingue radicalmente a psicanálise de formações acadêmicas, como a psicologia e a psiquiatria.</p>
<p>2. Como se dá a formação de um psicanalista?</p>
<p>Desde Freud, sabemos que só é possível o exercício do ofício de psicanalista a partir da experiência com o inconsciente em uma análise pessoal, que é o pilar fundamental da formação. O percurso de uma análise é singular, depende de um laço transferencial &#8211; que é o vínculo &#8211; único, sem tempo de duração definido, nem garantia antecipada de que haverá um psicanalista ao final. O saber em jogo nessa experiência é o do inconsciente, que, portanto, não pode ser formatado em uma grade curricular. A formação inclui também a discussão teórica entre os pares e a apresentação de casos em supervisão. Este percurso construído por cada um em sua formação torna impossível a tutela do Estado, o que, na verdade, deturparia os princípios da psicanálise. Por isso mesmo, nunca houve em nenhum lugar do mundo uma graduação de psicanálise, como está sendo proposto e efetuado no Brasil.</p>
<p>3 Por que a psicanálise deve ser leiga e laica?</p>
<p>A posição de que a psicanálise é leiga e laica foi sustentada por Freud há mais de cem anos, desde quando iniciou seus estudos junto a um grupo de intelectuais de diversos campos do saber, como médicos, filósofos, educadores, entre outros, que podiam exercer o ofício da psicanálise, desde que comprometidos com a análise pessoal e estudo teórico e supervisão, contemplados na formação entre pares. Por todas as argumentações apresentadas, afirmamos que o ofício da psicanálise é leigo, o que significa que não pode ser autorizado por um curso de graduação e que um psicanalista não é outorgado por um diploma. Vale ressaltar também, que ela permanece laica, ou seja, não está nem nunca esteve vinculada a nenhuma forma de saber religioso. A psicanálise, portanto, conta com um rigor, fundamentado numa lei que é da cultura e que inscreve o sujeito numa ética, que legitima este ofício de escuta do inconsciente.</p>
</div>
</div>
</div>
<div class="page" title="Page 2">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>Lista das instituições que assinam a carta:</p>
</div>
</div>
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>1. Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano- EPFCL- Brasil<br />
2. Escola Lacaniana de Psicanálise RJ<br />
3. Depto Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae &#8211; SP<br />
4. Laço Analítico | Escola de Psicanálise subsede Cuiabá<br />
5. Laço Analítico | Escola de Psicanálise subsede Florianópolis<br />
6. Laço Analítico | Escola de Psicanálise subsede Rio de Janeiro<br />
7. Laço Analítico | Escola de Psicanálise subsede Varginha<br />
8. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Brasília<br />
9. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Cacoal<br />
10. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Lavras<br />
11. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Manaus<br />
12. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Rondonópolis<br />
13. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo Portugal<br />
14. Laço Analítico | Escola de Psicanálise núcleo São Paulo<br />
15. Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre<br />
16. Círculo Psicanalítico do RJ<br />
17. Maiêutica Florianópolis Instituição Psicanalítica<br />
18. SBPRP &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto<br />
19. SBPdePA &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre<br />
20. SPRJ &#8211; Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro<br />
21. GEP-SC &#8211; Grupo de Estudos de Psicanálise de Santa Catarina<br />
22. GEP-São José Rio Preto &#8211; Grupos de Estudos de Psicanálise de São José do Rio Preto<br />
23. GPU-Uberaba &#8211; Grupos de Estudos de Psicanálise de Uberaba<br />
24. SBPSP &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo<br />
25. SPRPE &#8211; Sociedade Psicanalítica de Recife<br />
26. SPfor &#8211; Sociedade Psicanalítica de Fortaleza<br />
27. SBPCamp &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Campinas<br />
28. SPBsb &#8211; Sociedade de Psicanálise de Brasília<br />
29. SBPMG &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais<br />
30. SPMS &#8211; Sociedade Psicanalítica do Mato Grosso do Sul<br />
31. SBPRJ &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio Janeiro<br />
32. SBPG &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Goiânia<br />
33. SPPEL &#8211; Sociedade Psicanalítica de Pelotas<br />
34. GEP &#8211; Marília e Região- Grupo de Estudos Psicanalítico de Marília e Região<br />
35. SBPCuritiba &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de Curitiba<br />
36. SPPA &#8211; Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre<br />
37. NPMAL &#8211; Núcleo Psicanalítico de Maceió<br />
38. NUPES &#8211; Núcleo Psicanalítico do Espírito Santo<br />
39. NPS &#8211; Núcleo Psicanalítico de Salvador<br />
40. NPU- Núcleo Psicanalítico de Uberlândia<br />
41. ABC &#8211; Associação Brasileira de Candidatos<br />
42. Conselho Diretor e Febrapsi<br />
43. Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória<br />
44. Espaço -Oficina de Psicanálise &#8211; Rio de janeiro<br />
45. Círculo Brasileiro de Psicanálise<br />
46. Círculo Brasileiro de Psicanálise Seção Rio de Janeiro<br />
47. Círculo Psicanalítico da Bahia<br />
48. Círculo Psicanalítico de Minas Gerais<br />
49. Círculo Psicanalítico do Pará<br />
50. Círculo Psicanalítico do Rio Grande do Sul<br />
51. Círculo Psicanalítico de Sergipe<br />
52. Aleph Escola de Psicanálise<br />
53. Escola Brasileira de Psicanálise – Escola do Campo Freudiano (EBP- ECF)<br />
54. Sigmund Freud Associação Psicanalítica (SIG)<br />
55. Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (SPID)<br />
56. Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA)<br />
57. Intersecção Psicanalítica do Brasil.<br />
58. Tempo Freudiano &#8211; Associação Psicanalítica<br />
59. Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiæ<br />
60. Escola Letra Freudiana<br />
61. Toro &#8211; Escola de Psicanálise<br />
62. Escola Lacaniana de Psicanálise Brasília -ELPB<br />
63. Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro &#8211; SPCRJ<br />
64. Círculo Psicanalítico de Pernambuco -CPP<br />
65. EBEP- Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos do Rio de Janeiro<br />
66. Fórum do Campo Lacaniano de Aracaju<br />
67. Fórum do Campo Lacaniano de Belém<br />
68. Fórum do Campo Lacaniano de Belo Horizonte<br />
69. Fórum do Campo Lacaniano de Brasília<br />
70. Fórum do Campo Lacaniano de Curitiba<br />
71. Fórum do Campo Lacaniano de Florianópolis<br />
72. Fórum do Campo Lacaniano de Fortaleza<br />
73. Fórum do Campo Lacaniano de Joinville<br />
74. Fórum do Campo Lacaniano de Juiz de Fora<br />
75. Fórum do Campo Lacaniano de Mato Grosso do Sul<br />
76. Fórum do Campo Lacaniano de Nova Iguaçu<br />
77. Fórum do Campo Lacaniano de Região dos Lagos<br />
78. Fórum do Campo Lacaniano de Região Serrana/RJ<br />
79. Fórum do Campo Lacaniano de Rio de Janeiro<br />
80. Fórum do Campo Lacaniano de Salvador<br />
81. Fórum São Paulo<br />
82. Instituto APPOA &#8211; clínica, intervenção e pesquisa em psicanálise<br />
83. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Rio De Janeiro<br />
84. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Barra Mansa<br />
85. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Belém<br />
86. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Campos Dos Goytacazes<br />
87. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Cuiabá<br />
88. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Goiânia<br />
89. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Estados Unidos<br />
90. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Fortaleza<br />
91. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Imperatriz<br />
92. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção João Pessoa<br />
93. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Paris<br />
94. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção São Luís<br />
95. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Seção Teresópolis<br />
96. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Brasília<br />
97. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Campo Grande<br />
98. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Londrina<br />
99. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Macaé<br />
100. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Nova Friburgo<br />
101. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Porto Alegre<br />
102. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo São Paulo<br />
103. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Teresina<br />
104. Corpo Freudiano Escola De Psicanálise Núcleo Vassouras</p>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os herdeiros da ciência: a clínica psicanalítica e as novas formas do gozo</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/os-herdeiros-da-ciencia-a-clinica-psicanalitica-e-as-novas-formas-do-gozo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 21:37:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Colóquio da Association Lacanienne Internationale e do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica em que recebemos, no Rio de Janeiro, nos dia 9, 10, 11 e 12 de abril de 2003, Marcel Czermak, Bernard Vandermersh, Christiane Lacôte, Denise Sainte-Fare Garnot, Roland Chemama e outros.O evento foi publicado na íntegra em nossa Revista Tempo Freudiano n° 5 “O  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Colóquio da Association Lacanienne Internationale e do Tempo Freudiano Associação Psicanalítica em que recebemos, no Rio de Janeiro, nos dia 9, 10, 11 e 12 de abril de 2003, Marcel Czermak, Bernard Vandermersh, Christiane Lacôte, Denise Sainte-Fare Garnot, Roland Chemama e outros.<br />O evento foi publicado na íntegra em nossa Revista Tempo Freudiano n° 5</p>



<p>“O sujeito do inconsciente, diz Lacan, é o próprio sujeito que emerge com a ciência, aquele que aí foi foracluído. Mais tarde ele dirá que a psicanálise é um sintoma. E que é preciso que ela fracasse para que, como sintoma, ela insista no real. A dupla aporia já situa para nós o teor das questões desde seu momento constitutivo. E permite entender que seus desdobramentos futuros já estavam inscritos no ponto de partida. Nas últimas décadas, o progresso científico e o imperativo de suas conseqüências, na circulação e na dissolução dos discursos, vêm minando as amarras do simbólico e de tudo o que sustenta a estrutura da lei para um sujeito. Porque a ciência não é um discurso, não faz laço social. Quer isso dizer que, a seus herdeiros, só restariam, então, as regras, a lei positiva, com tudo o que isso implica de anulação do desejo para um sujeito? Ou será que aquilo a que seremos levados aí – puro paradoxo – será o retorno do mais arcaico? Essa alternativa também foi prevista por Lacan: a religião triunfará, pois é ela que fará proliferar de novo o sentido.</p>



<p>São questões que constituem impasse e problema para a contemporaneidade, mas que assumem naturalmente os mais variados matizes de acordo com a singularidade do contexto histórico e cultural de nossas sociedades. Pois é claro que a incidência desses efeitos opera de modo sempre diferente sobre a eficácia simbólica, produzindo necessariamente, em cada situação, conseqüências específicas para o sujeito em sua posição e em suas relações com a lei. Vicissitudes que a psicanálise não pode negligenciar em suas particularidades, justamente para poder localizar aí o que nos é comum a todos, a maneira como tudo isso funciona para o sujeito contemporâneo, herdeiro da ciência, como obstáculo ao reconhecimento e ao exercício do seu desejo.</p>



<p>Neste Colóquio, psicanalistas estão convidados a intervir, dando conta de como tudo isso está emergindo em sua experiência concreta, em sua prática. É esse, afinal, o único lugar de onde nossa palavra pode se autorizar. E é o que nos assegura também de que uma interlocução será possível e frutífera. Pois qualquer que seja o viés a que cada um seja levado por sua enunciação, sabemos, de antemão, que estaremos falando sempre da clínica psicanalítica.”<br />Antonio Carlos Rocha</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A operação do significante: o nome, a imagem, o objeto</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/a-operacao-do-significante-o-nome-a-imagem-o-objeto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 21:30:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[“Nós estamos sempre bastante seguros quanto à estabilidade de nossas percepções e de nossa realidade. E sem muito erro chegamos a nomear tudo o que aparece em nosso campo perceptivo. Nem de longe imaginamos que se trata de uma operação bem complexa cuja aparente espontaneidade supõe, na verdade, uma certa nodulação que depende do significante.  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><img decoding="async" width="150" height="208" class="wp-image-3347" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/coloquio.jpg" alt="coloquio" /></figure></div>


<p>“Nós estamos sempre bastante seguros quanto à estabilidade de nossas percepções e de nossa realidade. E sem muito erro chegamos a nomear tudo o que aparece em nosso campo perceptivo. Nem de longe imaginamos que se trata de uma operação bem complexa cuja aparente espontaneidade supõe, na verdade, uma certa nodulação que depende do significante.</p>



<p>A experiência clínica mostra, aliás, que essa montagem pode se decompor em seus elementos constitutivos. É assim que veremos aparecer, na psicose, quadros clínicos onde o nome, a imagem e o objeto podem perfeitamente se dissociar.</p>



<p>Entendemos que é do lado do reconhecimento e da identificação que devemos procurar o que está em causa. Isso nos permitirá ampliar nossa reflexão, especialmente no que concerne a esse estranho objeto que Lacan chama de objeto a e em torno do qual gira o neurótico, sem jamais poder alcançá-lo, mesmo estando sob seu comando. Tal abordagem vem, sem dúvida, lançar uma nova luz sobre a clínica das neuroses.</p>



<p>A escrita da fantasia $&lt;&gt; a mostra bem isso, desde, é claro, que se esteja atento ao modo pelo qual ela pode ser abordada pelo lado do a. Um dos grandes problemas que encontra o neurótico é que, ao invés de tentar resolver suas questões pela via de $&lt;&gt; a, ele passa seu tempo tentando fazer isso pela via, em impasse, de i(a).</p>



<p>É, aliás, interessante constatar como em escala planetária é, cada vez mais, a via dessa imagem especular que é promovida.”<br />Marcel Czermak</p>



<p><strong>Intervenções</strong></p>



<p>pela ALI<br />Marcel Czermak, Angela Jesuíno Ferretto, Bernard Vandermersch, Christiane Lacôte, Jean-Jacques Tyszler, Jean-Louis Chassaing, Louis Sciara, Roland Chemama, Stéphane Thibierge</p>



<p>pelo Tempo Freudiano<br />Ana Cristina Manfroni, Antonio Carlos Rocha, Eduardo de C. Rocha, Fernanda Costa-Moura, Francisco Leonel Fernandes</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Seminário de Charles Melman no Rio de Janeiro</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/seminario-de-charles-melman-no-rio-de-janeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 21:23:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.tempofreudiano.com.br/?p=15533</guid>

					<description><![CDATA[E o que é que ele quer, o psicanalista?Seminário de Charles Melman, no Rio de Janeiro, Hotel Glória, nos dias 25 e 26 de abril de 2008 No momento de conclusão do trabalho que fizemos sobre o Seminário de Lacan A ética da psicanálise, no ano de 2007, e ainda no contexto da comemoração dos  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><img decoding="async" width="136" height="251" class="wp-image-3346" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/cartaz2.jpg" alt="cartaz2" /></figure></div>


<p><strong>E o que é que ele quer, o psicanalista?</strong><br /><em>Seminário de Charles Melman, no Rio de Janeiro, Hotel Glória, nos dias 25 e 26 de abril de 2008</em></p>



<p>No momento de conclusão do trabalho que fizemos sobre o Seminário de Lacan A ética da psicanálise, no ano de 2007, e ainda no contexto da comemoração dos seus 10 anos de existência, o Tempo Freudiano convidou Dr. Charles Melman para vir nos falar sobre esse tema tão central da clínica psicanalítica e, sobretudo do modo como ele o situa, hoje, quase meio século depois.</p>



<p>Escreveu Melman em seu argumento para o seminário:</p>



<p>“Não podemos dizer que os psicanalistas estejam à vontade com a questão da ética. Assim, suas sociedades se constituem freqüentemente à imagem de todos os grupos humanos: dominadas pela rivalidade e pela agressividade, pela vontade de afirmar sua mestria, de submeter os outros a uma autoridade dogmática, em resumo, de reparar, pelo fechamento do funcionamento social, a abertura da ordem significante à qual eles se referem, quando a interpretação sistemática não vem, ela mesma, também fechá-la.</p>



<p>Freud não tinha em boa conta seus alunos. Lacan também não.</p>



<p>O único problema que deveria atormentar a terceira geração seria o de resolver a questão de sua ética. Não para ser «belo, bom ou justo», mas, mais exatamente, para ser psicanalista.</p>



<p>Vamos começar ?”</p>
<p>Veja <a href="https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/a-psicanalise-nao-promete-a-felicidade/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> entrevista de Charles Melman à revista VEJA por ocasião do evento.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>JEAN-JACQUES TYSZLER &#8211; INTERVENÇÕES</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/jean-jacques-tyszler-intervencoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 21:12:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.tempofreudiano.com.br/?p=15530</guid>

					<description><![CDATA[Jean-Jacques Tyszler é Analista-membro (A.M.A.) e Vice-presidente da Association lacanienne internationale; membro da École Psychanalytique de Sainte-Anne; Diretor de Ensino (Attaché d’ensignement) do Hospital de Ville Evrard; e Médico-Diretor do Centro Médico-pedagógico da Mutuelle de l’Education Nationale de Paris. Na Association lacanienne, mantém atualmente o seminário “Os objetos da memória”. Esteve presente nos dois colóquios  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Jean-Jacques Tyszler é Analista-membro (A.M.A.) e Vice-presidente da Association lacanienne internationale; membro da École Psychanalytique de Sainte-Anne; Diretor de Ensino (Attaché d’ensignement) do Hospital de Ville Evrard; e Médico-Diretor do Centro Médico-pedagógico da Mutuelle de l’Education Nationale de Paris. Na Association lacanienne, mantém atualmente o seminário “Os objetos da memória”. Esteve presente nos dois colóquios que realizamos com a Association, em 2003 e 2006, e tem colaborado regularmente na coleção A clínica da psicose: Lacan e a psiquiatria, publicada pelo Tempo Freudiano.</p>



<p>No âmbito das atividades internas do Tempo Freudiano, J. J. Tyszler tratou da Construção da fantasia e a questão do ato em psicanálise e, no que concerne à psicanálise da criança e do adolescente, falou sobre A questão do agir na criança e no adolescente: as marcas do corpo, estatuto do imaginário na clinica e na direção do trabalho.</p>



<p>Além do trabalho realizado no Tempo Freudiano, o dr. Tyszler fez ainda três intervenções no Rio de Janeiro e em Niterói:</p>



<p>Conferência no Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro: Objeto da pulsão, objeto do desejo.</p>



<p>Conferência no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba: Um significante em luto, o que dizer da melancolia hoje?</p>



<p>Conferência no Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: O lugar da psicanálise no tratamento dos psicóticos em instituição.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jornadas de lançamento do livro de Marcel Czermak</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/jornadas-de-lancamento-do-livro-de-marcel-czermak/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 21:05:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Veja aqui matéria publicada no Caderno Prosa &amp; Verso d'O Globo de 21/04/2012. PATRONIMIASQUESTÕES DA CLÍNICA LACANIANA JORNADAS DE LANÇAMENTO DO LIVRO DEMARCEL CZERMAK 27 e 28 de abril de 2012Windsor Atlântica HotelAvenida Atlântica, 1020 – CopacabanaOrganizadas pelo Tempo Freudiano com a Association Lacanienne Internationale de Paris, essas Jornadas trataram de uma questão maior de  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Veja <strong><a href="https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/czermak-globo2012.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> matéria publicada no Caderno Prosa &amp; Verso d&#8217;O Globo de 21/04/2012.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/flyer-Patronimias1.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="300" height="191" class="wp-image-3345" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/flyer-Patronimias1-300x191.jpg" alt="flyer Patronimias1" srcset="https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/flyer-Patronimias1-300x191.jpg 300w, https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/flyer-Patronimias1-1024x653.jpg 1024w, https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/flyer-Patronimias1.jpg 1063w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></figure>



<p>PATRONIMIAS<br />QUESTÕES DA CLÍNICA LACANIANA</p>



<p>JORNADAS DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE<br />MARCEL CZERMAK</p>



<p>27 e 28 de abril de 2012<br />Windsor Atlântica Hotel<br />Avenida Atlântica, 1020 – Copacabana<br />Organizadas pelo Tempo Freudiano com a Association Lacanienne Internationale de Paris, essas Jornadas trataram de uma questão maior de nossa atualidade a partir de articulações e pressupostos reunidos nos artigos que compõem o livro de Marcel Czermak, lançado em português pela Editora Tempo Freudiano, <em>Patronymies</em>. Ali vemos os desdobramentos de diferentes formas de declínio, de recusa, de foraclusão do Nome-do-Pai e de suas consequências para a cultura e, em particular, para a posição do psicanalista. Ocorrências diversas que têm em comum algum tipo de degradação deste significante fundante da ordem simbólica, que faz conjugar desejo e Lei, que compromete e constrange.</p>



<p>Nestas Jornadas acompanhamos a maneira como este fracasso interno à ordem significante se manifesta em inúmeras “Patronimias”, dentro e fora do campo das psicoses. E como Marcel Czermak evidencia, não estamos diante de mero efeito da globalização e da modificação espetacular dos valores promovida pela ciência e pela economia. Mesmo se esses fenômenos vêm redobrar as consequências do que está em jogo, o que desponta da análise clínica rigorosa, sutil e estrutural que ele empreende do modo como a destituição do Nome-do-Pai é tecida é uma certa virtualidade, paradoxal, que já está dada, contida na própria estrutura da ordem significante.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A função paterna e a clínica contemporânea</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/a-funcao-paterna-e-a-clinica-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 20:54:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[  Artigos de Louis Sciara disponíveis no site: “Bandes” urbaines, violences et logique de la ségrégation A questão da transferência nas paranóias A questão do “sujeito” psicótico Qu’attendre du psychanalyste dans une institution dite sociale?   Louis Sciara fala sobre seu livro: Um retorno à função paterna na clínica contemporânea  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="aligncenter" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/ConviteSciara.jpg" alt="sciara" width="701" height="1657" /></p>
<h2></h2>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Artigos de Louis Sciara disponíveis no <em>site:</em></h2>
<h3></h3>
<h3><a href="https://tempofreudiano.com.br/artigo/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation/" target="_blank" rel="noopener">“Bandes” urbaines, violences et logique de la ségrégation</a></h3>
<h3><a href="https://tempofreudiano.com.br/artigo/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/" target="_blank" rel="noopener">A questão da transferência nas paranóias</a></h3>
<h3><a href="https://tempofreudiano.com.br/artigo/a-questao-do-sujeito-psicotico/" target="_blank" rel="noopener">A questão do “sujeito” psicótico</a></h3>
<h3><a href="https://tempofreudiano.com.br/artigo/quattendre-du-psychanalyste-dans-une-institution-dite-sociale/" target="_blank" rel="noopener">Qu’attendre du psychanalyste dans une institution dite sociale?</a></h3>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Louis Sciara fala sobre seu livro:</h2>
<h2>Um retorno à função paterna na clínica contemporânea</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/fiTl0ZhTn_o?rel=0&amp;showinfo=0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O corpo e a imagem na clínica contemporânea</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/o-corpo-e-a-imagem-na-clinica-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jun 2023 20:34:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.tempofreudiano.com.br/?p=15520</guid>

					<description><![CDATA[Em 2018, o Tempo Freudiano promoveu, em parceria com a UFRJ e o INCA, o evento O Corpo e a Imagem na Clínica Contemporânea com o psicanalista Stéphane Thibierge da Association lacanienne internationale e da Universidade Paris 7. O que chamamos de doença mental? Conferência apresentada em 18 de março de 2013 na École Pratique  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>Em 2018, o Tempo Freudiano promoveu, em parceria com a UFRJ e o INCA, o evento <em>O Corpo e a Imagem na Clínica Contemporânea</em> com o psicanalista Stéphane Thibierge da <em>Association lacanienne internationale</em> e da Universidade Paris 7.</h4>
<p><img decoding="async" class="aligncenter" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/thib.jpg" alt="" width="" height="" /></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/jcf.jpg" alt="" width="" height="" /></p>
<p>O que chamamos de doença mental?<br />
Conferência apresentada em 18 de março de 2013 na École Pratique des hautes Études en Psychopathologies (EPhEP)</p>
<div class="video-shortcode"><iframe title="Conférence Stéphane Thibierge - QU&#039;APPELLE-T-ON MALADIE MENTALE ? - EPHEP 18 Mars 2013" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/BpjCa3BS8iQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Incidências subjetivas e políticas de nossa relação com o significante<br />
Conferência apresentada em 25 de maio de 2018 na École Pratique des hautes Études en Psychopathologies (EPhEP)</p>
<div class="video-shortcode"><iframe title="Stéphane Thibierge - INCIDENCES SUBJECTIVES ET POLITIQUES DE NOTRE RAPPORT AU SIGNIFIANT" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/L7vGDcrDPrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3 style="text-align: center;"><strong>O Nome, a Imagem, o Objeto<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></strong></h3>
<p style="text-align: center;">Parte II</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Abordagens neurológicas dos distúrbios do reconhecimento </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>e da imagem do corpo</strong></p>
<p style="text-align: center;">Capítulo 1</p>
<p style="text-align: center;">A agnosia</p>
<p style="text-align: right;">Stéphane Thibierge</p>
<p>Não é inútil precisar o porquê de começarmos por um exame da agnosia, quando outros transtornos neurológicos que abordaremos na sequência se relacionam mais diretamente com as patologias da imagem do corpo ou do reconhecimento das pessoas.</p>
<p>É precisamente na medida em que a noção de agnosia é evocada na designação de muitos transtornos da imagem do corpo ou do reconhecimento que nos pareceu desejável precisar seu sentido, antes de abordar o exame desses transtornos. Esse ponto de partida permite expor os elementos primordiais das questões que evocaremos em seguida no campo neurológico.</p>
<p>A definição e a delimitação clínicas da agnosia foram, com efeito, a oportunidade de destacar e progressivamente recapitular um certo número de fenômenos que haviam sido inicialmente descritos separadamente a propósito de transtornos distintos.</p>
<p>Num livro que propõe uma tomada em perspectiva geral do problema da agnosia, a partir da agnosia visual, H. Hécaen e R. Angelergues retomam os diferentes fios que vieram se ligar nessa noção<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. Eles lembram que foi na época dos primeiros trabalhos sobre a afasia que foi possível individualizar um certo tipo de transtorno que chamou de início a atenção particularmente pelo fato de que foi considerado como “distinto tanto da demência quanto do transtorno próprio da linguagem.” Dizia respeito a “certos modos de relação do sujeito doente com o objeto”, que foram globalmente designados como afetando o<em> reconhecimento</em> do objeto, em um sentido suficientemente amplo para recobrir tanto o que dizia respeito à capacidade de utilizá-lo, quanto ao fato de reconhecê-lo.</p>
<p>Esses transtornos, como se vê, colocavam os neurologistas diante da dificuldade de especificar, do ponto de vista etiológico, uma certa categoria de fenômenos cujo registro eles não distinguiam muito bem quando tentavam defini-lo segundo as coordenadas que eram as suas: não parecia dizer respeito à demência, e nem também a um transtorno próprio da linguagem.</p>
<p>O problema, em seu estado inicial, é assim resumido por Hécaen e Angelergues: “a primeira ideia que se destaca na análise clínica é que o<em> reconhecimento</em> do objeto implica na excitação conjugada dos<em> diversos elementos</em> que resultam na sua<em> representação</em>.” E acrescentam: “se alguns desses elementos faltam &#8211; perda posta habitualmente em relação com a interrupção de uma via de associação -, a evocação do objeto não é mais possível: ele será <em>visto</em><a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>,<em> ouvido</em> ou<em> sentido</em>, mas não será<em> reconhecido</em>.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a></p>
<p>Nas síndromes de falsos reconhecimentos que evocamos, encontramos também uma separação dos dois planos do percepto e do reconhecimento. É o que evocávamos dizendo que a imagem cai de um lado e o nome do outro. O que nos interessa nos dois casos são os efeitos da decomposição do reconhecimento que aí observamos. Essa decomposição não tem, em princípio, a mesma amplitude, nem as mesmas causas, nas psicoses e nos transtornos neurológicos. Mas, nos dois casos, ela tem efeitos sobre a relação do sujeito com aquilo que ele não reconhece mais, mesmo identificando algo, no entanto. Daremos aqui um exemplo do que visamos a título desses efeitos, a partir da descrição dada por Hécaen e Angelergues da agnosia para os objetos, entre as agnosias visuais: “esse transtorno é posto em evidência pedindo ao sujeito para descrever o objeto proposto e, de uma forma geral, evocá-lo. […] O comportamento do doente diante do objeto assim apresentado é inteiramente característico: ele o<em> fixa</em>, o<em> envolve com o olhar</em>, o aborda<em> por diferentes ângulos</em>, exprime por mímica seu <em>espanto</em>, sua<em> ansiedade</em>, e geralmente pede para tocar essa coisa que ele não identifica; tão logo ele<em> pega</em> o objeto, seu rosto se ilumina, ele o<em> nomeia</em>, o descreve e o utiliza sem a menor dificuldade” (grifos nossos). Os autores notam igualmente que “a apresentação prolongada do objeto não facilita constantemente seu reconhecimento e pode até mesmo entravá-lo”, e que, por outro lado, “a<em> soma dos detalhes</em> do objeto e a<em> busca de um detalhe significativo</em> parecem os procedimentos mais utilizados habitualmente pelo doente para superar seu déficit.”<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a></p>
<p>Nessa descrição, e ainda que autores não ressaltem particularmente esse ponto, parece que não é exatamente o <em>objeto</em> que o doente não pode mais nomear, mas que é o<em> objeto</em> enquanto apreendido pelo<em> olhar</em>, que vem ao primeiro plano do fenômeno descrito. Ele surge de um modo particular, que a descrição mostra muito bem: o sujeito<em> fixa</em> o objeto, ele o<em> envolve com o olhar</em>, mas não pode nomear o que esse envolvimento deveria em princípio reconhecer. Nesse sentido, é isso &#8211; o objeto <em>do olhar </em>&#8211; que ele não pode mais nomear.</p>
<p>O olhar, tal como ele aparece aqui, de certo modo negativamente, não pode ser elucidado apenas no registro da percepção. Se fosse questão apenas de um transtorno dessa ordem, não compreenderíamos por que o sujeito “exprime por sua mímica seu espanto, sua ansiedade” nesse momento<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>. Que ele o faça atesta que o transtorno comporta consequências que não se limitam ao campo da visão propriamente dita, mas que colocam em questão de modo mais geral aquilo que podemos chamar de coordenadas do reconhecimento, no sentido em que o definimos, favorecendo o surgimento de algo que o sujeito recebe sob o modo de uma opacidade subitamente prevalente e que ele não pode mais nomear, ou que está desligada do nome.</p>
<p>Nosso propósito não é colocar em questão por causa disso a descrição do transtorno, nem tampouco sua etiologia tal como os neurologistas podem defini-las. Nós sublinhamos apenas a maneira pela qual um tal fenômeno, quaisquer que sejam suas causas identificáveis em termos anátomo-clínicos, comporta, ao lado e além de um acometimento local, efeitos que afetam necessariamente o campo do reconhecimento, por causa do surgimento nesse campo de um objeto &#8211; o olhar, e não somente o que é olhado &#8211; sobre o qual a nomeação não tem mais domínio. Poderemos compará-lo, nesse sentido, ao sentimento de estranheza. Esse exemplo indica, a partir de uma referência clínica relativamente simples, em qual perspectiva nos interessam os transtornos neurológicos que citaremos.</p>
<p>Voltemos agora à maneira pela qual Hécaen e Angelergues apresentam e introduzem a clínica dos fatos que eles determinam sob a noção de agnosia. Vimos como eles reduziam a questão à de saber quais são os elementos em jogo no que culmina no<em> reconhecimento normal</em>. Essa formulação do problema interroga o que faz<em> manter juntos</em> o percepto no sentido amplo, e o que permite ligá-lo ao nome num reconhecimento. A questão é posta aqui pelos autores de forma muito geral e sem decidir inteiramente sobre a natureza desses elementos. Destacando apenas que seu defeito ou sua perda são interpretados “geralmente” em termos neurobiológicos, isto é, remetidos à interrupção de uma via de associação, eles deixam em aberto a questão de saber se não cabe fazer intervir dados etiológicos de outra ordem, que levam igualmente em conta o material altamente<em> simbólico</em> que os dados clínicos e anátomo-clínicos da agnosia expõem e articulam de modo diversificado, mas seriável.</p>
<p>E eles fornecem, sob duas rubricas distintas, os diferentes aspectos dessa seriação: a agnosia óptica é<em> seletiva</em> e admite uma<em> especificidade das associações</em> segundo suas formas.</p>
<p>Ela é<em> seletiva</em>, isto é, os transtornos do reconhecimento concernem sempre a esse ou aquele aspecto determinado do domínio visual. É notável que esses aspectos remetem a uma lógica e a segmentações articuladas a categorias simbólicas: agnosias espaciais (perda da orientação, das localizações no espaço e nos lugares), transtornos do reconhecimento das cores, agnosias para os objetos e para as imagens, agnosias para as fisionomias.</p>
<p>Os autores ilustram esse ponto com alguns exemplos em que aparecem séries de<em> disjunções exclusivas,</em> invertidas conforme o caso: ou o sujeito não identifica as pessoas, mas as reconhece por certos traços, ou ele as identifica muito bem, mas não pode reter nenhum detalhe. Assim, “o doente B., atingido espontaneamente por sua incapacidade de distinguir sua mulher de sua sobrinha, reconhece perfeitamente os objetos, as imagens simples e os cartões postais e identifica muito bem os detalhes menores que lhe permitem situar um personagem. A “fisionomia” de uma paisagem não significa mais nada para ele, mas ele é capaz de extrair dela certos detalhes e reconhecê-los perfeitamente como referências. A doente D., que reconhece muito bem os objetos, as cores e a maior parte das imagens simples, só pode identificar sua filha quando ela está com seus sapatos, e não consegue reconhecer nenhum lugar do serviço, ao passo que se situará com um detalhe aparentemente tão pouco pregnante como o tipo de curativo de sua vizinha. Ao contrário, o doente A., que reconhece perfeitamente as pessoas e se orienta sem nenhuma dificuldade, fracassa no reconhecimento das imagens mais simples, não diferencia as cores e é incapaz de visualizá-las. Mais claramente ainda, o doente M., que reconhece bem as fisionomias, nas quais ele discerne as diferentes mímicas, e pode até identificar seus próximos em pequenas e medíocres fotografias de amador, é incapaz de identificar pela visão os objetos mais familiares. E, se o doente G. não apreende mais o sentido das palavras nem o das imagens, ele percebe perfeitamente a significação do espaço e a dos rostos”<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>.</p>
<p>Essas segmentações e essa seletividade justificam a distinção das diversas categorias de agnosia óptica que os autores elencam, no interior de vários grupos principais: agnosias para as coisas, agnosias para as cores, agnosias espaciais, agnosias das fisionomias.</p>
<p>A agnosia óptica admite em seguida<em> uma especificidade das associações segundo suas formas:</em> os autores consideram, a partir do material clínico que trazem, estarem fundamentados para isolar a recorrência de associações preferenciais entre diferentes tipos de agnosia. Eles distinguem a esse respeito dois grandes grupos: “com as agnosias espaciais e a agnosia das fisionomias, são a apraxia construtiva, a apraxia da vestimenta, os transtornos da somatognosia de um hemicorpo, os transtornos oculomotores, os transtornos direcionais e vestibulares que dominam”, esses sintomas correspondendo a lesões diretas. “Com as agnosias para os objetos e para as imagens, para as cores, e naturalmente com as alexias, nós encontramos essencialmente transtornos da linguagem”<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>. Essas agnosias são consecutivas a lesões esquerdas.</p>
<p>É a partir desta seriação clínica da diversidade dos fenômenos relacionados com a agnosia óptica que os autores introduzem o que reduz, a seus olhos, essa diversidade a uma unidade: eles propõem, de fato, uma definição específica da agnosia. Todo o esforço de seu livro consiste precisamente em isolar a unidade nocional e clínica do que eles chamam de “fenômeno agnósico”.</p>
<p>Mesmo evitando querer falar de<em> uma</em> agnosia enquanto tal, já que “é preciso admitir mecanismos e consequentemente níveis diferentes para cada campo sensorial e provavelmente também no interior de cada campo sensorial”, eles apresentam entretanto a seguinte tese: “o que constitui, apesar de sua diversidade, a especificidade da agnosia enquanto fenômeno, diferenciando-a<em> radicalmente</em> (grifo nosso) do transtorno sensorial elementar, é<em> a perda de uma significação</em> (grifado no texto)”<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>.</p>
<p>Essa tese se reveste de grande importância para nossa proposição: ela situa, com efeito, a agnosia em um registro que implica a dimensão de um transtorno das coordenadas fundamentais do sentido e do reconhecimento. É assim que ela faz da agnosia um problema abordável do ponto de vista psicopatológico.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a> Ela é em seguida retomada e precisada nas conclusões do livro: “essencialmente, escrevem os autores, a originalidade do transtorno gnósico limita-se à<em> perda de uma significação, </em>seja<em> por que um código não possa mais ser decifrado, </em>seja<em> por que uma distinção de duas individualidades tenha se tornado impossível</em>”<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a><em>.</em></p>
<p>Podemos notar o quanto se revela próxima à clínica que interrogamos essa forma de colocar o problema quando, deslocando-a um pouco, nós a aplicamos à observação <em>princeps</em> da síndrome de Frégoli ou à da síndrome de Capgras. A definição do transtorno gnósico dada aqui pelos autores tomaria aí, com efeito, valor operatório, desde que ressaltemos a significação perdida como aquela que o <em>nome próprio</em> simboliza.</p>
<p>Não dissimulamos, entretanto, o que haveria de forçado em pretender reduzir ao mesmo, sem outras precauções, termos que concernem num caso ao campo das psicoses e em outro ao das agnosias. É manifesto que, por “perda de uma significação”, Hécaen e Angelergues entendem que, em uma agnosia, um objeto particular, ou um certo tipo de objetos, não são mais discriminados simbolicamente pelo sujeito: é o que eles precisam imediatamente depois escrevendo que “é o objeto particular que, na agnosia, perde seu valor de signo”.</p>
<p>Mas, a partir do momento em que essa discriminação do objeto é reconhecida, e com razão, para implicar seu valor de <em>signo</em>, é legítimo considerar que a significação perdida não pode ser apenas faltante <em>isoladamente</em>, isto é, pontualmente e localmente: isso por razões que têm a ver com a própria estrutura dos sistemas simbólicos, começando pela linguagem. A linguística moderna insistiu, particularmente depois de Saussure, no fato de que os elementos significantes tomam valor apenas diferencial, em relação com outros elementos e com o conjunto. Uma significação qualquer só se constitui graças a essas relações. É a razão pela qual seu comprometimento ou sua perda não podem se conceber sem serem correlacionados aos de outras significações. Então, é mesmo preciso supor, para que uma significação seja perdida, ou que alguma coisa <em>da </em>significação seja afetada &#8211; na hipótese de certo modo mais pesada; ou ao menos que a significação perdida não seja a única a ser tocada, mas que uma correlação se observe com o comprometimento de outras significações &#8211; numa hipótese mais leve. Esse último caso recorta o que os autores ressaltam a título de uma especificidade das associações na agnosia, como lembramos acima.</p>
<p>É nisso que um quadro de agnosia e um quadro de psicose do tipo dos que nos interessam aqui se mostram comparáveis, menos pelo fato da eventual proximidade descritiva dos transtornos realçados, do que por se tratar nos dois casos da perda de uma significação, determinando o comprometimento conexo de outras significações.</p>
<p>É assim, por exemplo, que podemos comparar um quadro como o do caso <em>princeps</em> da síndrome de intermetamorfose, no qual vimos que a doente não distinguia mais seu marido de um vizinho qualquer, mas continuava a identificá-lo a partir de um ou dois <em>traços</em>, com o do Sr. B&#8230;, no qual o sujeito confunde sua sobrinha e sua mulher e se mostra incapaz de reconhecer e de identificar as pessoas, salvo se apoiando em certos traços e, em particular, precisam os autores, no da voz<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a>.</p>
<p>Nessa última observação, o sujeito é crítico em relação ao que lhe acontece e nada do que nos é relatado deixa pensar num transtorno de ordem psicótica. Por outro lado, os fenômenos agnósicos são correlacionáveis, no que lhe concerne, a lesões bilaterais de origem vascular. Entretanto, insistiremos na perda, nos dois casos, da significação de conjunto em favor dos traços elementares.</p>
<p>O que nos interessa aqui é não somente fazer observar como certas afinidades podem se destacar, num nível descritivo, entre quadros de psicoses e quadros neurológicos, mas sobretudo determinar onde passa para nós a linha divisória entre os dois domínios. Essa partilha não é, com efeito, sempre sustentável a partir apenas do nível da descrição ou do contexto patológico, sem que seja necessário tomar posição sobre a estrutura do sujeito. É trivial fazer observar que um sujeito que apresenta um quadro neurológico específico pode, por outro lado, e sem que esse quadro permita afirmá-lo, ser ou não de estrutura psicótica: são dois pontos distintos<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a>. Mas, o essencial consistirá em examinar, conforme os casos, se o que os autores chamam de perda de uma significação remete no sujeito a um comprometimento fundamental da significação como tal, e do que a funda estruturalmente, ou se ela tem apenas uma incidência local e limitada, assinalando assim sua natureza lesional, isto é, acidental em relação à estrutura<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a>.</p>
<p>Ao que nos parece, essa distinção fornece um critério que permite determinar a partição clássica entre transtornos neurológicos e transtornos psiquiátricos, e especialmente entre agnosia e psicose.</p>
<p>Colocando essa distinção nos termos que acabamos de indicar, ficamos em condições de interrogar a clínica da agnosia também do ponto de vista da psicopatologia. Isso nos permite também, para concluir nesse ponto, dar seu alcance à fórmula que encontramos no início desse trabalho sob a pena de Capgras para caracterizar a síndrome que leva seu nome.</p>
<p>Vimos, com efeito, de que maneira, em 1923, Capgras propusera o termo <em>agnosia de</em> <em>identificação</em> para qualificar o cerne dos fenômenos que aparecem na ilusão dos sósias, no começo dessa série de síndromes cuja descoberta nós relatamos. Realçamos então o interesse dessa expressão e do problema que ela assinala, que está longe de se limitar aos transtornos designados nesse caso particular por Capgras.</p>
<p>Na medida, efetivamente, em que toda gnosia supõe, do lado do sujeito, ao mesmo tempo um reconhecimento formal e uma modalidade de inscrição simbólica do que ela apreende, isto é, a sustentação de uma significação, ela comporta necessariamente uma dimensão de identificação, entendida não especificamente no sentido que lhe dávamos anteriormente (cf. <em>Observações preliminares</em>), mas no sentido mais corrente do que pode ligar esse reconhecimento e essa significação. A partir daí, uma agnosia de <em>identificação</em> designaria uma agnosia que atinge aquilo que se mostra no fundamento de toda gnosia.</p>
<p>Capgras produz aí, então, uma noção clínica cujo sentido ele não aprofunda, mas sobre a qual podemos considerar que, para além da ilusão dos sósias, ela remete a uma operação implicada na gnosia em geral. Essa operação não é realçada pelo uso habitual de qualificar as gnosias pela referência a seu objeto &#8211; uma gnosia sendo sempre dita gnosia de alguma coisa. O que não impede que, em seu princípio, todas elas suponham a operação daquilo que torna possível o laço entre uma <em>imagem</em> ou um <em>percepto</em> no sentido amplo, objeto do reconhecimento, e um <em>nome</em>.</p>
<p>A noção trazida por Capgras nos conduz, então, ao cerne do que está em jogo nessa problemática, indicando ao mesmo tempo, por meio dessa referência à <em>agnosia</em>, um ponto de passagem na direção do que pode nos reter nos fenômenos mais circunscritos e segmentados que os neurologistas repertoriam e interrogam.</p>
<p>Efetivamente, toda agnosia é em sua base o que ele chama de agnosia de identificação, se ficamos atentos ao que destacam Hécaen e Angelergues ao falarem da perda de uma significação. E será preciso consequentemente determinar em cada caso, como indicamos, qual é a força motora da significação perdida, quais são aquelas que ela carrega consigo, enfim, se a perda é circunscrita ou se ela repercute sobre o próprio estatuto da significação para o sujeito.</p>
<p>Acrescentemos que, com relação à problemática que seguimos, a expressão de Capgras é igualmente apropriada por uma outra razão. De fato, mesmo enfatizando, no caso da Sra. de Rio-Branco, a questão da identificação no sentido <em>objetivo </em>na medida em que ela se distingue para ela, tratando-se de pessoas, do reconhecimento da <em>imagem</em>, a observação de Capgras e de Reboul-Lachaux realça vivamente o que nesse quadro se liga à questão da identificação na medida em que ela incide dessa vez <em>no próprio sujeito</em>. Em outros termos, essa observação nos mostra como a impossibilidade de identificar sob um nome uma imagem por outro lado <em>reconhecida</em><a href="#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a> se acha estreitamente ligada clinicamente nesse caso a um impasse da identificação subjetiva, entendida como impossibilidade para o sujeito de ser identificado.</p>
<p>Esse segundo aspecto da questão da identificação não é explicitado como tal por Capgras. Mas ele está, no entanto, presente bem no primeiro plano, se considerarmos o conjunto de notas que nessa observação se ligam ao problema do <em>nome próprio</em>. Basta se remeter ao seu resumo, e sublinhamos isso em nosso comentário, para constatar o quanto os autores insistem nesse impasse, realçando a multiplicidade dos nomes próprios nas falas da doente, e em primeiro lugar dos que a designam; o quanto eles apoiam suficientemente nisso as ocorrências e a tensão para identificar porque se encontra aí destacado um ponto eletivo de desmoronamento simbólico para o sujeito.<u>  </u></p>
<p>Courbon com Fail, depois com Tusques, aliás não se enganaram quanto a isso, pois podemos considerar que é a partir desse ponto de partição realçado na clínica, senão na doutrina, entre <em>reconhecimento da imagem</em> e <em>identificação do nome</em>, que eles encontraram o crivo que lhes permitiu isolar a síndrome de Frégoli, e depois a síndrome de intermetamorfose, enfim, produzir o conceito de identificação delirante.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> NT. Traduzido do original <em>Le Nom, L’Image, l’Objet</em>, de Stéfane Thibierge, ed. <em>Presses Universitaires de France</em>, abril 2011, Paris, p. 155-167.</p>
<p>Tradução: Juliana Castro Arantes</p>
<p>Revisão: Sergio Rezende</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> <em>La Cecité psychique, op. Cit</em>., em particular p. 9 a 27.</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> “É evidente, escrevem eles, que só se pode falar de agnosia se o sujeito tem a possibilidade de apreender visualmente o objeto. Em todos os casos, um estudo preciso da função visual primária se impõe então. Igualmente, convém em todos os casos assegurar-se [&#8230;] de que não existe uma alteração da inteligência ou da vigilância que impeça qualquer reconhecimento” (C.P., p.31).</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Esse transtorno do reconhecimento, lembram eles, foi inicialmente chamado de <em>assimbolia</em> por Finkelnburg (1870), que traduzia assim a perda do reconhecimento das pessoas e dos lugares que ele tinha observado em um doente. Mas foi de Wernicke que o termo recebeu sua elaboração mais desenvolvida: “é a Wernicke que devemos a primeira concepção muito elaborada da assimbolia, que não designa apenas a perda do reconhecimento óptico, mas a própria noção do objeto; os doentes veem, já que evitam os obstáculos, ouvem, como traduz a expressão de seu rosto, exploram manualmente os objetos com movimentos apropriados, mas as impressões que eles retiram dessas diversas sensações permanecem inúteis e eles não reconhecem os objetos”(<em>C.P.</em> p. 10). Os autores lembram em seguida a origem do termo <em>cegueira psíquica</em>, devido a Munk, que o inventou em 1876 para dar conta de uma experiência praticada em um cão que tinha sofrido “a ablação de uma zona de mais ou menos um centímetro e meio de diâmetro na substância cinzenta da parte superior e posterior da ponta dos dois lobos occipitais”. Esse cão se comportava como se sua motricidade e sua sensibilidade estivessem indenes, ficando indiferente ao que distinguia ali, não notando nem reconhecendo mais nada. Munk deduziu daí, de maneira muito mecanicista, uma distinção entre uma zona da percepção visual e uma zona da representação dessa percepção inicial, apenas esta estando comprometida no cão da experiência. As concepções de Munk foram criticadas na sequência no curso de um debate que evoluiu esquematicamente entre, de um lado, os defensores de um associacionismo localizador, vivamente criticado por Bergson na filosofia e por von Monakow na clínica, e, de outro lado, as teses da <em>Gestalttheorie</em>, tais como elas foram especialmente tornadas célebres e muito discutidas na sequência da publicação do caso Schn&#8230; de Gelb e Goldstein. Hécaen e Angelergues destacam dessa discussão os termos principais através dos quais o problema da cegueira psíquica tornou-se progressivamente o da agnosia óptica e de suas diferentes formas: agnosias espaciais, transtornos do reconhecimento das cores, agnosia para os objetos e as imagens, agnosias para as fisionomias (prosopagnosia). Eles lembram que foi Freud quem substituiu o termo assimbolia por <em>agnosia</em>, mais apropriado segundo ele para traduzir “a dissolução da relação entre as qualidades do objeto e seu conceito”. Freud se explica sobre isso no final de seu livro sobre a afasia, de 1891: “Recorri à denominação assimbolia num sentido diferente do usual desde Finkelnburg, já que a relação entre a representação de palavra e a representação de objeto me parece merecer mais o título de “simbólica” do que aquela existente entre um objeto e uma representação de objeto. Os transtornos do reconhecimento dos objetos que Finkelnburg reúne sob o termo assimbolia, eu proporia chama-los de <em>agnosia</em>” (<em>Contribution à la conception des aphasies</em>, Paris, PUF, p.128).</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> <em>C.P.</em>, p. 32-33.</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Acrescentemos que a significação desses fenômenos ainda continua incompleta e abstrata se não leva em conta o fato de que eles só aparecem e são descritíveis em resposta à demanda de um outro – mais frequentemente o médico ou o pesquisador que interroga. Essa demanda não é exterior ao quadro. Ela, ao contrário, orienta seu sentido, de modo que podemos dizer que a caracterização dos transtornos, tais como o sujeito os manifesta e os descreve, e em particular a angústia que pode acompanha-los, remetem, a um só tempo, a um déficit objetivamente constatável e à maneira pela qual esse déficit é recebido pelo sujeito em resposta a essa demanda. Ela está, então, diretamente implicada naquilo que o sujeito fracassa em reconhecer: não se trata apenas de seu déficit, mas também da opacidade em que esse déficit o coloca em relação ao que o outro espera dele.</p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> <em>C.P.</em>, p. 168-169.</p>
<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> <em>C.P.</em>, p. 169.</p>
<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> <em>Ibid.</em>, p. 170-171.</p>
<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Ela, aliás, aparece no livro imediatamente antes de um desenvolvimento consagrado às teses de Wallon sobre a passagem na criança da atividade sensório-motora à significação, às de Piaget sobre o esquematismo e o acesso progressivo à objetividade, bem como aos trabalhos de Spitz sobre a noção de relação de objeto: cf. p. 171 <em>sq</em>.</p>
<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> <em>C.P.</em>, p. 194.</p>
<p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Cf. <em>op. Cit.</em>, p. 49 <em>sq</em>, onde o caso do Sr. B. é desenvolvido de maneira mais detalhada. Ele foi hospitalizado por recente baixa brutal da acuidade visual com perda da visão das cores. Ele descreve o acidente assim: “eu estava saindo no corredor e bruscamente tive um véu diante dos olhos; ao olhar peixes, eu via sua forma, mas eram corpos negros, eu não fazia mais a distinção entre o branco e o vermelho da toalha da mesa. Eu fazia a diferença entre um homem e uma mulher de uma calçada para a outra, mas eu não reconhecia um rosto conhecido, um colega, tomei minha sobrinha por minha mulher”. Secundariamente, a acuidade visual foi um pouco readquirida. Depois, “de repente o doente manifesta no serviço, além de uma impossibilidade quase completa de identificar as cores, uma dificuldade acentuada em reconhecer as pessoas. Ele se queixa de não poder diferenciar as fisionomias dos outros doentes e do pessoal e só chega à identificação pelo ar geral, a roupa, o andar e sobretudo pela voz”.</p>
<p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> Veremos na sequência (cap. 3) que essa distinção não é mais sempre sustentada hoje em dia numa abordagem neurobiológica da psiquiatria.</p>
<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> Nesse último caso, é preciso acrescentar, e nós logo daremos exemplos clínicos disso, que um comprometimento mesmo local da significação vai determinar num sujeito um remanejamento da relação com a imagem especular e, consequentemente, da subjetividade. É o que Lacan ressaltou desde 1949, em “Formulações sobre a causalidade psíquica”, comentando o artigo clássico de Gelb e Goldstein: Goldstein, K., &amp; Gelb, A., 1918, “Psychologische Analysen hirnpathologischer Falle auf Grund von Untersuchungen Hirnverletzer”, <em>Zeitschrift fur die gesamte Neurologie und Psychiatrie</em>, 41, 1-142. Isso decorre do que admitimos na introdução da função primordial dessa imagem na instalação das coordenadas do reconhecimento e do que vai constituir de maneira geral o registro do sentido para o sujeito. Mas veremos que encontramos confirmações importantes disso na clínica. Esse remanejamento pode tomar diversas formas, sem excluir soluções de natureza delirante. Nesse caso, uma ideia delirante surgida no decurso de lesões neurológicas não assinala necessariamente uma psicose, mas pode resultar dessa relação remanejada com a imagem especular.</p>
<p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> Na verdade, esse reconhecimento não é sem apresentar uma certa labilidade, como vimos: certos detalhes mudam, nunca é exatamente a mesma imagem. É por isso que o campo do reconhecimento também está comprometido. E é também por isso que podemos colocar a questão: o que é que o sujeito identifica nesse caso, que torna impossível a identificação da imagem, e lábeis os traços que permitem seu reconhecimento.</p>
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		<title>Novos estudos sobre a Histeria &#8211; Prefácio</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/sem-categoria/novos-estudos-sobre-a-histeria-prefacio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tempo Freudiano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Feb 2018 14:37:42 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="page" title="Page 15">
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<p>Escolher publicar atualmente o seminário dos <i>Novos estudos sobre a histeria, </i>em edição de bolso<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, é responder ao voto de Charles Melman de oferecer ao seu público preferido, o dos estudantes e dos jovens analistas, um acesso ao que pensamos ser um texto maior da clínica psicanalítica.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Ainda que mais abordável do que o livro publicado por Clims em 1984, esse texto continua sendo um instrumento de trabalho difícil. Seu autor o situa como uma investigação ligada ao tempo de sua enunciação e aberta a desenvolvimentos ulteriores. Não estaria ele modestamente convidando seus ouvintes a darem prosseguimento a esta pesquisa?<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Trata-se aqui de seu primeiro seminário, antes que ele fundasse a <i>Association freudienne</i>. Ele manifestava ali seu desejo de transmitir o que carregava em si de Freud e de Lacan, de quem foi um colaborador muito próximo. Ele trazia o mesmo ardor deste último em formar rigorosamente os futuros analistas.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>No período tumultuado que se seguiu à dissolução da <i>École freudienne de Paris </i>e à morte de Jacques Lacan – período tumultuado pelas querelas que turvavam as referências, e muito particularmente para os jovens –, pôr a trabalhar os textos de clínica era a única via capaz de fixar os espíritos e dar corpo a um recomeço.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Pouco importavam as condições precárias da organização. A partir de abril de 1982, a sala Chaslin, na Salpêtrière, entulhada de mesas, colchões de refugo e algumas cadeiras, se tornou – graças ao crédito dado a Charles Melman pelo professor Duché e por nosso amigo professor Basquin – o lugar escolhido, investido com entusiasmo e mesmo com certa avidez pelos ouvintes.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>No regresso de outubro, o número de candidatos tendo aumentado consideravelmente, Charles Melman obteve a sala Magnan, emblemática pelo fato de que Lacan fazia ali suas apresentações de pacientes. Foi ali, aliás, que elas foram restabelecidas desde a fundação da <i>Association freudienne</i>, em junho de 1982. Conduzidas alternadamente por Charles Melman e Marcel Czermak, elas re-enodaram, assim, de saída, o que Lacan tinha iniciado e considerava como um ensino maior para a clínica analítica.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Mas voltemos a esta publicação de <i>Novos estudos sobre a histeria</i>, “novos”, já que retomam o título – e não somente ele – do livro que Freud publicou com Breuer em 1895: o conteúdo desse livro e de muitas outras investigações de Freud, o caso Dora, Schreber, a <i>Traumdeutung</i>, o <i>manuscrito G</i>, por exemplo, dão a Charles Melman a trama de seu seminário. Uma verdadeira navegação através de Freud, se não falarmos de lavramento, se podemos tomar esta metáfora para ressaltar o que, dos fundamentos freudianos da histeria, a saber, a ênfase no desejo sexual e seu recalque, permitirá a Charles Melman fabricar uma nova tessitura.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Em um texto de 1973, extraído das <i>Lettres de l’École freudienne de Paris </i>(que se encontrará no anexo), Charles Melman ressalta que Freud não deu prosseguimento à sua investigação no sentido de suas primeiras descobertas: que ele foi sensível à dimensão da palavra e particularmente à sua ausência, isto é, ao mutismo eventual das histéricas. Esse texto é praticamente contemporâneo do seminário <i>Mais, ainda</i>, que retoma os “Quatro discursos”. Uma das novidades desses <i>Novos estudos</i>, dez anos depois de <i>Mais, ainda</i>, é o apoio, precisamente, em um destes discursos, o da histérica, que evidencia o lugar das expressões linguageiras das pacientes em relação à sexualidade, lugar que estabelece então a prevalência da palavra sobre o sexual, sem, no entanto, minorá-lo. É um deslocamento notável em relação a Freud.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Atento ao que a linguagem veicula, tanto nas mulheres quanto nos histéricos masculinos, Charles Melman alimenta seu ensino, ligando-se a um só tempo aos traços constantes e às modificações conjunturais, sensíveis na sociedade dos anos 1980, e à sua influência sobre cada um. Do mesmo modo, na sequência, podemos notar em seus textos o quanto ele segue essa evolução contínua dos sinais clínicos da histeria e traz elementos novos&#8230; Ele mostra assim que esta neurose é mais complexa do que pensava Freud.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Há mais. É fato que Lacan não fez um estudo longitudinal da histeria, mas este livro prossegue o ensino lacaniano. Charles Melman desenvolve a economia da histeria, insiste na distinção da posição histérica em relação à da feminilidade, no polimorfismo da histeria, e traz uma contribuição considerável sobre a histeria masculina. Ele esclarece os critérios diferenciais entre a histeria e as outras patologias neuróticas e psicóticas.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Seguindo Lacan, ele se apoia na oposição entre S<sub>1</sub> e S<sub>2</sub>, fazendo valer sua articulação não apenas intersubjetiva, mas também intrassubjetiva.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Ele introduz conceitos retomados de Aristóteles e dos escolásticos, que não são utilizados habitualmente, tais como a abaliedade e a asseidade. Estes conceitos, aliás, não parecem ter sido desenvolvidos ulteriormente. No entanto, a abaliedade, essa dependência do Outro que Charles Melman situa como uma fase, evoca o que diz Lacan, retomado frequentemente por Jean Bergès: “O simbólico é primeiro”, antes mesmo do estádio do espelho, e isto não é sem consequências clínicas.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Charles Melman realça com insistência a contribuição lacaniana da insatisfação na histérica como seu sintoma específico e como motor da sua resistência no tratamento. E, partindo da questão: “Curamo-nos da histeria?”, ele responde de modo um pouco evasivo em razão dessa própria resistência, deixando entretanto uma esperança fundada na qualidade do analista!<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Este livro é um estudo apaixonante da clínica histérica, extremamente detalhado, erudito, e a enumeração acima negligencia muitas contribuições essenciais que serão descobertas na leitura aprofundada e dialética desta obra, importante como são os outros seminários de Charles Melman, a quem devemos um ensino psicanalítico fundamental.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p style="text-align: right;"><i>Denise Sainte Fare Garnot<span class="Apple-converted-space"> </span></i></p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a>Em francês, o Seminário aqui traduzido foi publicado em formato de edição de bolso pela editora Érès.</p>
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