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	<title>Louis Sciara &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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	<description>O Tempo Freudiano é uma associação de psicanalistas, fundada em abril de 1998, no Rio de Janeiro.</description>
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	<title>Louis Sciara &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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		<title>A questão do “sujeito” psicótico</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/a-questao-do-sujeito-psicotico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Louis Sciara]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2015 18:11:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[A questão do “sujeito” psicótico: uma precondição ética à abordagem da transferência nas psicoses]]></category>
		<category><![CDATA[Louis Sciara]]></category>
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					<description><![CDATA[Pela profusão das manifestações no Real que os atravessam, os psicóticos têm essa especificidade de revelar aos neuróticos estupefatos que é mesmo a clínica do objeto que guia a estrutura. Em conseqüência, não é tão simples abordar a questão da transferência nas psicoses pela noção de “sujeito”. Que ela suscite precisões, observações, que ela comporte certos enigmas, não a torna menos essencial no plano ético para o clínico, particularmente em sua maneira de se implicar, ou melhor, de se ver implicado num dispositivo transferencial singular a cada paciente psicótico.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: left;">Uma preliminar ética na abordagem da transferência nas psicoses</h3>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;"><em>Louis Sciara</em></p>
<p>Pela profusão das manifestações no Real que os atravessam, os psicóticos têm essa especificidade de revelar aos neuróticos estupefatos que é mesmo a clínica do objeto que guia a estrutura. Em conseqüência, não é tão simples abordar a questão da transferência nas psicoses pela noção de “sujeito”. Que ela suscite precisões, observações, que ela comporte certos enigmas, não a torna menos essencial no plano ético para o clínico, particularmente em sua maneira de se implicar, ou melhor, de se ver implicado num dispositivo transferencial singular a cada paciente psicótico.</p>
<p>Quem fala? Quem fala a quem? Há mesmo um endereçamento no que é enunciado? Essas questões tão recorrentes na clínica e na vida cotidiana tornam-se caricaturais na transferência quando o clínico empresta seu ouvido a certos pacientes psicóticos, bem especialmente aqueles submetidos a um automatismo mental franco e massivo. Nesses casos, o clínico se pergunta fundamentalmente com que sujeito ele lida. No entanto, inúmeros pacientes psicóticos manejam uma linguagem que não é tão mecânica, nem redundante, eles interpelam mais o clínico nesse questionamento. Para responder a essas interrogações, a precondição é distinguir, nuançar, as noções de sujeito, subjetividade, subjetivação, posição subjetiva, a fim de avaliar melhor a heterogeneidade das estruturas clínicas, aquelas que passaram pelo desfiladeiro humilhante da castração, aquelas que a foracluiram, e de seu determinismo na instauração, no desenrolar, nos limites do processo transferencial.</p>
<p>De uma maneira geral e sem dúvida algo esquemática, não me parece possível falar de subjetividade para os <em>falasseres</em> psicóticos. Empregarei preferencialmente o termo subjetivação, no sentido em que há significantes puros, representantes, que ressoam, se agenciam, se tecem eventualmente uns aos outros, dando lugar algumas vezes a construções diversas: esboços delirantes, até mesmo, nas psicoses paranóicas, delírios articulados em torno do que se convencionou chamar de uma metáfora delirante, chegando às vezes ao extremo de uma cristalização que lhes confere uma estabilidade, uma forma de “cura”, para retomar a palavra de Freud.</p>
<p>Entendo por subjetividade os efeitos linguageiros que resultam da divisão subjetiva no sujeito neurótico. A saber, o que traduz um duplo registro:</p>
<p>&#8211; o da incidência da castração, que o institui como sujeito dividido, no sentido em que ele é levado pela cadeia significante, que ele advém de uma evanescência significante que o submete a ser representado por um significante para um outro significante, de maneira quase automática, isto é, sem que ele seja vetor de sua própria jactância. Nesse sentido, ele é mais falado do que fala&#8230; o que remete também à relação com a palavra e com a linguagem do psicótico.</p>
<p>&#8211; o da responsabilidade do sujeito de circunscrever a esses significantes primordiais, e não a outros, seu deslizamento<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> significante próprio, fazendo-se assim de algum modo parte integrante das conseqüências do recorte, da perda de gozo que concerne a seu corpo, ou seja, do objeto que o singulariza como sujeito, o guia em sua fantasia e causa seu desejo.</p>
<p>A subjetividade concerne <em>in fine</em> ao deslizamento significante próprio a um sujeito, a sua maneira de falar e de se inscrever num discurso, à escansão pulsional de sua enunciação, às modalidades de implicação de seu corpo, ao manejo do “eu”, à presença egóica, ao conjunto que se inscreve na relação com o Outro. Afirmarei, por um lado, que a subjetividade está estreitamente ligada para o neurótico a seu sintoma, sua marca individual por excelência, e por outro lado que é o enodamento subjetividade/sintoma que molda sua posição subjetiva como efeito do corte que o inscreve como sujeito da enunciação.</p>
<p>Desse segundo registro, deduz-se que o <em>falasser</em> psicótico não é um sujeito dividido, já que está fora do recorte, fora da perda de gozo. Assim, não se pode atribuir-lhe a mesma responsabilidade de sujeito. E mesmo que não seja tão seguro que ele seja representado por um significante para um outro significante &#8211; com a condição de interrogar o estatuto do significante no campo psicótico -, de modo algum sua relação com o Outro é marcada pela castração, o Outro sendo ele mesmo não castrado na psicose, o que traz todo tipo de conseqüências: nenhuma perda que engendre uma lógica simbólica do desejo subentendido por uma fantasia primordial que orienta a vida inconsciente, uma hipocondria do corpo que não obedece às determinações fálicas da função da representação, uma desespecificação pulsional ou pelo menos um acoplamento problemático dos diversos registros pulsionais, uma relação com a linguagem que testemunha uma foraclusão do Outro, o que não significa que não haja um lugar do Outro para a imensa maioria dos <em>falasseres </em>psicóticos, já que muito poucos não têm acesso à linguagem&#8230;.</p>
<p>Do que se trata então na “roupagem” linguageira de um paciente psicótico entregue a uma automaticidade? Em primeiro lugar, é preciso constatar que ele tem acesso ao significante, e até mesmo que todo significante não é reduzido ao signo. A subjetivação que ele exprime também é limitada. Ela provém de um tipo de vestimenta linguageira estereotipada que muitas vezes cola na gramaticalidade da língua, aliás sem que haja forçosamente neologismos ou distorções sintáticas. Isso não pode deixar de questionar o clínico sobre o que é possível supor-lhe como capacidades para serem usadas de uma palavra que o sustente, na medida em que ele não pode se apoiar num discurso. Que o clínico esteja advertido disso, que ele detecte aí subjetivação e não uma subjetividade, não deve eximi-lo de sustentar uma posição ética; a de fazer a hipótese de que há sujeito em cada paciente, psicótico ou não, esteja ele sob o efeito de um automatismo mental maior ou mínimo, isto é, que ele seja mais ou menos falado do que fale. Sem contar que, num registro psicótico mais estruturado, a hipótese se acha reforçada, pois como não interrogar o estatuto desse “sujeito” que fala, que maneja muito bem o verbo, sem distúrbio linguageiro?</p>
<p>Que o sujeito não tenha o mesmo estatuto nas psicoses, que ele não seja dividido, que ele não seja o sujeito da enunciação, não permite que se desrespeite essa ética. Marcel Czermak emprega muitas vezes a expressão “talo<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> de sujeito” para <em>falasseres</em> psicóticos, justamente para fazer valer – me parece – que ele supõe que há sujeito psicótico, sempre lembrando que, em certos quadros clínicos, a tendência é para a morte do sujeito, justamente para o engolfamento desse “talo” que até então o protegia da morte subjetiva. Em todo caso, trata-se a meu ver especialmente desses pacientes que apresentam as formas mais deficitárias da psicose, digamos no registro das esquizofrenias, até mesmo das parafrenias, que nos convidam a colocar a questão do sujeito nas psicoses como uma necessidade ética. Esta última repousa na disposição do clínico a se incluir ou, antes, a se ver incluído na transferência, sendo designado aí a um lugar enigmático, na maioria das vezes a sua revelia, tendo mesmo assim o dever de tentar situá-lo.</p>
<p>Uma vez posta essa questão do “sujeito” psicótico em sua complexidade e seu fundamento ético, é importante retornar ao quadro transferencial no qual a palavra de um “sujeito” psicótico se inscreve. As modalidades transferenciais são heterogêneas àquelas da neurose: nem disparidade de lugares, nem sujeito suposto saber, nem Outro barrado. É também fundamental lembrar a importância e o impacto da automaticidade linguageira em toda psicose, sempre ressaltando que ela não é, justamente, da ordem da repetição. De Clérambault faz menção a isso, que permanece como uma indicação estrutural maior no plano da transferência, mesmo quando ela parece menos flagrante nas psicoses interpretativas. A ocorrência mais favorável, mais frequentemente nos casos de paranóias, é a de uma oscilação instável imaginária em que o paciente e o clínico se acham em simetria, em posições de pequenos outros. Isso não exclui momentos mais delicados em que um ou outro venha a ocupar um lugar Outro: disposições potencialmente mais propícias a fases deletérias, fecundas. Durante essas fases, o clínico deve dar prova de vigilância em relação a uma eventual passagem ao ato de seu paciente em sua direção, mas também diante de seu paciente suscetível a uma grave descompensação. São esses períodos delicados da transferência que colocam o clínico numa posição de Outro real que faz Um, que sabe, que persegue, que maneja as cordas, ou que ama realmente.</p>
<p>Como entender e analisar a subjetivação que vem à luz na transferência? Ela comporta a meu ver duas abas principais, de importâncias desiguais conforme o caso, eminentemente intricadas e que se reforçam uma à outra:</p>
<p>&#8211; a da atividade delirante quando ela está estabelecida: delírio cristalizado, delírio inscrito de saída a partir de um “postulado fundamental”, delírio que se constrói às custas de remanejamentos perpétuos ou ainda por fragmentos de idéias delirantes que não adquirem verdadeiramente consistência, deixando o <em>falasser</em> numa certa flutuação, numa ausência de sustentação que o faz sofrer. Essa atividade é mais ou menos infiltrada por todo tipo de fenômenos elementares que a moldam e enriquecem.</p>
<p>&#8211; a da automaticidade linguageira que se apóia numa gramaticalidade da língua. Entendo isso como um certo respeito da organização, da sintaxe, da “música” da língua que, curiosamente, misteriosamente, faz sua função. Ela parece advir de uma lógica <em>sui generis</em> própria a cada língua.</p>
<p>Essa automaticidade linguageira se apóia numa rede significante que não está forçosamente colada ao deslizamento<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> da metáfora delirante em questão. Isso pode permitir esclarecer, retroativamente, esses casos de “delírio parcial”, bem conhecidos dos alienistas de outrora, que mantêm grandes capacidades de manejo dos significantes, com a condição de que eles não estejam ligados ao núcleo focalizado de seu delírio, colocando também em evidência que a variedade de quadros clínicos de psicoses está correlacionada à extensão maior ou menor dos efeitos da foraclusão do Nome-do-Pai.</p>
<p>Quero enfatizar, nessa lógica implacável da transferência psicótica, a segunda aba, a da sujeição própria à automaticidade. Como é que ela infiltraria, influenciaria os laços transferenciais? Não participaria ela de uma subjetivação singular ao “sujeito” concernido, pelo viés de um desfiar de puros significantes, que são capazes de impor um conjunto de significações: algumas próprias a alimentar a tessitura delirante do “sujeito, se essa tessitura existe, outras contribuindo para manter o dito sujeito num discurso corrente que cria ilusão e lhes concede um lugar possível no laço com o outro e mesmo no laço social?</p>
<p>A questão é então saber em que o clínico na transferência seria parte integrante dessa subjetivação e em que ele poderia se prestar para proteger o quadro do espaço da transferência. Se parece oportuno que o clínico deva se abster de destilar interpretações intempestivas, fontes inevitáveis de catástrofes subjetivas, não deveria ele sobretudo contribuir para deixar ao “sujeito” psicótico a possibilidade de expor e se apoderar disso que o “fala” a sua revelia, apostando assim nas aptidões potenciais do paciente para se virar com isso? Acontece também que o clínico venha a indicar em sua fala limites que visam a que o paciente não se perca, a fim de que ele não padeça dos efeitos devastadores demais disso que ele restitui em sua subjetivação. A subjetivação, mesmo reduzida ao que se desdobra de uma automaticidade linguageira, justifica, no plano transferencial, uma hipótese, por assim dizer uma aposta. Ela supõe que haja “sujeito” que tenha podido advir ou que poderia advir em casos de psicose em que não há vestígio evidente de “talo” de sujeito. É também uma dinâmica que dá conta de um “trabalho” que pode ser espontâneo e não apenas transferencial, de uma tessitura de significantes de uma construção em curso, não acabada, sempre em movimento, a exemplo de uma “tentativa de cura” que não tem visada de constituição de uma trama delirante.</p>
<p>A “subjetivação” traduziria seja como for uma colocação em circulação de puros significantes, mas que não são reduzidos a signos; o que designa algo para alguém, a entender então como uma mensagem real que atribui uma “significação pessoal”, a exemplo de um fenômeno elementar que não dá lugar ao menor distanciamento de leitura, à menor dialética. Em sua aba de automaticidade, estes significantes em circulação não seriam correlatos, assujeitados diretamente aos significantes primordiais que tocariam a questão paterna.</p>
<p>Coloca-se também a questão do lugar da palavra. Não se trata daquele que o sujeito neurótico vem habitar no Outro pelo fato da castração que fixa as condições de sua emergência, inclusive intermediando o aluguel do sintoma que ele deveria pagar em troca – como metaforiza Charles Melman. Trata-se de um lugar enigmático pelo fato da foraclusão do Outro, de um Outro não barrado, mas sem que por isso o Outro como lugar esteja ausente, pois os psicóticos têm, na maioria das vezes, acesso<br />
à linguagem. É um enigma esse lugar do enunciado mais do que da enunciação, do signo mais do que do significante, mas também o das significações inteiramente pessoais.</p>
<p>Precisar mais essas interrogações a propósito da subjetivação e do lugar não é simples. Ainda menos simples porque a clínica das psicoses é polimorfa. A questão do sujeito psicótico não se coloca da mesma maneira conforme o tipo de psicose, nem que seja em relação às diversas vicissitudes ligadas à fase do espelho e, portanto, ao imaginário especular, mesmo truncado, que dela resulta: paranóias, esquizofrenias, delírios de imaginação ou psicoses maníaco-depressivas. É possível tentar isolar especificidades na transferência segundo uma tipologia. É no entanto fácil constatar na experiência clínica que, mesmo se o paranóico, por sua consistência egóica, sua atividade delirante, parece mais inclinado a se prestar à transferência e a desenvolver uma certa elaboração, nem sempre é assim. Alguns exemplos clínicos podem iluminar minha fala.</p>
<p>Assim, considerando que as psicoses passionais façam parte do campo das paranóias, de que “sujeito” se trataria no passional? O “postulado fundamental” que o guia daria lugar apenas a uma subjetivação qualquer num contexto em que a automaticidade linguageira não é preponderante e levando em conta o fato de que o “trabalho” do delírio parece quase inexistente, de tal modo ele está fixado numa cristalização delirante que se funda no “postulado fundamental”? No entanto, há casos sob transferência que podem surpreender, como se um esboço dialético pudesse se estabelecer, apoiando-se em oscilações do delírio que surpreendem até o clínico. É bem verdade que se trata muitas vezes de pacientes que atravessam um período fecundo passional, mas que não sofrem de uma psicose passional declarada, enquistada e inabalável.</p>
<p>Outro exemplo: o de pacientes muito mais deficitários, esquizofrênicos em situação grave, sem apoio que os sustente, sem nem mesmo fenômenos de vozes que possam lhes dar um lugar, sem delírio constituído, interpelados o tempo todo pela hipocondria de seus corpos. Para alguns surgem possibilidades de “subjetivação” insuspeitadas, muitas vezes após anos de acompanhamento e ao preço de um respeito por sua reticência. Para estes, um acompanhamento e um tratamento médico em paralelo são em geral indispensáveis. Na minha experiência pessoal, incitá-los a escrever o que os atravessa pode facilitar uma certa elaboração, suscitando uma tessitura pela escrita que apóia pouco a pouco um trabalho de palavra, uma subjetivação cujo componente automático permanece maior.</p>
<p>Como não insistir também na transferência numa relação com o Real mais direta por não ser metaforizada, não amortecida por um sintoma, não ordenada pela fantasia? Isto pode ter conseqüências extremas quanto a esse lugar enigmático e a essa “subjetivação” em certas psicoses, por ocasião de momentos fecundos que concernem a diversas formas clínicas de psicose. São esses psicóticos entregues ao objeto real que os fala, os guia, os olha, os aspira, varrendo e até mesmo erradicando o talo de sujeito que os fazia manterem-se até então. Certamente a alucinação verbal designa e assegura ao menos um lugar mínimo, mas se o <em>falasser</em> em questão sofre seu desdobramento e sua intrusão permanentes isso pode reduzir, para não dizer aniquilar o lugar mínimo que ele tinha assim se arranjado.</p>
<p>Outras ocorrências são esses pacientes submetidos à ducha escocesa de um Real  que se desencadeia e os escraviza, e que aprendem pelo viés de seu trabalho de palavra com o clínico a resistir à catástrofe, a conter a avalanche de signos que lhes cai em cima, desarmando-os por, eu poderia dizer, “contra-signos”. Eles não deixam de perceber, sempre um pouco mais, de que modo eles se veem abocanhados por tudo que se apresenta a eles e lhes faz signo. Embora continuando a gozar de se fazer o objeto de eleição do Outro, eles podem chegar a largar um pouco de seu gozo por uma subjetivação que, sem contradizer seu delírio, os defasa dele graças a esses contra-signos que podem emergir por meio da transferência e não sem se enodar a certos significantes enunciados pelo clínico.</p>
<p>Todos esses exemplos de subjetivação não podem deixar de interrogar os clínicos sobre o lugar que eles vêm ocupar e sobre a função de suplência que recai neles no decorrer do que se enoda na transferência. Acontece que essa dita subjetivação só é analisável caso a caso. Eu quis enfatizar o fato de que é preciso levar em consideração como uma necessidade ética a questão tão complexa do “sujeito” psicótico. Ela é ostensível na transferência a partir do momento em que o clínico busca ouvir a palavra do paciente psicótico que o interpela, nem que seja porque na maioria dos casos todo significante não se reduz ao signo, o que faz com que haja unívoco mas não apenas unívoco, mesmo se existem pessoas psicóticas que são verdadeiros autômatos, cabides, como diz Czermak, puros invólucros.</p>
<p>Não há também que se iludir sobre a transferência psicótica psicologizando-a, fazendo dela um trabalho de compaixão, de intuição clínica. Pode haver aí um <em>savoir-faire</em>, uma experiência, mas isso não basta. A surpresa, mais do que exceção, é a regra. As coerções impostas pela estrutura psicótica são tais que o praticável é reduzido. Na maioria das vezes nós tateamos. No entanto, não fazer a hipótese, não supor capacidades de “subjetivação”, é não dar mais crédito à palavra. Ora, a formação atual dos jovens “psis” desacredita a palavra dos psicóticos, reduzindo-a a um não-senso, a signos, a itens, a um determinismo biológico, genético. Mesmo se Freud não era nada otimista quanto à fundamentação do tratamento dos psicóticos, o encaminhamento de Lacan, desde o “tratamento possível” até o “<em>sinthome</em>” abriu perspectivas para refletir justamente sobre o praticável, mas nos limites do que a estrutura psicótica impõe e com a condição de não se confinar numa lógica do todo fálico.</p>
<p>Sublinhar essa “necessidade ética” de fazer a hipótese do sujeito – certamente não dividido – caso a caso, impõe-se para apreender o que se elabora, quando é possível, na transferência psicótica e para opor um discurso que faça contrapeso à evolução comportamentalista e biologizante da clínica. Sem no entanto cair num ativismo psicanalítico que colocaria em perigo <em>falasseres</em> que resistem mal à transferência, como Marcel Czermak ressalta. Apesar disso, a palavra deles, mesmo sem subjetividade, conta.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> NT – No original, <em>erre</em>, distância que um barco ainda percorre após o desligamento do motor de propulsão.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> NT – No original, <em>trognon</em>, parte de uma fruta que resta após o consumo de sua polpa, talo de uma folha de verdura, sabugo do milho, etc. Na forma <em>mon petit trognon</em> é uma expressão carinhosa de tratamento.</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> NT – No original, <em>erre</em>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A questão da transferência nas paranóias</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Louis Sciara]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2015 18:04:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[A questão da transferência nas paranóias]]></category>
		<category><![CDATA[Louis Sciara]]></category>
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					<description><![CDATA[Louis Sciara – 17/06/2005 Há vários anos, analista debutante, recebo em meu consultório uma mulher, com sintomas de aparência neurótica, que formula uma demanda de análise. Depois de algumas entrevistas preliminares, resolvo deitá-la, considerando que as condições de sua demanda estavam reunidas. Depois de algumas sessões, desencadeia-se um delírio com dupla vertente, erotomaníaca e persecutória,  [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Louis Sciara – 17/06/2005</p>
<p>Há vários anos, analista debutante, recebo em meu consultório uma mulher, com sintomas de aparência neurótica, que formula uma demanda de análise. Depois de algumas entrevistas preliminares, resolvo deitá-la, considerando que as condições de sua demanda estavam reunidas. Depois de algumas sessões, desencadeia-se um delírio com dupla vertente, erotomaníaca e persecutória, no momento em que ela faz alusão a uma operação de apendicite na adolescência.</p>
<p>A ablação, ou seja, a retirada do apêndice, é evocada como uma manipulação sexual e uma privação real da parte do cirurgião. O tratamento no divã, nas mãos do psicanalista, submetido a ele, é revelador em sua subjetivação de uma nova manipulação e de um ardil sexual sobre o corpo real, já que, ao se desvelar pela palavra, ela se põe a nu numa nova operação&#8230; analítica agora.</p>
<p>Em outras palavras, essa paciente não resistiu à transferência: a mesma constelação significante (estar nas mãos de um operador numa situação “terapêutica”) desperta o que foi entendido pela paciente como uma privação real do falo (apêndice), e desencadeia no plano imaginário uma atividade delirante, ali onde, no simbólico, o referente (falo simbólico) não pode operar como falta na cadeia significante, na falta da castração.</p>
<p>Esse fragmento clínico introduz minha fala: o clínico nunca sabe <em>in initio</em> com quem ele lida, a quê ele aceita dar ouvidos, o que pode se desencadear. Daí a importância das entrevistas preliminares e a necessidade de estar “avisado” em relação ao que nos reúne hoje, a clínica das paranoias e mais amplamente a das psicoses.</p>
<p>O clínico aprende muito com as surpresas e os fracassos, inclusive com estes últimos, quando ele não comete nenhuma falta técnica. É sempre a estrutura do paciente que guia.</p>
<p>Psicanalista lida, então, com o Real em seu ato.</p>
<p>Cabe a ele situar suas manifestações (sintomas diversos da angústia, fenômenos psicossomáticos, <em>acting out</em> e/ou passagem ao ato, e especificamente, no caso das psicoses, os fenômenos elementares), ter uma leitura delas a mais esclarecida possível, no seio do dispositivo transferencial no qual ele é parte integrante e interessada. Vale lembrar que a clínica psicanalítica é uma clínica da transferência, da relação com o Outro.</p>
<p>Na proposição de 09/10/1967, endereçada aos psicanalistas de sua escola, J. Lacan coloca como exigência ética que o psicanalista não deve de modo algum autorizar-se, achar suficiente saber que não sabe nada, pois, escreve ele, “trata-se é do que ele deve saber”. E, eu acrescento, saber o particular das diferenças estruturais e, caso a caso, aquilo que poderia singularizar o falasser que se endereça a ele.</p>
<p>Trabalhando há alguns anos sobre a “transferência psicótica”, J.L. Ferretto e eu mesmo nos dedicamos a intervir em binômio, apoiando-nos ao mesmo tempo nas vicissitudes mas também naquilo que é às vezes “praticável” com os falasseres psicóticos.</p>
<p>À luz de nossas experiências clínicas, como restituir o trabalho clínico com eles? O que é que pode se especificar dessa transferência cujas coordenadas são radicalmente heterogêneas àquelas da transferência com neuróticos?</p>
<p>Será que o termo transferência pode ser arrolado?</p>
<p>Vamos emitir algumas opiniões sobre essas questões a partir de nossa prática, com “sujeitos” que estão no campo da paranóia, que hoje nos reúne.</p>
<p>Uma primeira baliza é preliminar: definir, mesmo de modo sucinto, o que esse campo recobre, em sua heterogeneidade e pluralidade, como aliás indica o título dessa jornada. Vamos nos referir aos registros psiquiátricos clássicos: delírios de interpretação (Sérieux e Capgras), paranoias sensitivas (Kretschmer), psicoses passionais (erotomania, delírios de reivindicação, delírio de ciúme).</p>
<p>Aproveito para fazer alguns lembretes essenciais:</p>
<p>Lacan, a exemplo de Freud, que para estabelecer uma clínica psicanalítica das psicoses se apoiou no caso Schreber e nos trabalhos de psiquiatras com os quais ele se comunicava, contribuiu durante toda sua elaboração para afinar a clínica da paranoia, fazendo dessa última, fiel a Freud, a pedra angular da clínica psicanalítica das psicoses. Na sequência de seu encaminhamento (sua tese, o estádio do espelho, “as estruturas freudianas das psicoses” e a “questão preliminar”, e mesmo nos seminários “<em>les non-dupes errent</em>”, “<em>RSI</em>”, “<em>le sinthome</em>”), ele se apoiou nos trabalhos dos psiquiatras clássicos como Kraepelin, Seglas, De Clérambault, Cotard&#8230; Vocês se lembram, no seminário sobre as psicoses, que ele se apoia e, no mesmo movimento, desmonta a definição <em>princeps</em> de Kraepelin: a de um paranoico coerente, implacável, lógico, espírito frio e esclarecido, maldoso em troca, em razão do que outros lhe fariam sofrer. Lacan desvela aí antes os efeitos de uma estrutura que certamente tem uma certa coesão, mas que não deve nos enganar sobre o fato de que ela é a própria estrutura de um automatismo linguageiro infernal, que mais submete o paranoico do que está disponível para ele, com se supunha até então.</p>
<p>A propósito de Schreber, Freud escrevia que lhe parecia “mais essencial conservar a paranoia como entidade clínica independente, a despeito do fato de que seu quadro clínico se complique tão frequentemente com traços esquizofrênicos”.</p>
<p>Na mesma perspectiva, Lacan propunha, na lição 1 das “estruturas freudianas das psicoses”, conservar “a maior extensão, a maior flexibilidade do nome paranoia”&#8230;, reconhecer “o caráter exemplar e significativo desse campo particular das psicoses” e “refazer uma classificação da paranoia em bases completamente novas”.</p>
<p>Assim, o campo analítico, e mais particularmente lacaniano da paranoia, sem se diluir numa extensão infinita, repousa numa acepção muito mais ampla do que, por exemplo, aquela mais clássica, dos psiquiatras franceses do fim do século 19 e do início do século 20. Com Lacan, a ênfase é colocada na estrutura, na co-variância dos fenômenos, na pluralidade das paranoias dentro de um mesmo campo. Ele não se atém ao mecanismo descritivo que seria específico do tipo de psicose crônica (falo aqui sobretudo da interpretação delirante), nem a sua temática.</p>
<p>Há uma questão fundamental em tudo isso: para além do fato de que a paranoia sempre permitiu uma elaboração analítica das psicoses, é preciso não esquecer que, na evolução contemporânea da psiquiatria, o lugar de destaque é dado à esquizofrenia, reduzindo a paranoia a um pormenor, a casos de delírio para os quais só importa a ingestão de psicotrópicos e a vigilância quanto ao risco de passagem ao ato. A etiqueta “paranoico”, sem ser ingênua quanto a sua potencial periculosidade, é frequentemente sinônimo de pacientes irrecuperáveis dos quais não é aconselhável aproximar-se demais, embora Freud e Lacan só tenham falado de trabalho analítico “possível” com paranoicos (Schreber, parafrênico ou paranoico?).</p>
<p>Guardemos simplesmente que poderíamos englobar no campo da paranoia qualquer falasser psicótico que desenvolve uma atividade delirante. Que ela se torne sistematizada, que ela faça “cristalização”, como escrevia Seglas, pode assegurar assim quanto a uma subjetivação que dá alguma estabilidade no plano clínico, acompanhando-se na maioria dos casos de outros fenômenos elementares (alucinações, distúrbios linguageiros <em>a minima</em>&#8230;). Para os melhores casos, a constituição de uma metáfora delirante é provavelmente o índice mais certo do que é “trabalhável” com um paranoico. Conforme o tipo de paranoia, há, apesar de tudo, uma grande disparidade. O postulado fundamental do psicótico passional permanece imutável, não oferecendo nenhuma possibilidade dialética, enquanto a sensitividade do Kretschmer se presta a um certo dialetizável nos momentos depressógenos.</p>
<p>De um ponto de vista analítico, há outros elementos maiores que incluem falasseres no campo das paranoias.</p>
<p>O primeiro concerne à questão do eu, a da imagem especular. Em seu seminário II (“o eu na teoria de Freud&#8230;”), Lacan precisava que, diferentemente da esquizofrenia, a paranoia está sempre em relação com a alienação imaginária do eu. As paranoias são psicoses egóicas.</p>
<p>Desde sua tese (« Sobre a psicose paranoica em suas relações com a personalidade”, 1932) até o seminário do “<em>sinthome</em>” (1975), Lacan destacou a personalidade do paranoico, ou seja, sua base egóica, afirmando afinal que a paranoia e a personalidade são uma única e mesma coisa.</p>
<p>Assim, o campo paranoico é o de uma certa consistência da personalidade.</p>
<p>Há um impacto inegável do estádio do espelho, que não se encontra no campo das psicoses não egóicas (as esquizofrenias, os delírios de imaginação e mais amplamente as parafrenias).</p>
<p>Que a constituição de um sujeito passe pela instalação da imagem especular, permite entender que o que Lacan chamava de <em>axa</em><a id="footup1" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/?cod=78#footdown1" name="footup1"> <sup>1</sup> </a>imaginário – eixo aa’ -, ou seja, a maneira pela qual um sujeito pode se representar por seu eu apoiando-se na imagem do outro, está instalado nas paranoias. O fracasso da dimensão simbólica que se articula aí, a do Outro, da Alteridade via falha da castração na linguagem, a cadeia significante não permite no entanto fazer dos paranoicos neuróticos.</p>
<p>Ch. Melman contribuiu muito para a reflexão quanto à proximidade da paranoia psicótica com a paranoia comum própria dos neuróticos, já que o eu do neurótico tem sempre uma dimensão paranoica. O estádio do espelho constitutivo do sujeito se funda através do outro sobre o ciúme, a rivalidade, o amor, a agressividade. Por exemplo, Melman afirma que a questão do ciúme comum permite entender melhor o que se passa nos delírios de ciúme. Remeto a seu seminário sobre “as paranoias”. Guardemos que a imagem especular é globalmente estabelecida, mesmo se o estatuto da imagem não é verdadeiramente do mesmo registro do neurótico. Remeto aos trabalhos de St. Thibierge sobre o Fregoli ou a ilusão dos sósias (disjunção da imagem e do objeto em i(a), que é a escrita da imagem especular do neurótico), que também concernem às paranoias. É preciso sobretudo ter em mente que a relação com o Outro não foi corretamente simbolizada, o que repercute sobre a imagem especular, pois, <em>a contrario</em> do neurótico, não há falta (o furo do objeto <em>a</em>) nessa imagem estrutural própria à paranoia, o que lhe confere um estatuto de imagem ou de representação diferenciado em relação ao do falasser neurótico. Fundamentalmente, se há prevalência do eixo imaginário e como o paranoico tem um bom uso da língua, isso indica que há bem um lugar do Outro, mas, como todo psicótico, o paranoico se encontra num dispositivo estrutural que exclui esse lugar do Outro.</p>
<p>O registro simbólico, o do significante, foi de início prevalente em Lacan, que isolou uma base comum a qualquer psicose, a partir de uma releitura de Schreber e de um retorno a Freud, no seminário dedicado às psicoses (1955-56). Esse mecanismo é o da foraclusão do Nome do Pai. Lacan nunca o contradisse, mesmo se ele atenuou sua localização e sobretudo sua leitura nos seminários dos anos 70 sobre a topologia dos nós.. Dando menos substância a esse significante do Nome do Pai, o da função paterna, ele fez valer os nomes do Pai, ou seja, sua pluralidade, laicizando de fato essa função mítica do Pai, privilegiando-a no sentido do Pai como nome, como nomeante, atribuindo a essa função da nomeação o estatuto de uma quarta rodela que enoda borromeanamente as três rodelas do real, do simbólico e do imaginário.</p>
<p>Essa quarta rodela, Lacan a designa em “RSI” como a do Édipo, mas sobretudo do sintoma, ou seja, isso que é a marca individual do sujeito neurótico.</p>
<p>Nas psicoses, não há nem sintoma no sentido freudiano nem essa nomeação do Pai como NOMEANTE, o que não enoda os três registros. Assim, a foraclusão do Pai como nomeante caracteriza a estrutura psicótica. Mas, se nas psicoses não egóicas trata-se antes de um desenodamento (e às vezes uma separação total dos registros como na esquizofrenia), nas paranoias, Lacan precisa que se trata de um nó de trevo: real, simbólico e imaginário estão em continuidade e têm uma mesma consistência. A esse respeito, Charles Melman reconhece nesse nó de trevo uma paranoia “curada”, dizendo que “ a organização paranoica pode constituir o modo de cura de uma psicose”. Essa paranoia “bem sucedida” seria aquela em que o paranoico consegue constituir um sujeito Um, aquela que seria insustentável para os outros no laço social, pois ele os trataria como verdadeiros objetos <em>a</em>, ou seja, como dejetos.</p>
<p>Lacan introduzirá então o “<em>sinthome</em>”, enquanto suplência como modalidade “de desdobramento do simbólico”, que opera em inúmeras psicoses, tipo de quarta rodela que evita o desenodamento dos três registros e que presentificaria uma forma de estrutura paranoica que se sustenta.</p>
<p>Assim, com essa extensão de sua concepção da foraclusão do NDP, Lacan nos deixa entrever a grande variedade fenomenológica das psicoses que obedecem a modalidades transferenciais diversas. Quando Lacan evocava a extensão dos efeitos da foraclusão do NDP, tratava-se não de uma parcialização desse mecanismo (que obedece mais ao tudo ou nada), mas mais especificamente de uma maneira de dar conta de formas não borromeanas do enodamento dos registros, com ou sem <em>sinthome</em>. Que importância atribuir então à existência de uma metáfora delirante (ou seja, de uma atividade no registro imaginário)? Como vê-la? Como uma modalidade do imaginário em que a rodela do imaginário se enoda não borromeanamente com os dois outros registros do simbólico e do real? Ou como uma suplente que vem redobrar a rodela do imaginário?</p>
<p>No seminário “As Paranoias” (1999-2001), Ch. Melman suscita um outro questionamento e uma outra leitura do conceito de foraclusão do NDP como específico a todas as psicoses. Ele propõe separar claramente dois tipos de psicose (última lição, pág. 371): de um lado, a paranoia, em que a “instância fálica aparece um pouco demais no real” (essa instância normalmente operante, mas não localizável e faltante no real); de outro, aquelas em que “a significação fálica se acha evacuada” entregando o infeliz sujeito “ao nonsense do Outro”, com a exceção de que “esse lugar do Outro fica habitado por toda uma série de fórmulas, de frases&#8230; de injunções&#8230; que não deixam de circular” (alusão manifesta aos fenômenos elementares). Para esses últimos, o objeto <em>a</em> do real estaria diretamente nos comandos (pululação dos objetos – voz e olhar – tão tirânicos clinicamente), e para a paranoia seria prioritariamente o falo. A paranoia seria uma psicose de mais-gozar do falo (em sua prevalência imaginária), e não do objeto <em>a</em>.</p>
<p>Eu lhes dou esses elementos para enriquecer o debate que, com a leitura do seminário de Melman, se tornou nitidamente mais complexo para mim.</p>
<p>O ponto mais vivo e mais pertinente que fica, clinicamente, é quando Ch. Melman lembra o quanto o paranoico vem incarnar a instância fálica na realidade, já que se torna o objeto, como ele expressa, por suas interpretações delirantes ou suas alucinações envozadas, de todas as atenções e malversações. O paranoico se mantém no próprio lugar da instância fálica (B. Vandermersch diz que ele ocupa antes o lugar do significante, na falta de falo simbólico), foracluído de qualquer Alteridade, ou vindo encarnar essa Alteridade, enquanto Todo fálico. Ao menos um sobre o qual conflui o conjunto das significações (essa famosa “significação pessoal” dos fenômenos elementares). Por exemplo, um paciente me dizia que, desde muito pequeno, tinha a convicção de que a mídia falava dele, que o mundo tinha sido criado em sua intenção, para ele. Podemos reconhecer nesse nível o delirante interpretativo de Sérieux e Capgras e o passional de exceção do ciumento delirante ou do reivindicador. Enquanto o erotômano vem se apoiar em seu dito-objeto de amor, que é apenas a mesma coisa, para fazer UM com o Outro, UM total, completo e Real. Do lado do sensitivo, o aspecto fálico em questão está presente, mas ao mesmo tempo muito mais nuançado.</p>
<p>Depois dessa localização estrutural preliminar, vou abordar sob a forma de precisões, observações e questões, o que concerne à transferência nas psicoses. Por que é que a paranoia, mais exatamente o campo das paranoias, seria mais acessível à transferência do que as outras psicoses (parto de um enquadramento amplo e portanto esquemático)? Por diversas razões:</p>
<p>A consistência egóica está estabelecida e permite sustentar “uma personalidade”, uma “subjetivação” com elaborações, mais ou menos sustentadas em função das capacidades de criação próprias ao “sujeito” (não é Schreber que quer), o conjunto sustentado por um ancoramento simbólico na linguagem estruturado, com um uso do significante possível, mesmo se a psicose não deixa a possibilidade de reconhecer a falha no significante (de S1 a S2 não há <em>gap</em>, furo, pelo fato da defecção da queda do objeto <em>a</em>). Assim mesmo, uma aptidão à verbalização é muito mais nítida do que nas psicoses não egóicas.</p>
<p>O tecido delirante é uma base imaginária que pode funcionar como tampão, enodar, até mesmo ligar Simbólico e Real (enquanto que nas esquizofrenias “todo o simbólico se torna Real”, dizia Lacan), particularmente quando uma “cristalização” vem fixar e pacificar o paranoico.</p>
<p>Os fenômenos elementares, enquanto manifestações do Real do objeto <em>a</em> que se impõem ao paranoico, articulam-se e fazem corpo com o delírio, vindo nutri-lo, ou se imiscuindo como preliminar a esse delírio. O campo da paranoia não se restringe apenas às interpretações delirantes.</p>
<p>Além disso, Lacan e, há meio século, psicanalistas tiveram psicóticos paranoicos em seus divãs, e é à luz de sua experiência que temos, em retorno, elaborações sobre a transferência psicótica (cito os trabalhos de Perrier, Maleval, Melman, Czermak, Landman, Pommier, Izcovich, recentemente&#8230;). A <em>hainamoration<a id="footup2" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/?cod=78#footdown2" name="footup2"> <sup>2</sup> </a></em>de Schreber pelo professor Flechsig nos ensinou muito sobre o caráter delicado do “manejo” da transferência, sobre seu caráter irresistível (“os psicóticos não resistem à transferência” M. Czermak).</p>
<p>M. Czermak evoca a “decomposição espectral” da transferência psicótica para mostrar que, com um falasser psicótico, o que faz laço homogêneo para o neurótico entre ideal do eu, eu, falo, objeto, Outro, outro, revela-se em toda sua crueza e sua explosão nas diversas manifestações clínicas e portanto transferenciais. É preciso nunca subestimar o impacto do automatismo linguageiro em todos os casos.</p>
<p>No entanto, se a transferência psicótica incita assim à prudência, é verdade também que os paranoicos em tratamento, no divã, continuam sendo raros. É melhor refletir duas vezes antes de deitar e aceitar a demanda. O momento de advento de uma demanda é evidentemente fundamental, isso exclui evidentemente qualquer veleidade analítica numa fase aguda da patologia. As surpresas mais comuns são as de um desencadeamento de uma paranoia ali onde se tratava da análise de um neurótico que era prevista, suposta, como no caso que eu lhes trouxe. Acrescento que um acompanhamento duplo, em dois lugares, analítico e psiquiátrico, é relativamente frequente na minha experiência, é preciso não esquecer a sedação de gozo que a ingestão de psicotrópicos bem ajustada pode propiciar. Por outro lado, não é impossível que alguns falasseres paranoicos cheguem, pelo trabalho de um tratamento, a uma estabilização de seu delírio.</p>
<p>Para Freud, na “introdução à psicanálise”, era explícito: “os doentes que sofrem de neurose narcísica não possuem a faculdade da transferência&#8230; eles permanecem sendo o que são&#8230; não podemos mudar nada aí”. Para Lacan, as referências à transferência psicótica não se encontram nem no seminário “A transferência”, nem no “Ato psicanalítico”. Sua “questão preliminar” dos Escritos (1957-58) constituiu uma abertura inegável para a transferência psicótica, mas ele não propôs uma escrita para ela, como aquela inscrita na “Proposição de 1967” para a transferência neurótica. Num artigo de <em>La célibataire</em> (n°4), Claude Landman retoma esse matema que deve ser entendido como um balizamento de Lacan no momento em que ele trabalha a lógica.</p>
<p>Ele escrevia então:</p>
<p><img decoding="async" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/conteudo01.jpg" alt="sciara" /></p>
<p>s é o lugar do sujeito que se põe a enunciar os significantes de seu saber inconsciente (S1, S2, …., Sn). É também o lugar do analista. A barra é a do recalque. Desse saber, há algo que se diz à revelia do sujeito que fala; s é representado por S, o significante da transferência de um sujeito, « nomeável por um nome próprio, para um Sq, um significante qualquer».</p>
<p>A flexa (→) indica a dinâmica em que se mobilizam e se produzem os significantes primordiais do sujeito, numa certa ordem. O fim do tratamento se traduz pela redução do nome próprio a um significante qualquer, o que dá conta da precariedade de um sujeito dividido, que é apenas trazido por um significante para um outro significante. No curso da psicanálise, o sujeito suposto saber, de que o analista era o suporte, é destituído. O fim da partida ilustra o que o discurso analítico instaura:</p>
<p>a saber, que o analista vem ocupar esse lugar de objeto <em>a</em>, de <em>semblant</em>, e de agente no desenrolar do tratamento.</p>
<p>Na transferência psicótica, essa escrita não é possível. O que resulta disso?</p>
<p>Não há sujeito suposto saber, “o pivô de onde se articula tudo o que diz respeito à transferência” (notado SsS, já evocado na “Transferência” e pelo artigo de Scilicet “o engano do sujeito suposto saber”).</p>
<p>Isso quer dizer que o próprio conceito de transferência é inadaptado ou obsoleto nas psicoses? Creio que é preciso manter o termo, já que ele é ditado pelo real da clínica das psicoses e não se trata de fossilizá-lo como conceito universitário aplicado e determinado por uma leitura apenas neurótica da clínica. O importante é conhecer justamente suas coordenadas diferentes daquelas da transferência neurótica quanto aos estatutos do sujeito, do objeto, da relação com o Outro, e do outro pequeno.</p>
<p>O psicótico lida, não com uma suposição de que um psicanalista saberia, poderia saber, mas com uma certeza de que ele sabe que o Outro sabe. O outro seria detentor de um saber absoluto, cujos fios ele poderia puxar, até mesmo manipulá-lo, usá-lo para produzir com toda a transparência um saber a serviço de seu gozo. E eis aí nosso psicótico às voltas com um Outro onisciente, que a psicanálise poderia vir encarnar.</p>
<p>Não há recalque, nenhuma barra, portanto nenhum saber inconsciente, ou seja, nenhum saber furado. O saber do falasser psicótico é automático, sem furo, constituído por um agenciamento de puros significantes, que não têm valor de significantes, pois não remetem a outros significantes, mas se reduzem a signos que se entrelaçam num tecido imaginário, que poderia se focalizar em torno de uma metáfora delirante.</p>
<p>Nas paranoias, assim como em toda psicose, mesmo se o falo se erige em componente egóico ostensivo, sob a forma de uma megalomania, trata-se também de uma transferência sob comando direto do objeto a, real. Direto porque sem a mediação de uma fantasia (S◊<em>a</em>) como na neurose, o que faz com que o psicótico tenha uma relação de contiguidade mais nítida com o objeto, que permanece sempre velado na neurose.</p>
<p>Enfim, o sujeito paranoico se toma por seu eu, o que é diferente do sujeito dividido, sempre evanescente. Ele é falado, ainda que clinicamente haja nuances, sem equívoco significante, sem jogo entre significante e significado (que estão disjuntos, ou colabados numa concreção significante (neologismo, holofrase)).</p>
<p>Em suma, <em>ab initio</em>, quando um paranoico se endereça a um analista ou a um clínico em geral, não há endereçamento a um sujeito suposto saber, mas uma demanda tomada numa Autenticidade do Outro, ou seja, de um Outro real constituído de puros significantes que desfilam. Mas como o que caracteriza o campo da paranoia é a existência de um tecido significante delirante, o analista vai se achar ao mesmo tempo como detentor de um Saber Todo, mas também poderia contribuir para uma pacificação desse delírio, introduzindo aí algo de um saber dizer, que poderia fazer furo na certeza. Seria esse o “praticável” da transferência psicótica: atenuar a convicção paranoica.</p>
<p>Mas então, como é que o paranoico poderia a longo prazo prescindir do analista que funcionaria como <em>sinthome </em>nessa figuração?</p>
<p>Em todos os casos, o ponto de fixação delirante será mantido, mas uma parte de dialética será inserida. Com o tempo, os remanejamentos são sempre possíveis e o analista nunca estará livre de surpresas.</p>
<p>M. Czermak insiste sobretudo na injunção imperativa do objeto <em>a</em> como verdadeira dificuldade na transferência psicótica, pois o objeto é intratável, e ele usa sobretudo o exemplo da psicose maníaco-depressiva em que o objeto está em primeiro plano. Talvez houvesse um tratamento possível mais amplo com o campo das paranoias, se se trata menos da Automaticidade do objeto do que da emergência do falo real que aparece e prevalece, como indica Ch. Melman.</p>
<p>Nas paranoias, não é a disparidade (diante de um sujeito suposto Saber, é verdade em todas as psicoses), mas a paridade que está em primeiro plano, pois o eixo imaginário se impõe. Ainda seria preciso identificar melhor o estatuto da imagem, ou seja, a relação com o outro, com o semelhante(?), com a marionete ou com “a imagem fascinante, aspirante e persecutória” (Cl. Landman – “Lacan e o tratamento psicanalítico da psicose” – <em>La célibataire</em> N°4). Em suma, de que <em>alter ego</em> se trataria? Em todo caso, essa disposição imaginária do paranoico facilita provavelmente a relação transferencial, se o psicanalista sabe algo a respeito e pode se prestar a isso.</p>
<p>Resta que, se o falo emerge do Real na realidade e vem se encarnar pelo próprio falasser, este não apenas se torna o ponto de convergência de tudo o que pode estar a sua volta, mas estando num estatuto de exceção, de ao menos um, isso não pode facilitar o manejo da transferência.</p>
<p>O problema é flagrante com as psicoses passionais em que a foraclusão do lugar do Outro faz com que o “sujeito” paranoico venha ocupar um lugar de Outro Real, representando por si mesmo uma alteridade real: o ao menos um que seria o justo dos justos no reivindicador, o ao menos um que faria UM com o outro reduzido a seu objeto real mesmo para o erotômano, o ao menos um ciumento que seria o paradigma daquele que estaria excluído da confraria dos gozos. As possibilidades de tratamento para passionais em que o trabalho de remanejamento do delírio é praticamente impossível e o postulado fundamental se instalou de saída são quase nulas.</p>
<p>No que concerne às paranoias sensitivas, elas ocupam um lugar à parte no campo das paranoias, pois se desenvolvem quase sistematicamente a partir de conflitos éticos (sexuais ou profissionais), ali onde a questão do falo é sempre maior. Elas são de algum modo uma referência para as paranoias, tal como Ch. Melman evoca, ou seja, nessa emergência do falo no real. Devido a sua fineza de elaboração e uma capacidade dialética certas, os sensitivos testemunham bem particularmente uma interrogação de um estatuto do eu questionante. Certamente o manejo da transferência é mais fácil do que em outras paranoias, na medida em que o analista se encontra mais facilmente como <em>alter ego</em>, o que poderia permitir “trabalhar” melhor com o paciente seu material significante, na esperança de negociar melhor com ele o que gira em torno do prejuízo sofrido. A humilhação, frequentemente posta em primeiro plano, poderia assim ser atenuada.</p>
<p>Vou terminar minha fala sobre minha experiência com interpretativos do tipo Sérieux e Capgras, cujas particularidades transferenciais me parecem existir:</p>
<p>O delírio de interpretação se desenvolve em “rede” e, se há uma certa estabilização dos puros significantes desse delírio, há sem dúvida, se o interpretativo consente, meio de descolar da certeza aí ligada, mesmo se o núcleo significante da metáfora delirante permanece intacto.</p>
<p>De uma inércia dialética, é possível que um deslocamento possa se operar em direção a menos convicção. Para isso, fiquei surpreso ao constatar que “o amor pelo conhecimento” e pela verdade, tão caros aos paranoicos, com esse esforço (mesmo no automatismo) de lógica e de coerência que os caracteriza, pode ser um excelente suporte. Particularmente com o formalismo de um saber rotulado psicanálise, que um distanciamento possa se criar, à força de “injeção” pelo próprio paciente de significantes psicanalíticos, pode contribuir para acrescentar imaginário, mesmo normatizado, entre simbólico e real, descolando-os. Um saber de conhecimento, qualquer que ele seja, que alimente esse amor pela verdade, pode contribuir.</p>
<p>Os paranoicos podem assim tornar-se analisantes “normados” (M.Czermak emprega a expressão “psicose normada”) em que o gozo ligado a seu delírio pode dar lugar em parte a uma nova forma de gozo que se apóia num saber que se constrói no tratamento (assim, a ficção edipiana a título da teoria psicanalítica é frequentemente objeto de racionalizações que tempera na direção do furo de significação ligado às vicissitudes da metáfora paterna) e que, no entanto, nunca será um saber furado como o do neurótico.</p>
<p>Essa conjuntura de neo-alienação (neo-ortopedia egóica?) coloca de todo modo o problema delicado do interminável de um tratamento, com a necessidade de uma presença real do psicanalista que arrisca eternizar-se. Funcionaria ele como <em>sinthome</em>, prótese significante que se articula com a elaboração significante do paranoico, participando de seu remanejamento? Como é que o analista poderia então se desligar e o paranoico terminar por se virar sozinho?</p>
<p>O tratamento de psicanalisantes paranoicos (interpretativos e certamente mais ainda sensitivos) obedece em todos os casos a uma dupla exigência que pode torná-lo praticável:</p>
<p>De um lado, se o analista encarna o Outro real que goza, ele se torna perseguidor, ou aquele com o qual o paranoico goza, e é a erotomania mortificante com a <em>hainamoration </em>radical que ela subentende. Essa ocorrência não deixa então mais lugar, espaço para o “sujeito paranoico”, integrado no espaço do Outro real, que poderia vir a equivaler ao objeto até se cotardizar numa morte do sujeito reiterada. Poderíamos dizer que o “fenômeno da parede de meia” (Melman) permite ao paranoico firmar-se em sua posição, proteger seu espaço de “sujeito”, e não se perder vendo-se sem lugar, atribuindo ao Outro, reduzido a um pequeno outro ameaçador, o maléfico, do outro lado da parede, mas em retorno sendo assegurado de se posicionar num espaço que o protege e o faz existir como sujeito, a exemplo dos fenômenos envozados. Trata-se então de esquivar-se a esse lugar Outro, mas seria tão fácil no automatismo da transferência? A posição do analista em relação ao saber desempenha certamente um papel (seus saber fazer e dizer) importante, mesmo se não é suficiente. B. Vandermersch o expressa muito bem assim (<em>Les Paranoïas</em> – Melman – p214): “por que não elaborar com ele, se ele está aberto a isso, o que poderia esclarecer quanto a essa posição especial, apoiando-se no que sabemos quanto a seu lugar na estrutura?”. Ele acrescenta: “na falta da dúvida, pelo menos o paranoico poderia apreciar que alguém saiba não saber demais a respeito”. Introdução de uma dimensão de sujeito suposto saber ali onde ela não existia, ali onde o analista estava no lugar outro de um Todo saber?</p>
<p>De outro lado, a única posição sustentável para o analista é tentar se situar na posição de pequeno outro. Por exemplo, num tipo de partilhamento do questionamento do paciente, não apenas quanto a seu caso, mas em nome de um conhecimento, inclusive psicanalítico.</p>
<p>Fica em suspenso uma última questão, que não é apenas minha, ou seja, o que é do desejo do psicanalista na transferência com paranoicos?</p>
<p>_______________________________________________________________________________________<br />
Tradução: Sergio Rezende<br />
Para ler o texto original: <a href="http://ecoledevilleevrard.free.fr/la-question-du-transfert-dans-les-paranoias/" target="_blank" rel="noopener">http://ecoledevilleevrard.free.fr/la-question-du-transfert-dans-les-paranoias/</a><br />
<a id="footdown1" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/?cod=78#footup1" name="footdown1">1. </a>NT – Em francês, jogo de palavras com o termo <em>axe</em> (eixo).<br />
<a id="footdown2" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/a-questao-da-transferencia-nas-paranoias-2/?cod=78#footup2" name="footdown2">2. </a>NT – jogo de palavras que conjuga <em>haine</em> (ódio) e <em>amour</em>(amor), e faz alusão ao verbo <em>s’enamourer</em>(enamorar-se).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qu&#8217;attendre du psychanalyste dans une institution dite sociale?</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/quattendre-du-psychanalyste-dans-une-institution-dite-sociale/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Louis Sciara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jan 2015 16:58:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[instituição]]></category>
		<category><![CDATA[Louis Sciara]]></category>
		<category><![CDATA[posição]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Qu'attendre du psychanalyste dans une institution dite sociale?]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade do analista]]></category>
		<category><![CDATA[transferência]]></category>
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					<description><![CDATA[Pour aborder le thème je ferai deux remarques préliminaires (*) :

Je me suis engagé à faire cet exposé car, en raison de mon expérience professionnelle acquise dans diverses institutions et à différentes fonctions, je me suis souvent interrogé sur l’utilité et l’intérêt de l’intervention du psychanalyste en institution tout en reconnaissant que c’est très formateur pour tous.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Louis Sciara</p>
<p>Pour aborder le thème je ferai deux remarques préliminaires (*) :</p>
<p>Je me suis engagé à faire cet exposé car, en raison de mon expérience professionnelle acquise dans diverses institutions et à différentes fonctions, je me suis souvent interrogé sur l’utilité et l’intérêt de l’intervention du psychanalyste en institution tout en reconnaissant que c’est très formateur pour tous.</p>
<p>Je m’autorise aujourd’hui à donner un avis essentiellement sur le travail que j’ai effectué et que j’effectue encore : autrefois,un travail de « supervision » au sein d’une équipe éducative d’un foyer de l’Aide sociale à l’enfance accueillant des adolescentes ; une fonction de psychiatre hospitalier, en particulier depuis quinze ans au centre d’accueil et de soins hospitaliers de Nanterre (ex Maison de Nanterre), institution à caractère double puisque sanitaire et sociale, et à l’interface du médical et du social ; enfin, situation présente, un travail de psychiatre responsable d’un centre médico–psychologique, ce qui nécessite une certaine coordination avec différents intervenants du secteur social (de la circonscription à la Mairie, en passant par les centres d’hébergement et de réinsertion sociale, les centres d’aide par le travail, etc.).</p>
<p>Le plus important sur le plan clinique est de veiller à traiter chaque sujet concerné, dans sa singularité et que ce soit le cas par cas des situations qui fasse lien commun.</p>
<p>La seconde remarque est liée à ce que je peux entendre de la part des travailleurs sociaux, de plus en plus coincés dans leur pratique quotidienne par des obligations administratives et légales, inscrites dans leur mission de service public auxquelles ils ne peuvent déroger, même s’ils peuvent donner aussi leur avis en filigrane.</p>
<p>Par exemple, récemment, une assistante du service social de la circonscription est venue raconter le cas d’une femme surendettée et dealeuse, qui bien que malade n’en exigeait pas moins une demande d’aide financière et l’ouverture d’un dossier de surendettement. Cette assistante sociale avait obligation d’instruire le dossier et de l’ouvrir en raison de la demande même. Elle savait que seule l’ouverture d’une mesure de protection aurait son efficacité. Elle demandait justement à notre équipe soignante d’intervenir, car elle ne pouvait refuser l’instruction du dossier, tout en sachant que la réponse à cette demande était inadaptée, ne suffirait pas à calmer la sthénicité de cette femme qui la pressait de répondre à son droit de subvention.</p>
<p>Ce malaise sur le terrain du social va grandissant. Les travailleurs sociaux semblent fort bien mesurer que toute demande de « l’usager »n’est pas à prendre au pied de la lettre et qu’elle recouvre d’autres difficultés. D’où leur adresse à l’intention des « psy » et des psychanalystes en particulier.</p>
<p>Qu’en est-il de leur attente ? À quel supposé savoir font-ils appel ? C’est à partir de ces interrogations issues de ma pratique que j’ai formulé cet intitulé : « Qu’attendre du psychanalyste dans une institution dite sociale ? ».</p>
<p>Question qui interpelle non seulement les travailleurs sociaux (car en quoi le discours psychanalytique pourrait-il être éclairant pour eux), mais aussi les psychanalystes.</p>
<p>Je vais tâcher de donner quelques précisions de la place où je me situe, celle d’un clinicien, mais quoi qu’il en soit de la fonction de chacun, travailleur social ou psychanalyste, nous sommes tous concernés par le champ du Réel sur lequel je vais revenir. Seule la parole permet de l’appréhender même s’il reste insaisissable, que ce soit dans nos dires comme dans nos actes.</p>
<p>Lacan nous a enseigné qu’il y a quatre discours : celui du maître, celui de l’universitaire, celui de l’hystérique et celui du psychanalyste. Il y a même ajouté celui du capitaliste. Sans les développer, l’essentiel est de retenir qu’ils permettent de désigner des places (celles de l’agent, du savoir, de la production et de la vérité), de les différencier.</p>
<p>Le discours analytique (l’objet a, l’objet cause du désir, est en position d’agent et $ est en position de savoir, c’est-à-dire là où le sujet a à travailler dans la cure et où il peut rencontrer l’objet a) pas plus qu’un autre discours ne saurait rencontrer ce réel, mais sa visée est de permettre de « contrer » le réel, en s’appuyant sur du symbolique, là où il y a du manque, là où ça fait trou (&#8220;La Troisième&#8221;, novembre 1974). Le discours analytique suppose qu’il soit énoncé pour dire, soit qu’il y ait du psychanalyste, lequel cherchera à questionner et à mettre en cause les signifiants du social qui ont le vent en poupe (transparence, réseau…), et dont les effets délétères sont de plus en plus criants puisque ce qui est remis fondamentalement en cause ce sont les valeurs symboliques et en premier lieu la fonction paternelle, l’autorité, le S1 en termes lacaniens.</p>
<p>Maintenant, il faut se pencher sur l’institution.</p>
<p>Du latin <em>instituere</em> (« placer dans », « mettre sur pied, établir… fonder »). L’évolution historique du terme est manifeste à la Révolution française puisque les institutions ce sont les « choses instituées », ce qui désigne l’ensemble des structures fondamentales de l’organisation sociale (1790, selon le <em>Dictionnaire historique de la langue française</em> d’Alain Rey) dans un état social inspiré du contrat social de Rousseau.</p>
<p>L’institution est donc au service du politique et elle est l’instrument d’un ordre social.</p>
<p>D’un point de vue analytique, je ferai l’hypothèse que toute institution est sociale au sens de ce qui est relatif à la société et ce qui lui appartient, mais qu’il faut l’entendre comme une structure langagière qui repose sur des conditions qu’il me reste à définir.</p>
<p>Partons de Freud, par exemple de ses textes de 1913 sur « L’intérêt de la psychanalyse » ou encore celui de « Psychologie des masses et analyse du moi » (1921), il nous indique le chemin en réduisant l’apparente opposition entre la psychologie individuelle et la psychologie collective.</p>
<p>Lacan écrit dans la même mouvance en 1945, dans les <em>Écrits</em> : « le collectif n’est rien que le sujet de l’individuel » (&#8220;Le temps logique&#8221;…, <em>Écrits</em>).</p>
<p>Nous connaissons sa phrase célèbre : « l’inconscient, c’est le social ». Il ne fait qu’y rappeler que tout sujet normal, névrosé, c’est-à-dire divisé, n’est représenté par un signifiant que pour un autre signifiant, et qu’il n’est donc représenté que par des signifiants, lesquels sont arrimés à un lieu, celui de l’Autre, celui de la langue ; et à ce titre, cet Autre,trésor des signifiants, c’est notre social dans son ensemble avec les signifiants qui y sont véhiculés.</p>
<p>Ce préalable permet de souligner que, psychanalytiquement, il n’y a pas de sujet qui ne soit dépendant du social, au sens du grand Autre, de l’Altérité.</p>
<p>Venons en maintenant au fond, à l’institution, aux institutions puisqu’elles sont plurielles.</p>
<p>Mon fil directeur c’est ce qui peut bien articuler l’institution soignante à l’institution sociale. La première va — si c’est encore le cas — s’attacher à l’individu, à son histoire personnelle, à sa singularité, à ses dires. La seconde, a visée de traiter du social et du collectif,et de la place du sujet dans le social, non pas de l’individuel, mais il me paraît essentiel qu’elle ait à se référer au langage, aux propos particuliers des sujets qu’elle accueille. En somme, je dirai que ce qui caractérise une institution c’est avant tout un lieu, un lieu symbolique car elle est nommée (sociale ou soignante) et vient occuper une place spécifique dans l’organisation sociale. Mais il y a aussi la finalité, soit l’objet de l’institution et là nous saisissons mieux que l’engagement même de la dite institution est aussi fonction de cet objet : le soin ou, disons,l’insertion (il y a moult institutions sociales d’hébergement, d’accueil, professionnelles,…).</p>
<p>Un peu par provocation, j’ai accollé à mon titre : « institution » et « sociale » parce que je m’adresse essentiellement aux travailleurs sociaux, mais je souhaite traiter de l’institution d’un point de vue clinique et plus précisément analytique et donc je souhaite caractériser ce qui définit l’institution soignante pour mieux à la fois la différencier et la corréler à l’institution sociale.</p>
<p>Je précise donc tout de suite pourquoi cet enjeu.</p>
<p>Parce qu’en clinicien, je me préoccupe avant tout du sujet au cas par cas, et je n’ignore pas que ce qu’il va rencontrer dans sa vie sociale, par l’intermédiaire ou non d’un travailleur social, et dans une institution sociale ou non, ce sont des situations réelles qu’il est important d’entendre comme autant d’éléments signifiants avec lesquels il devra composer, y compris des mesures d’aide sociale (type Cotorep : allocation adulte handicapé, reclassement professionnel…), judiciaires (type curatelle ou tutelle…) ou encore administratives quelconques. Et le travail clinique consiste à tenir compte de ses élaborations, de ses actes et parfois des nécessités à rencontrer des instances sociales, via leurs représentants pour veiller à son intérêt, au respect de son désir (quand désir il y a, puisque l’on ne peut en parler stricto sensu pour les psychotiques), et de sa parole.</p>
<p>Alors, rapidement, si on prend modèle sur une institution soignante, sa structure repose toujours sur les trois registres nommés par Lacan : Réel, Symbolique, Imaginaire, à condition qu’ils soient noués et que ça tienne, ce qui n’est pas toujours le cas, car si la psychothérapie institutionnelle a connu du succès, il y a beaucoup de lieux de soins qui ont été et restent ravageurs – par exemple ceux où règne une autarcie totale, aliénante, et qui « déchétisent » les sujets, les traitant en objets de rebut.</p>
<p>Reprenons les trois registres de la structure subjective :</p>
<p>— celui du Réel, la psychanalyse traite du Réel et la clinique c’est le Réel impossible à supporter disait Lacan. Ce n’est pas le sens commun de la réalité. Le Réel c’est du registre de l’impossible (quoiqu’on fasse ça ne va pas et ça revient toujours à la même place ; les mots ne peuvent tout dire ; il y a du manque qui est structurant pour un sujet, que Lacan formalisait par l’objet a, cause du désir, et qui permet au sujet d’accéder au désir). Dans l’institution sociale, sans doute ce réel n’engendre-t-il pas les mêmes réponses que celles que des soignants pourraient proposer. Sempiternel débat sur le manque entendu trop souvent comme besoin à réparer (logement à trouver, aide financière, par exemple), là où du psychanalyste pourrait y mettre un bémol, sans nier certaines urgences vitales, mais en visant à entériner le fait qu’il y a des impasses, des apories, des solutions impossibles ; il faut alors y mettre des mots avec le sujet concerné, comme dans les concertations avec l’équipe sociale, pour réfléchir alors à ce qui peut être praticable. J’insiste sur cette dimension, parce que, comme je l’ai déjà fait remarquer, notre modernité évolue dans le sens d’une récusation de cet impossible, exigeant en retour solutions adaptées, réparation, restauration, ce qui rabat l’impossible vers la notion d’impuissance. Notons cette tendance actuelle expansive et curieuse à mettre en question la compétence et la responsabilité des professionnels qui travaillent dans le social et qui se retrouvent sur la sellette, remis en cause,de manière identique aux soignants. Il y aurait toujours un manque de savoir-faire, de savoir dire, une suspicion de ne jamais en faire suffisamment. Ce repérage et cette lecture d’un Réel qui échappe est absolument indispensable à la création et à la vie de toute structure institutionnelle. C’est parce qu’il y a du manque qu’il y aura du désir dans l’institution.</p>
<p>— celui de l’Imaginaire, c’est- à- dire ce qui constitue notre aliénation en miroir à notre semblable avec nos conflits, notre agressivité, notre reconnaissance. C’est la condition narcissique du stade du miroir inhérente à notre condition humaine. Cette dimension de l’Imaginaire nécessite de se débrouiller avec les conflits sans les étouffer, ni les hypertrophier ce qui pourrait induire alors une certaine violence. À ce niveau, les institutions sociales et soignantes sont tout à fait homogènes, et la hiérarchie devrait y mettre de l’ordre d’un point de vue symbolique, sans permettre pour autant d’y échapper, à condition que ce soit parlé a minima.</p>
<p>— le troisième registre, celui du Symbolique, celui de notre condition de parlêtre, d’animal doté de la parole, soit la dimension symbolique des lois de la parole et du langage, avec le respect de la loi (l’interdit de l’inceste, la castration). Il n’y a aucune raison d’en différencier la référence dans une institution soignante comme dans une institution sociale.</p>
<p>Finalement c’est bien la nomination symbolique du lieu, la finalité de l’institution, et la conception éthique qui en découlent qui font différence. Et « du psychanalyste » en institution aura à se débrouiller avec ces différences en ayant comme principe majeur dans sa praxis d’avoir à prendre en compte, à souligner ce en quoi il y a du Réel, et qu’il faudra traiter avec un outil symbolique, il n’y en a qu’un celui de la parole. C’est à cela que servent les réunions de synthèse, dans n’importe quelle institution.</p>
<p>Et le Réel, pour l’analyste, c’est sa façon de veiller à entendre cet écart nécessaire entre ce qui peut s’inscrire pour un sujet à titre individuel dans un centre soignant, et ce qui se déploie dans le collectif d’une institution sociale.</p>
<p>Qu’il y ait des lieux institutionnels différents, me permet d’avancer quelques précisions quant à la position de l’analyste en institution sociale où il faut prendre en compte que le collectif des intervenants sociaux n’a pas la formation clinique du collectif soignant, mais peut lui enseigner les enjeux sociaux dans lesquels non seulement les travailleurs sociaux sont pris, mais surtout les sujets, patients ou pas, dont il entend parler.</p>
<p>Sans oublier que l’analyste est lui aussi inclus dans le tissu social à titre individuel, mais également par sa fonction, son emploi dans l’institution sociale dont il dépend. Le lieu impose toujours ses conditions de structure et détermine l’arbitraire, les limites de notre travail (dans une institution qui aura son histoire et son actualité.</p>
<p>Vous constaterez que les mêmes problèmes se posent dans une institution soignante</p>
<p>Pourquoi une équipe dans une institution ferait appel à un analyste ? Qui en a la demande ?</p>
<p>S’il y a demande, c’est qu’il y a symptôme. Alors qu’en est-il ?</p>
<p>Est-ce pris dans une finalité institutionnelle qui suppose l’intervention d’un tiers pour assurer plus de cohérence ? Souvent, les institutions sociales ont recours à des analystes en raison du grand embarras des travailleurs sociaux face à leurs prérogatives, et surtout confrontés à des personnes aux difficultés psychiques lourdes et en proie à des problèmes sociaux complexes.</p>
<p>Dans mon expérience de secteur psychiatrique depuis une vingtaine d’années, du fait de la diminution des lits, des carences en personnels, et de l’inexistence désormais de lieux asilaires (au sens noble), les admissions de sujets à la pathologie psychiatrique sévère dans les centres sociaux et plus récemment ceux d’hébergement et de réinsertion sociale se sont considérablement accrues. De cette dégradation des soins est issue une demande croissante de présence de « psys » in situ.</p>
<p>Un dernier point avant de conclure, mérite notre attention, cela concerne la position et donc la responsabilité de l’analyste pour faire valoir la dimension inconsciente du symptôme, mais aussi réfréner les ardeurs institutionnelles quand ce sont des parlêtres psychotiques qui sont en difficulté. Pour ces derniers, il ne s’agit pas d’exiger une responsabilité de sujet qu’ils n’ont pas, ni une autonomie supposée qui, si elle ne se matérialise pas, peut les stigmatiser au titre du parasitisme, de la mauvaise volonté ou de la manipulation. L’analyste a donc à adopter une position subjective, clinique comme éthique, qui soit attentive au travail de l’équipe sociale, à la particularité des dires qui émanent ou sont rapportés sur le sujet en question et à les entendre. Sa position à l’égard de la dialectique sujet/vérité est donc fondamentale.</p>
<p>S’il agit en donneur de leçons, en expert soignant ou garant de la normativité du sens, il n’est plus alors que dans une position de psychothérapeute qui sait, qui dit la vérité sur l’inconscient (si ce n’est au nom de la psychanalyse !) et qui va aider à trouver le remède adéquat et toujours possible. Cette attitude ne ferait qu’entériner un savoir sur l’inconscient pré-établi et normé, un savoir de connaissance. Or la disposition du psychanalyste ne peut reposer que sur ce qui fait division, tracas pour les travailleurs sociaux qui lui rapportent un cas.</p>
<p>Lacan nous a enseigné qu’il y a un écart irréductible entre savoir et vérité. Il a fait valoir cette aliénation, cette division fondamentale du sujet dans son rapport à l’Autre. Dans cette dialectique savoir/vérité, il y a ce type d’aliénation à l’instar de « la bourse ou la vie ». Ce « ou » laisse entendre qu’il n’y a ni tout savoir, ni toute vérité. Si on est dans le savoir, on n’est plus dans la vérité et vice-versa. « La vérité gît dans les failles du savoir », disait Lacan dans les <em>Formations de l’inconscient</em>.</p>
<p>C’est donc cet écart qui est celui de la division du sujet « normal », névrosé, qu’il s’agit d’entendre comme justement, ce qui est du Réel, ce qui se dérobe toujours.</p>
<p>En savoir quelque chose permet d’entendre avec une certaine critique des interprétations toutes faites sur les personnes. De surcroît, l’analyste aura à soutenir le discours analytique souvent comme un empêcheur de tourner en rond, (comme quelqu’un qui fait coupure dans l’imaginaire des arguments), dans une position bancale ou d’inconfort s’il veut continuer à laisser ouverte cette subversion du sens, du bon sens supposé, ou des solutions toutes faites.</p>
<p>C’est de cette aptitude à tenir cette place dans un lieu institutionnel social que peut naître un transfert à son endroit, un transfert de travail.</p>
<p>La position de l’analyste est donc fort ardue car à la fois il aura à indiquer ce qui fait symptôme individuel ou collectif, mais aussi chercher à ne pas alimenter la jouissance — y compris la sienne — des conflits imaginaires, qui sont de toute façon inévitables. En donnant trop de sens au symptôme, ça ne ferait que l’amplifier, le nourrir.</p>
<p>Attention donc au « marché de la vérité » du symptôme pour reprendre les termes de Lacan dans <em>La logique du fantasme</em> (leçon 16, du 19/4/67, et à une position qui ne saurait l’absenter de « tout idéal de l’analyste » ( <em>Le transfert</em>, leçon du 28/6/61) .</p>
<p>Au bout du compte, la psychanalyse vaut par le discours analytique. Le psychanalyste est appelé dans une institution, en particulier sociale, parce que quelque chose y fait symptôme. Que cela fasse symptôme est de bon aloi.</p>
<p>Ce qui caractérise un sujet comme une institution, si je me réfère à une homologie de stucture langagière, c’est son symptôme. Qu’il soit individuel ou collectif c’est bien le symptôme qui intéresse le discours analytique.</p>
<p>L’analyste par sa fonction de tiers en institution aura à se faire l’écho, l’agent de ce discours auprès des travailleurs sociaux, afin de susciter la mobilisation d’un dire à propos des personnes qui les sollicitent dans la singularité de leur cas et, du coup, qu’ils puissent les entendre sans les homogénéiser, sans les anonymiser en simple citoyen, au nom de l’égalitarisme.</p>
<p>Nous savons pourtant que la fonction de l’analyste sera fort délicate, car à partir d’une place où il aurait à tenir ce discours, place de marginalité (comme le dit Charles Melman), il lui faudra s’adapter aux conditions de la structure institutionnelle dans laquelle il est inclus et, tout en partageant des valeurs communes avec les travailleurs sociaux, devra chercher à faire entendre la dimension clinique, et donc mettre l’accent sur ce qui concerne la détermination inconsciente de ce qui fait symptôme. Après tout l’analyste tente de pratiquer comme à son cabinet quand il s’agit de traiter du réel, mais en tenant compte de la structure sociale dans laquelle il est.</p>
<p>Le piège est de chercher à induire un prosélytisme psychanalytique car c’est déjà le signe d’une position subjective de maîtrise d’un savoir et connaissance et non l’indice d’une position analytique soucieuse d’interroger les dires des patients et des travailleurs sociaux concernant leur pratique.</p>
<p>La responsabilité de l’analyste est de se faire enseigner par les propos des travailleurs sociaux mais aussi de leur permettre d’entendre ce qui leur est dit et ce qu’ils disent eux-mêmes. Il ne s’agit pas de venir boucher les difficultés là où le Réel est à l’œuvre.</p>
<p>Que sa place soit finalement une nécessité de structure inhérente à l’institution et non un argument de maîtrise ou une carte de visite pour alimenter la jouissance des protagonistes de l’institution, jouissance qui est déjà quasi inévitable.</p>
<p>L’important est de souligner qu’aucune place d’analyste, intitulée comme telle, n’es t garantie, ni ne garantit le label du discours psychanalytique. Si l’analyste permet de mettre en évidence la disparité des discours, des places et des fonctions, si quelque chose de la circularité des discours est respectée et peut advenir, alors peut-être aura-t-il contribué à faire son boulot d’analyste dans une institution. Il sera alors possible de constater que du symbolique a opéré.</p>
<p>Mais il faut une clé pour y parvenir : <em>le transfert</em>, cette dynamique auprès des intervenants de l’institution à partir d’un certain style, d’un savoir faire, d’un savoir dire. Cette éventuelle aptitude n’est possible qu’à condition que le clinicien reste à sa place pour traiter du Réel et respecte celle des travailleurs sociaux intervenant à une autre place, mais pas moins soumis au même Réel.</p>
<p>La clinique concerne les praticiens, leur formation,leur lecture analytique. Elle permet de se décaler des impératifs concrets auxquels les travailleurs sociaux doivent répondre, mais aussi d’une tyrannie abusive de l’Idéal du Bien qu’il soit laïc ou religieux. Les travailleurs sociaux pâtissent beaucoup des exigences d’efficacité, de gestion, de réponse sans faille, de contractualisation envahissante et de transparence dans les résultats. Si ce n’est guère rassurant, ils ne sont malheureusement pas les seuls, à en juger par les mauvaises conditions de travail des praticiens de la santé.</p>
<p>Il faut espérer que le discours analytique, grâce au transfert qu’il peut déclancher, puisse mieux éclairer les travailleurs sociaux dans leur pratique, les déculpabiliser de ne pouvoir répondre à l’impossible, les orienter dans le repérage des demandes et leur faciliter la possibilité d’adresser dans d’autres lieux -soignants- les sujets qui en relèvent.</p>
<p>Ainsi « du psychanalyste » aura contribué à ce que la psychanalyse demeure un symptôme. (Lacan, &#8220;La Troisième&#8221;).</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>* Je remercie Annie Staricky, psychanalyste, pour ses précieuses remarques et son texte « À quelles conditions un collectif peut-il être soignant ? » ( <em>Le Coq Héron</em>, courants cliniques,n°145, 1997) qui a inspiré mon écrit.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Bandes&#8221; urbaines, violences et logique de la ségrégation</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Louis Sciara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2014 12:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bandes » urbaines]]></category>
		<category><![CDATA[Bandes » urbaines violences et logique de la ségrégation]]></category>
		<category><![CDATA[Louis Sciara]]></category>
		<category><![CDATA[violences et logique de la ségrégation]]></category>
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					<description><![CDATA[La violence fait partie des composantes anthropologiques de notre humanité. Que l’homme soit un loup pour l’homme, qu’il se débatte depuis toujours avec ses pulsions destructrices et meurtrières, qu’il ait à les canaliser pour faire lien social et acte de civilisation, ne peut donc nous étonner. Il n’empêche que la question de la violence devient plus familière, qu’elle baigne notre quotidien, qu’elle est de plus en plus ostensible dans un monde numérisé où la diffusion des informations obéit à un principe d’immédiateté, à une propension à la mettre en image, à l’afficher. Ce n’est pas sans retentissement sur notre manière de l’appréhender.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Louis Sciara<br />
Psychiatre, psychanaliste</p>
<p align="left">La violence fait partie des composantes anthropologiques de notre humanité. Que l’homme soit un loup pour l’homme, qu’il se débatte depuis toujours avec ses pulsions destructrices et meurtrières, qu’il ait à les canaliser pour faire lien social et acte de civilisation, ne peut donc nous étonner. Il n’empêche que la question de la violence devient plus familière, qu’elle baigne notre quotidien, qu’elle est de plus en plus ostensible dans un monde numérisé où la diffusion des informations obéit à un principe d’immédiateté, à une propension à la mettre en image, à l’afficher. Ce n’est pas sans retentissement sur notre manière de l’appréhender.</p>
<p>Cet article puise largement ses sources dans un livre que j’ai intitulé, <i>Banlieues – Pointe avancée de la clinique contemporaine</i>, paru aux éditions Erès en avril 2011. Il s’agit d’un essai sur la clinique actuelle à travers le prisme de ce qu’il est convenu d’appeler en France le phénomène des « banlieues ». En fait, le signifiant « banlieues » stigmatise et focalise l’attention médiatique et politique sur des territoires de ségrégation sociale. Il devient synonyme du malaise social propre à la société française depuis une trentaine d’années. Ces territoires représentent la caisse de résonance, la plus significative à mon sens, de la propagation d’une logique de la ségrégation qui se répand en France, rendant compte d’une dynamique plus globale, pour ne pas dire mondialisée, car elle touche tous les continents. Je soutiens l’hypothèse qu’elle est l’effet direct de l’incidence de ce que Lacan appelait le « discours du capitaliste »<a id="_ftnref1" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn1" name="_ftnref1">(1) </a>. Ce discours est celui qui sous-tend l’économie libérale. Il anime les marchés financiers, il est sans point de butée, sans les dimensions de l’impossible et de l’impuissance qui structurent les quatre discours que Lacan avait définis (discours du maître, discours de l’hystérique, discours de l’université, discours du psychanalyste). Il engendre un cercle vicieux infernal de production de toujours plus d’objets de consommation, ce qui donne l’illusion que du manque qui nous constitue comme sujet nous serions soulagés, dès lors que chacun d’entre nous pourrait trouver sur le marché l’objet propre à assurer sa jouissance singulière. Je soutiens dans cet ouvrage que son impact a des conséquences cliniques sensibles, puisqu’il modifie la phénoménologie du trépied structural freudien (névrose, psychose, perversion), surtout la clinique des névroses par le biais de nouvelles modalités d’expression de la division subjective qui traduisent un certain démenti, devenu ordinaire, de la loi de la castration et, par delà, de la fonction paternelle qui est au cœur de l’ordre symbolique depuis l’émergence du monothéisme. La clinique contemporaine témoigne de cette évolution, car le « discours du capitaliste » subvertit fondamentalement les structures subjectives du langage (les quatre discours) du fait de leur étroite connexion et de leur circularité, en particulier celle du « discours du maître » dont l’écriture est celle de la structure du sujetui parle, sujet de l’inconscient. Il en résulte donc des remaniements dans notre rapport à l’ordre symbolique, celui des lois de la parole et du langage. Si le statut du sujet de l’inconscient n’est pas remis en cause, il n’en est pas de même pour la disposition subjective d’une partie des sujets contemporains, à savoir leur position subjective, leur rapport au « je » et à la parole, leur symptomatologie. Cette dernière est davantage dominée par les « mises en acte » (acting-out, passages à l’acte, tendance à l’agir). Elles prennent le pas sur la parole qui fait acte. Les sujets contemporains agissent en quelque sorte de plus en plus leurs conflits inconscients plutôt qu’ils ne les élaborent et ne les parlent. Parmi leurs « actions », les faits de violence individuelle et/ou collective sont notables, sans doute plus fréquents, comme l’atteste la pratique clinique avec les jeunes générations, en particulier celles qui vivent dans ces « banlieues » défavorisées.</p>
<p>Une difficulté émerge dans cette approche : la violence, sous ses diverses modalités, est certes appréhendable sur le plan sociologique, mais elle ne peut-être restituée sur le plan clinique qu’au cas par cas, prenant valeur symptomatique, témoignant d’un passage à l’acte ou encore d’une monstration adressée à l’Autre à l’insu du sujet concerné (acting-out). Pour passer du collectif à la singularité des cas la tache n’est pas si aisée, bien que Freud et Lacan nous aient transmis que tout fait social est un fait clinique. En tant qu’êtres dotés de la parole, nous sommes en effet inféodés au discours de l’Autre, c’est à dire au champ du langage et aux discours qui y circulent. J’évoquerai plus particulièrement dans cet article le problème des violences urbaines sous l’angle spécifique de la phénoménologie des « bandes » qui rassemblent des adolescents et des adultes jeunes résidant dans ces territoires de laissés pour compte. Je propose d’en étudier à partir de mon expérience clinique, les incidences subjectives. Ces « bandes » me paraissent paradigmatiques d’un pan de la clinique induit par une logique de la ségrégation qui essaime et se déploie dans le contexte d’une mondialisation de l’économie libérale et de ses effets subjectifs collectifs et individuels. Il faut savoir que ces « bandes » défraient de plus en plus l’actualité française, suscitant colère, angoisse, rejet, populisme sécuritaire, débat sur leurs causalités ainsi que sur les réponses politiques, sociales, éducatives à donner. Je m’appuie sur mon expérience clinique de psychanalyste et de psychiatre, surtout à la lumière de mon travail institutionnel dans deux banlieues proches de Paris. Je me réfère ainsi à mon ancien exercice de praticien responsable d’un centre médico-psychologique de secteur psychiatrique pour adultes à Nanterre et à mon travail actuel de psychiatre directeur d’un centre médico-psycho-pédagogique (CMPP) situé à Villeneuve Saint Georges. A Nanterre, ville hétérogène par la disparité socio-économique et urbanistique de ses quartiers, j’ai surtout suivi des personnes adultes en situation d’exclusion sociale, livrées à une errance ravageuse, mais aussi des habitants, le plus souvent âgés de 17 à 30 ans dont certains faisaient partie de bandes, vivant au sein de quartiers pauvres, dans des « cités », c&#8217;est-à-dire des grands ensembles construits dans les années soixante pour améliorer le confort de vie des populations logées jusqu’alors dans des bidonvilles. Quant à l’autre banlieue, elle est globalement bien plus pauvre que celle de Nanterre, sa population y est davantage exposée à la précarité et à la détresse économique, lesdites « cités » y étant plus nombreuses et formant l’essentiel du tissu social de la ville. Je reçois au CMPP des enfants, des adolescents et leurs familles. Parmi les enfants et adolescents, un certain nombre font allusion à leur appartenance à des bandes et/ou aux désagréments subis pour en avoir pâti.</p>
<p>Cette double expérience professionnelle auprès de personnes de tous âges et de diverses générations me permet de mieux différencier les problématiques cliniques de l’exclusion et de la ségrégation. Celles-ci, quoique corrélées, ne relèvent pas des mêmes logiques.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Dissémination de mini-territoires de ségrégation sociale</i></p>
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<p>La ban-lieue désignait autrefois l’espace d’environ une lieue autour d’une ville dans lequel l’autorité féodale proclamait les bans et avait juridiction, avant de qualifier le territoire et les localités qui environnent une grande ville. Elle a conservé dans la langue française la double acception de périphérie, à distance d’un centre ville, et de mise au ban, de mise à l’écart des individus, naguère condamnés, désormais rejetés de la culture et des richesses dont bénéficieraient les habitants du cœur historique des cités. Elle comporte une dimension d’altérité dans la France contemporaine avec un double versant de discrimination sociale et raciale. Elle dénote une inquiétante étrangeté, reposant de moins en moins sur des limites circonscrites, s’anonymisant au fur et à mesure de l’extension tentaculaire des mégapoles, à l’instar de l’urbanisation galopante qui se développe dans les diverses parties du monde. Bien entendu, il ne saurait être question d’une entité figée : la banlieue. Il y a banlieue et banlieue. Les banlieues sont plurielles, hétérogènes socialement, démographiquement, urbanistiquement, historiquement…</p>
<p>Plutôt que de circonscrire les problèmes de la détresse sociale au seul signifiant banlieue, je préfère parler de territoires de ségrégation sociale en milieu urbain. Les statistiques sont significatives : ils regroupent un peu moins de cinq millions d’habitants en France sur un total de soixante cinq millions. Leurs habitants cumulent les principaux indicateurs de difficultés sociales : chômage élevé (43% des jeunes hommes de moins de 25 ans), revenus faibles, un foyer sur cinq est en deçà du seuil de pauvreté contre un ménage sur dix dans le reste de la France, faibles qualifications professionnelles, une plus grande densité de familles nombreuses et de familles monoparentales, échecs scolaires plus fréquents, niveau culturel faible …. A cela s’ajoute une certaine discrimination raciale avec une sur-représentativité des populations étrangères et d’origines étrangères (enfants, petits enfants d’immigrés, sur fond ou non de passé colonial).</p>
<p>Je n’ignore pas que la violence, individuelle comme collective, soit un phénomène répandu, ordinaire, quasi-inévitable en raison de la concentration démographique dans des espaces de désœuvrement propres aux grandes villes de notre planète. Je ne saurai analyser son importance, ses causalités spécifiques dans un pays émergent comme le Brésil dont la force économique est en pleine expansion. De ma lucarne européenne et selon ma propre fantasmagorie, je ferai remarquer que le Brésil fait partie de ces pays contrastés qui, à la fois, font rêver, comme si c’était une terre paradisiaque de toutes les jouissances, et suscitent de vives réactions d’inquiétude, en raison des violences quotidiennes dont les médias font état. L’univers des <i>favelas</i> est perçu en France comme celui d’enclaves spatiales jouxtant des quartiers aisés, au sein de méga cités telles que Rio de Janeiro, Sao Paolo…Les <i>favelas</i> sont considérées comme des ghettos, hors la loi, de violences extrêmes, de délinquance, de trafics de drogues et d’armes, de corruption. Les représentations sans doute caricaturales que nous en avons en France méconnaissent la conjoncture brésilienne. Cependant, cette extension de la violence n’est plus étrangère à ce pays de la vieille Europe. Elle devient un objet croissant de préoccupations et d’enjeux dans la sphère politique. Elle s’étend à grande vitesse dans un monde de plus en plus libéral où les disparités socio-économiques deviennent plus criantes, mettant à mal de nombreuses populations, les plongeant irrémédiablement dans la pauvreté et la précarité. Dans ce mouvement expansif de mondialisation économique, la violence obéit dans chaque pays à des singularités historiques, politiques, culturelles, sociologiques…. En France, la « crise des banlieues » qui perdure depuis les années quatre-vingts fait de plus en plus craindre un glissement vers une ghettoïsation disséminée et fragmentée. Il est vrai que les questions raciales tendent de plus en plus à s’exacerber. Certains sociologues estiment que les « banlieues » présentent désormais les caractéristiques des ghettos nord-américains, voire brésiliens (or, je ne crois pas qu’au Brésil le phénomène de discrimination raciale soit de même nature, n’obéissant pas aux mêmes déterminations historiques, coloniales, politiques). Ce qui prévaudrait maintenant ce sont des micro-espaces de ségrégation sociale au sein des villes, à savoir des « quartiers », des « cités » de grands ensembles… Ce n’est plus l’apanage des banlieues pauvres situées en dehors des cités. Cette ségrégation vaut pour toutes les classes sociales, séparant aussi celles qui sont les plus proches, les faisant fuir les unes des autres, comme l’argumente dans un essai récent l’économiste Eric Maurin<a id="_ftnref2" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn2" name="_ftnref2"> <sup>(2)</sup> </a>. Il évoque un séparatisme social croissant dans la société française aussi bien pour les populations aisées que défavorisées, à la nuance près que les premières ont choisi leur lieu de vie, <i>a contrario</i> des secondes qui sont comme assignées à demeurer dans des lieux de relégation.</p>
<p>Les processus de ségrégation se déploient selon deux axes concomitants : d’une part, celui d’une propension à la globalisation, d’autre part, celui de sa fragmentation et de son pullulement sous forme de micro-ségrégations. Les travaux de Marc Augé<a id="_ftnref3" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn3" name="_ftnref3"> <sup>(3)</sup> </a>sont tout à fait enseignants à cet égard et confirment cette dynamique. Tout en faisant valoir l’urbanisation du monde, il oppose « le monde-ville » à la « ville-monde ». Il souligne leurs aspects contradictoires : « contradiction entre l’existence proclamée d’un espace continu et la réalité d’un monde discontinu », contradiction entre le monde de la connaissance, des richesses, de la culture et celui des réalités sociales « où beaucoup d’hommes se sentent à la fois arrachés à leur passé (flux migratoires) et privés d’avenir ». Le « monde-ville » se constituerait selon un idéal d’uniformité, d’absence de frontières et de cloisonnements, en quelque sorte sur le mode d’une globalité dans une continuité supposée, à la manière d’un vaste réseau informatique de communication généralisée, d’échanges de biens, d’idées, de personnes. Il relève d’une dynamique idéologique issue du marché mondial financier avec les progrès technologiques qui en émanent. Il tendrait à faire Un et exposerait alors à un retour de bâton inévitable, celui d’un éclatement. A ce concept, M. Augé oppose donc la « ville-monde ». Elle contredit les illusions du modèle idéalisé de ce « monde-ville ». Elle condense non seulement la diversité des populations, des langues, des cultures, des religions, mais aussi les nombreuses disparités sociales, économiques, architecturales, environnementales… Elle montre que « le tissu urbain est aussi bariolé que déchiré ». Il n’y a de fait aucune continuité, uniquement des discontinuités. Ainsi, plus la globalisation induite par l’économie de marché tend à s’imposer, plus elle expose à des séparatismes impitoyables, discriminants, autrement dit ségrégatifs, ce qui détermine de plus en plus la recherche de l’entre soi, les replis identitaires, les vœux communautaires, les communautarismes, religieux, ethniques, sociaux, raciaux…</p>
<p>Avant de donner une lecture analytique de la logique de la ségrégation, il me faut la différencier de celle de l’exclusion.</p>
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<p><i>Aspects cliniques et logique de l’exclusion</i></p>
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<p>L’exclusion, du latin <i>exclusio</i>, est « l’action de tenir quelqu’un à l’écart, de le repousser »<a id="_ftnref4" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn4" name="_ftnref4"> <sup>(4)</sup> </a>. Elle concerne avant tout l’individu, parfois aussi le groupe. Issue du verbe latin <i>excludere</i>, elle comporte une double polarité<a id="_ftnref5" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn5" name="_ftnref5"> <sup>(5)</sup> </a>. D’une part, <i>excludere</i>, c’est ne pas admettre, ne pas laisser entrer. Il relève de l’élimination d’un lieu, ce qui est repérable avec le préfixe « ex », c’est à dire dehors. D’autre part, le<i>cludere</i> provient de <i>claudere</i>, qui en latin signifie fermer, enfermer. Autrement dit, l’exclusion est un terme paradoxal aux relents d’oxymore qui conjoint un rejet à l’extérieur et une tendance à maintenir dedans. L’exclu n’est pas réductible à celui qui se retrouverait seulement dehors. Dès lors qu’il est nommé, il n’est pas sans une certaine reconnaissance sociale. Autrefois désignés « vagabonds », « clochards », « mendiants », les exclus sont actuellement appelés en France « sans domicile fixe », « sans abri ». D’une certaine façon, la société leur octroie un statut social, même au prix d’un regroupement collectif et anonyme de personnes démunies, ayant perdu leurs attaches personnelles et sociales, embarquées dans la même galère, ce qui tend à effacer leur singularité. L’exclusion n’est pas nouvelle et jalonne l’histoire de chaque civilisation. Sans doute les exclus contemporains sont-ils les marginalisés de la société de consommation, sans toit, sans revenus, sans lien social. Parmi les exclus, il y a aussi des migrants clandestins, dont certains ont quitté leur pays d’origine pour des raisons psychopathologiques avérées et non pour des raisons sociales. Cependant, mon expérience professionnelle à Nanterre me permet de faire part de la clinique la plus spécifique, à mon sens, de l’exclusion : celle de l’errance. Sa caractéristique princeps est l’atopie de certains parlêtres (l’être humain en tant qu’il parle) psychotiques dont le lieu subjectif n’a jamais pu s’inscrire, faute de castration symbolique pour leur octroyer un lieu dans l’Autre, dans le langage. Les exclus ont autrefois intéressé les psychiatres, en particulier ceux de la fin du XIXème siècle et du début du XXème. Ainsi, l’illustre aliéniste allemand, Emile Kraepelin, leur a accordé une attention toute particulière, décrivant l’hétérogénéité clinique fondamentale de ce « petit peuple si curieux des vagabonds »<a id="_ftnref6" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn6" name="_ftnref6"> <sup>(6)</sup> </a>: « débiles, épileptiques, buveurs, déments hébéphréniques, psychopathes »&#8230; Outre les patients alcooliques mentionnés, il faut ajouter désormais les toxicomanes (qui n’étaient pas d’une aussi grande actualité du temps de ce grand clinicien), les sujets aux névroses d’échec graves, invalidantes, présentant fréquemment des états dépressifs et pour lesquels la dimension masochique, la compulsion de répétition effrénée, les ruptures ou deuils non « métabolisés » sont monnaie courante. Il s’agit surtout d’insister sur les divers patients atteints de psychoses hétérogènes (au moins un quart des patients désocialisés, en état d’errance dans les rues). Parmi ces derniers, comment ne pas souligner les formes aiguës psychotiques (bouffées délirantes, manies, mélancolies, syndrome de Cotard<a id="_ftnref7" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn7" name="_ftnref7"> <sup>(7)</sup> </a>, moments féconds d’une paranoïa, d’une psychose hallucinatoire chronique, d’une schizophrénie) et surtout les cas de psychoses chroniques qui conduisent sur les chemins ces égarés de la vie que sont ces <i>parlêtres</i> sans lieu subjectif. Ce sont des patients soumis à leur automatisme mental, aux injonctions de leurs phénomènes hallucinatoires, aux exigences de leurs délires. Leurs déambulations traduisent bien souvent l’automatisme moteur qui s’impose à eux. Le recours à l’alcool, aux drogues, les accompagne dans leur errance. Il est frappant de constater le délabrement de leurs corps, abîmés qu’ils sont par leurs conditions de vie, par leurs abus de toxiques, leur dénutrition&#8230;. et les ravages de la déspécification et de la désintrication pulsionnelles en rapport avec leur psychose. Cette incidence massive sur le corps propre dans des situations aiguës est très importante. Elle introduit d’emblée la dimension de la mort, la question de l’assistance à personne en danger, ce qui nécessite de l’expérience pour ne pas tomber dans une précipitation aveugle. Elle renvoie le praticien à sa responsabilité dans son acte professionnel. Enfin, pour compléter ces quelques indications, je mentionnerai ces patients mélancoliques, « cotardisés », qui stupéfient les somaticiens devant leur anesthésie à la douleur lorsqu’ils se présentent avec des plaies béantes et qu’ils semblent en faire le constat, mais sans la plainte habituelle à tout être humain. Ce sont ces patients psychotiques qui nous font entendre qu’un corps n’est pas un corps quand il n’est pas métaphorisé et que la douleur la plus grande qui puisse advenir pour un être humain est de ne plus être affecté.</p>
<p>Dans toute la diversité de cette psychopathologie de l’exclusion, les violences qu’ils s’infligent (auto-mutilations, tentatives de suicide, suicides..) ou qu’ils commettent sur les autres font partie du quotidien de la jungle de la rue. Toutefois, elles ne sont jamais organisées selon une dynamique collective. Il n’y a pas de « bandes » d’exclus, pas de solidarité entre eux, chacun est plutôt préoccupé par sa survie personnelle, quitte à se défendre manu militari pour préserver le bout de territoire qu’il essaye de s’aménager dans la rue.</p>
<p>Cependant, la logique de l’exclusion prend toute son importance au regard du statut du sujet de l’inconscient. En effet, l’exclusion en constitue une caractéristique fondatrice. Le sujet au sens lacanien du terme, celui de l’énonciation, est représenté par un signifiant pour un autre signifiant. Il est évanescent par excellence, assujetti à une division qui l’empêche de faire Un, ce qui induit que l’identité n’est pas Une, malgré la dimension imaginaire véhiculée par le « moi » de chacun pour s’en convaincre. Pour qu’un <i>parlêtre</i> devienne sujet, il faut que dans le bain de langage dans lequel il est immergé depuis sa naissance ait pu s’opérer une coupure dans l’espace même du langage, autrement dit dans le lieu de l’Autre, celui du trésor des signifiants. Cette coupure relève de ce que les psychanalystes appellent la loi de la castration. La division du sujet qui en résulte correspond à une coupure entre deux signifiants, celle qui correspond à la chute de l’objet <i>a</i> singulier au sujet et cause de son désir ; cet objet est le reste réel qui choit de la division du sujet par le signifiant. Ainsi, la structure du sujet, celle du <i>$</i> (sujet divisé), repose sur une exclusion. Si subjectivité il y a, si position subjective il y a, ce n’est qu’au prix de cette exclusion de l’objet <i>a</i>. La relation fondamentale d’un sujet à l’Autre qui traduit notre aliénation au langage ne peut donc être réductible à une représentation imaginaire spontanée, trop schématique, qui sépare le sujet de l’Autre, le dedans du dehors et par extension l’inclus de l’exclu. Lacan nous incite en quelque sorte à accorder tout notre crédit à l’équivoque du terme d’exclusion. Il s’appuie pour cela sur la topologie et met en exergue le caractère indissociable du sujet et de son objet. Il souligne que le sujet est en « exclusion interne »<a id="_ftnref8" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn8" name="_ftnref8"> <sup>(8)</sup> </a>à son objet, ce qui revient à dire que le sujet est dans un rapport de coupure interne à l’objet qui cause son désir. Il est effet de langage et ne pourrait ni ne saurait se prévaloir de sa seule intériorité supposée, puisqu’il est assujetti à l’Autre, à la chaîne signifiante. C’est aussi cette exclusion qui donne la possibilité au sujet de se créer un lieu dans l’Autre, le lieu de son dire. C’est pourquoi, cette question du lieu du sujet est essentielle pour interpréter la pathologie de l’errance et si, faute de castration, un <i>parlêtre</i> n’a pas d’inscription de son lieu dans l’Autre, il est condamné à l’atopie, destin psychotique par excellence.</p>
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<p><i>La ségrégation : un processus collectif</i></p>
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<p>Au-delà de la tendance croissante à une stigmatisation discriminante à l’égard des « jeunes » des territoires de ségrégation, il existe une réalité patente des conduites violentes en ces lieux : conduites suicidaires de tous ordres et suicides, plus de violences physiques (bagarres duelles et collectives), plus de consommation de drogues, plus de faits de délinquance juvénile (vols, cambriolages, trafic de drogues&#8230;), plus de violences contre les symboles républicains de l’Etat ( de plus en plus d’affrontements contre les forces de l’ordre, mais aussi dégradations dans les transports, dans les écoles, les équipements collectifs tels que les immeubles d’habitation…), une plus grande fréquence d’émeutes urbaines (au début des années quatre-vingts, la « crise » des banlieues a débuté ainsi ; elle relevait alors d’une véritable quête politique de reconnaissance et de prise en compte des « différences », culturelles et surtout sociales, pour les jeunes générations issues des immigrations ) à la teneur politique de moins en moins nette et qui rassemblent désormais des jeunes gens non politisés, en état de désespoir social et de discrédit de toute autorité politique, enfin un phénomène des « bandes » qui prend un nouvel essor et sur lequel je vais mettre l’accent pour faire valoir un des deux pans de la logique de la ségrégation, celui de sa dérive perverse.</p>
<p><i>Segregatio</i> désigne la séparation en latin. Son caractère sans équivoque, radical, de mise à l’écart, d’isolement de l’individu ou du groupe, différencie la ségrégation de l’exclusion. La ségrégation introduit la dimension de mise au ban de la collectivité ou d’une collectivité. Elle sépare de la norme sociale ambiante, de l’appartenance aux lois usuelles de la société et de la reconnaissance qui en découle. Elle comporte le plus souvent une connotation de victime pour la ou les personnes concernée(s). Cependant, contrairement à l’exclusion, c’est moins l’individu qui pâtit de la ségrégation qu’une collectivité. Les exemples historiques, à diverses époques, dans différentes cultures, ne manquent pas. Je citerai l’esclavage qui a sévi du XVIème siècle au XIXème siècle et encore plus récemment les phénomènes de ségrégation raciale, par exemple la politique de l’apartheid en Afrique du sud. L’esclave n’était pas un exclu, il n’avait aucun statut social au départ, étant totalement inféodé à son maître, sans patronyme et appartenant à son propriétaire qui avait tous les droits sur sa personne. Il était individu indéfini, sans statut social légitimé, séparé du corpus social, victime de ségrégation en faisant partie de la communauté des esclaves.</p>
<p>Dans les processus de ségrégation, si c’est le volet collectif qui prédomine, ce n’est pas toujours la dimension victimaire qui prévaut. A l’heure actuelle, émergent de ci de là des engouements communautaires. Certaines personnes participent activement à leur ségrégation pour des raisons diverses, souvent par rejet des valeurs inhérentes à la société dans laquelle ils vivent. Ils peuvent alors revendiquer d’autres codes et prôner d’autres normes, au nom d’un idéal identitaire qui les lie les uns les autres, dans une communauté de semblables. Ils entretiennent alors leur mise au ban. Ils ne sont pas comme les exclus, à savoir des individus en souffrance tombés dans les franges miséreuses de la société, qui en subissent les conséquences sans chercher à faire communauté. Si exclusion et ségrégation obéissent en fin de compte à des logiques hétérogènes, elles peuvent être liées. Par exemple, j’ai eu à suivre un certain nombre de patients, jeunes adultes de quartiers « sensibles », qui avaient dû quitter leurs microcosmes familiaux, sociaux, leurs « bandes » et qui, peu à peu, de Charybde en Scylla glissaient sur les chemins de la désinsertion et de l’errance. Ces mêmes sujets pouvaient alors se retrouver en position d’exclu, prouvant ainsi que la bascule de la ségrégation à l’exclusion est une destinée individuelle possible.</p>
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<p><i>La ségrégation contemporaine : une conséquence du discours du capitaliste et de ses effets de démenti sur la division subjective</i></p>
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<p>J’inscris cette logique de la ségrégation comme une des conséquences majeures du discours du capitaliste par le démenti qu’il introduit sur la structure du discours du maître, la même que celle du sujet de l’inconscient : un sujet ($) est représenté par un signifiant (S1) pour un autre signifiant (S2) à condition de la chute de l’objet <i>a</i><a id="_ftnref9" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn9" name="_ftnref9"> <sup>(9)</sup> </a>. Freud a employé le terme <i>verleugnung</i> pour désigner le mécanisme du fétichisme, paradigme de la perversion. Il a été diversement traduit par déni, désaveu, démenti… Le terme de démenti me semble le plus approprié, car il est en rapport avec ce qui contredit une chose admise, convenue dans l’Autre. Il relève d’un savoir inconscient qui repose sur le refoulement. Il s’impose comme contradiction du savoir dans l’Autre, mais la loi de la castration y est déjà efficiente, a contrario du déni qui est une négation du savoir dans l’Autre par un clivage de motions opposées, contradictoires, indépendantes l’une de l’autre, l’une qui admet la castration, l’autre qui la dénie (notion freudienne de « clivage du moi » qui protège le pervers de la castration). J.P. Lebrun met l’accent justement sur le démenti pour faire valoir son impact majeur dans la clinique contemporaine à propos de la « perversion ordinaire »<a id="_ftnref10" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn10" name="_ftnref10"> <sup>(10)</sup> </a>. Il distingue les pervers sexuels, au sens freudien, qui en font leur « assise » des « pervers ordinaires » qui « se servent du démenti pour éviter la subjectivation ». Le démenti me paraît tout à fait correspondre aux effets de perversion sociale promus par le discours du capitaliste sur la fonction paternelle et la loi de la castration. Dans son écriture, Lacan fait d’ailleurs persister les barres qui indiquent le refoulement et donc la castration, y compris pour le sujet $. Il en ressort quelques éléments majeurs qui forment en quelque sorte la structure de ce démenti. Le sujet ($), qui n’a logiquement aucun accès direct à l’objet (<i>a</i>) qui structure son fantasme dans le discours du maître, est précisément soumis au diktat de son objet comme en témoigne le sens de la flèche. Cela pourrait lui laisser croire qu’il capterait enfin son <i>plus de jouir</i> grâce à la production et la consommation d’objets mis sur le marché. Dans un circuit continu d’une « machine à plus soif », sans les dimensions de l’impossible et de l’impuissance qui marquent la discontinuité, la perte, le Réel, inhérents aux autres discours, le statut du sujet se reformulerait ainsi : un S1, signifiant maître, est représenté par un sujet divisé pour un autre signifiant. Mais alors de quelle division s’agirait-il sans qu’il y ait de perte ? Quant au S2 (savoir), il est également sous la commande d’un S1 en place de vérité, ce qui soit dit en passant peut prendre la forme d’un pouvoir acéphale qui asservit l’autre, le contraint au travail pour produire toujours plus de savoirs technologiques de connaissance, au service d’une productivité qui met sur le marché des objets de consommation qui assureraient la jouissance de chacun.</p>
<p>Je soutiens que le démenti engendré par le discours du capitaliste sur le discours du maître a des effets sensibles sur la division subjective, impliquant de nouvelles dispositions subjectives pour les névrosés. Ils restent soumis à la castration, mais présentent pour certains une nouvelle phénoménologie qui colle à l’illusion que du manque ils pourraient se soustraire. Cette phénoménologie s’appuie sur un pseudo-colmatage de la division subjective à force de tentative de substitution de l’objet a par un objet concret. D’où, probablement, le recours accru aux drogues. C’est cet aspect de la clinique contemporaine devenu plus courant dans le lien social qui se retrouve avec acuité pour les jeunes générations des territoires de ségrégation sociale. Que la place d’autorité du S1 soit ébranlée correspond bien au malaise contemporain de la moindre prise en compte de l’autorité symbolique, celle de la fonction paternelle et de son opérateur princeps le phallus, ce signifiant qui conjoint le <i>logos</i> et le sexuel en sexualisant la chute de l’objet <i>a</i> entre S1 et S2 et qui détermine usuellement la division du sujet. Le discours du capitaliste induit une mise en cause de la différenciation des places dans le discours du maître en atténuant l’Altérité, en discréditant le savoir S2 qui normalement vient légitimer et tempérer le signifiant maître S1, évitant d’en faire un pur pouvoir arbitraire. Par le démenti qu’il promeut, le discours du capitaliste accentue la méconnaissance des lois du langage, réduisant le désir au besoin, proposant toujours plus d’objets de consommation pour pallier le manque. Par sa force dans le monde contemporain, par son effet de globalisation, il fait fi de la loi de la castration. Il met de surcroît à son service le « discours technoscientifique », celui qui est le principal artisan du progrès social, mais aussi de la mise sur le marché de ces objets technologiques dont nous devenons de plus en plus dépendants. Dans cette profusion d’objets réels qui circulent dans nos liens sociaux (surtout par l’Internet désormais), il ne faut pas omettre que nous vivons de plus en plus dans un monde de l’image et de la représentation. Cette civilisation planétaire de l’image renforce le besoin de s’approprier les objets de jouissance affichés, mais aussi la tendance aux identifications imaginaires, favorisant les effets en miroir sur le plan collectif, pouvant influencer les individus et les amener à donner moins de poids à la parole et au langage.</p>
<p>Des modifications cliniques sont en conséquence repérables. Elles se font l’écho du malaise contemporain qui concerne l’ordre Symbolique. Que ce malaise soit étroitement lié à la mise à mal de la fonction paternelle, en particulier dans le monde occidental, ne fait pas de doute. Qu’il soit corrélé au moins en partie aux conséquences du discours capitaliste sur la division subjective me semble perceptible. En tout cas, il n’est pas anodin que ces changements cliniques soient plus sensibles dans le champ des névroses. Celles-ci se présentent avec une phénoménologie nouvelle en raison des effets de perversion sociale que le discours du capitaliste engendre sur les autres discours, du fait de leur interdépendance de structure. Dans ces conditions, comment cette nouvelle phénoménologie clinique s’inscrit-elle dans une logique de la ségrégation ?</p>
<p>Pour cela, il est d’abord nécessaire de rappeler brièvement les trois modalités d’identification définies par Lacan à partir de l’élaboration freudienne : l’identification imaginaire ou identification hystérique, telle celle illustrée par l’histoire freudienne du pensionnat de jeunes filles, et qui ressort de notre aliénation fondamentale à l’image de l’autre lors du stade du miroir ; l’identification symbolique ou « identification de signifiant », celle d’un seul trait, <i>einziger Zug</i>, selon la terminologie de Freud ; enfin, partiellement en référence avec la première identification décrite par Freud (en rapport avec « le destin de l’identification au père »), mais aussi en donnant une acception plus large de l’<i>einziger zug</i> et qui interroge ce qu’il en est d’une première inscription, celle du <i>trait unaire</i> pour rendre compte de l’identification symbolique du sujet. Le <i>trait unaire</i> est fondamental. Il est lié à la marque à partir de laquelle il peut y avoir du Un pour un sujet, lui permettant de se compter et de se décompter, tout en déterminant sa capacité à se construire une identité symbolique par les diverses identifications de signifiant. Le sujet de l’inconscient se met en place à partir de cette première inscription du <i>trait unaire</i>. Pour Lacan, l’identification imaginaire (celle de l’image, de la représentation) en jeu lors du stade du miroir dépend de cette identification symbolique primordiale. Elles sont nouées. Le <i>trait unaire</i> vaut comme symbolisation d’une absence. Il n’est pas un trait positivé, il est précisément ce à partir de quoi il peut y avoir de la référence et qui rend possible la répétition signifiante. Lacan y repérait l’indice à la fois de la première identification symbolique du sujet, celle qui lui donne l’assentiment d’être Un, mais surtout essentielle à ce que le « sujet » soit représenté par un signifiant pour un autre signifiant. Aussi, <i>le trait unaire</i> est également, par son caractère d’affirmation et d’évanescence, la marque fondamentale de la mise en place de la fonction paternelle.</p>
<p>A mon avis, la logique de la ségrégation se déploie selon deux axes principaux : celui que je qualifie de dérive perverse et celui d’une psychose « collective ». Elle conjoint deux versants de l’identification. D’une part, celui de l’identification imaginaire, spéculaire, modalité qui repose sur une identification croisée aux semblables, dans l’horizontalité des relations entre <i>alter ego</i> d’une même confrérie et qui participe d’un rassemblement, d’une massification. Ce versant vaut pour les deux axes cités. D’autre part, celui d’une identification à un trait réel &#8211; trait qui n’a pas la valeur symbolique inhérente au <i>trait unaire</i>&#8211; qui met donc en cause l’identification symbolique dans sa fonction et son efficace. Une telle défection symbolique traduit une mise à mal de la fonction paternelle et touche à son rejet, à sa forclusion. Elle correspond à cette pente « psychotisante » de la ségrégation qui prend l’allure d’une paranoïa collective, centrée autour d’un trait réel qui fait Un, qui fait certitude dans l’Autre. Nous en avons des traductions sociales en pleine expansion : celle des engouements passionnels et fanatiques pour telle ou telle idéologie totalitaire, religieuse, philosophique ou politique, qui conduisent aux embrigadements dans des sectes, parfois au terrorisme. Les communautarismes s’inscrivent dans ce mouvement, réveillant des revendications identitaires xénophobes, dans un monde qui se fragmente d’autant plus qu’il se globalise. Ils poussent au culte de La norme qui serait Une, opérant par une unification à un trait réel et non pas symbolique. Ils rejettent tout ce qui ne serait pas conforme à cette norme Une. <i>Grosso modo</i>, dérive perverse ou registre psychotique, la ségrégation ébranle les fondements de l’identification symbolique des <i>parlêtres</i> et témoigne de la mise à mal de la fonction paternelle, puisque c’est elle qui la détermine. La pente la plus radicale de la ségrégation se fonde donc sur une absence d’identification symbolique. Elle procède d’un collage à une trace réelle qui justement ne fait pas trait. Elle n’est pas de l’ordre d’une identification différenciée. Elle est concevable comme une réduction du <i>trait unaire</i> à la coche réelle et non plus à la symbolisation de cette coche. La marque réelle ferait bel et bien référence identificatoire en étant réduite au signe (ce qui désigne quelque chose pour quelqu’un) et non au signifiant (qui renvoie à un autre signifiant).</p>
<p>Cette lecture de la ségrégation ne suppose pas pour autant qu’il y ait un continuum entre dérive perverse et psychose « collective » (Lacan parlait de « psychose sociale »), puisqu’elles relèvent d’un Réel clinique hétérogène. Marcel Czermak a évoqué dans plusieurs de ses articles la logique hypocondriaque, cotardienne. Elle est du même ordre que cette « psychose sociale » : pousse à la complétude qui aboutit à une mort du sujet psychotique et tentative concomitante de décomplétude par des passages à l’acte. Autrement dit, une logique de globalisation/ fragmentation spécifique de la ségrégation comme je l’ai précédemment stipulé. Je ne ferai référence qu’au versant de la dérive perverse pour évoquer les problèmes de violences.</p>
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<p><i>Dérive perverse et ségrégation : les « bandes » comme paradigme clinique</i></p>
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<p>Cette dimension de dérive perverse est nettement repérable dans les territoires de ségrégation sociale avec ces « jeunes des cités » qui rejettent d’autant plus les normes de la société française qu’ils s’en sentent bannis, se sachant au bas de l’échelle sociale et économique. Certains se rassemblent, forment des « bandes ». Ils semblent particulièrement aspirés par une dynamique consumériste et sont enclins à des exactions, à des trafics divers, versant ainsi dans la délinquance. Les « bandes » ne sont pas un phénomène nouveau en France. Leur origine remonte au XIXème siècle, au moment de l’industrialisation, de la naissance des classes laborieuses, de leur déplacement vers la périphérie des grandes villes. Depuis les années cinquante, se sont succédés les « blousons noirs » (dont la moto était l’objet culte d’un modus vivendi, d’un voeu de liberté ostensible), « les loubards » et depuis une dizaine d’années lesdites « bandes de jeunes ». Le qualificatif « jeune » devient ainsi curieusement discriminatoire. Selon le sociologue Gérard Mauger<a id="_ftnref11" href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftn11" name="_ftnref11"> <sup>(11)</sup> </a>, le monde des « bandes » réunit « la fraction la plus démunie des familles populaires ». Les familles issues de l’immigration y sont surreprésentées puisqu’elles vivent en majorité dans les « cités ». Les bandes ne sont pas pour autant « ethniques ». Elles « réunissent des jeunes chômeurs sans qualification », des lycéens, des collégiens « d’un même quartier, d’une même cité, d’un même groupe d’immeubles, d’une même cage d’escalier : il se trouve que bon nombre d’entre eux sont issus de familles immigrées, mais les Français d’origine en sont rarement absents ». Ce sont essentiellement des bandes de garçons, les filles en sont le plus souvent écartées, encore qu’elles aussi commencent à s’organiser en bandes. Les filles, surtout dans les familles d’immigrés, sont très surveillées, à la fois convoitées par des garçons d’autres bandes et susceptibles de trahison, au regard du code d’honneur familial, ce qui peut conduire à des violences gravissimes. De ces diverses bandes émane une fascination pour l’argent avec des aspirations consuméristes majeures, dans un esprit de revanche sociale par rapport aux classes sociales aisées. La force physique y est capitale et constitue un moyen de domination, d’exercice du pouvoir vis-à-vis d’autres bandes. L’individualisme masqué par l’appartenance à la bande y est à son comble. Les membres de la bande semblent fonctionner comme en dehors de la société, établissant leurs codes internes, leur langage commun et identitaire.</p>
<p>Depuis 2005, des émeutes se sont produites en France dans ces « banlieues » pauvres, indiquant à quel point un profond malaise social est redondant. Parmi les émeutiers, beaucoup de protagonistes font partie de « bandes ». Leurs violences s’apparentent à des exactions de toutes sortes et témoignent d’incivilités, en particulier lors de dégradations de symboles de la République (écoles, monuments, institutions républicaines…). Or, ils se révèlent non politisés, à la dérive, protestataires actifs, révoltés et, pour certains, délinquants avérés et asociaux. Ils sont désespérés, sans perspectives d’avenir. Ces émeutes ne sont pas le fait d’une organisation politique sous-tendue par une conviction idéologique. Elles témoignent d’un univers hétérogène de violences, d’impasses, d’incertitudes, pour une jeune génération déboussolée de laissés pour compte. Avec ces « bandes » se retrouvent les deux versants fondamentaux de la logique de la ségrégation : la mobilisation d’un collectif et sa fragmentation. Sur ce dernier point, il faut en effet souligner leur diffraction, leur rivalité, leur tendance à se faire la guerre pour conserver et étendre leur micro-territoire. Elles ont cependant un ennemi commun : la police, elle-même considérée parfois comme … une bande rivale, comme le souligne Gérard Mauger !</p>
<p>A partir de ma pratique clinique, je peux dégager quelques traits cliniques caractéristiques de ces jeunes gens des bandes. Il en ressort un point de difficulté notable. Il n’est pas étranger à la spécificité de cette clinique : très peu d’entre eux se prêtent à un suivi, encore moins à une « psychothérapie ». Je n’évoque même pas la question d’une psychanalyse dans le cadre d’une institution soignante, aussi influencée soit-elle par le discours psychanalytique. En fait, « les jeunes des cités », membres de bandes, consultent le plus fréquemment sur injonction judiciaire, sur forte recommandation scolaire, éducative, parentale. Ils le font au décours de violences de toutes sortes, parfois au moment d’un raptus anxieux, pratiquement jamais à leur initiative. Ils n’ont quasi-jamais de demande de soins spontanée. Les situations les plus favorables sont celles pour lesquelles un travail d’accompagnement en amont a été initié, permettant une certaine ouverture transférentielle. Cette sorte de préparation à une consultation possible met l’accent sur le rôle capital d’éducateurs, d’assistantes sociales, de psychologues scolaires, de professionnels qui interviennent dans des structures sociales, judiciaires, éducatives, dans des points d’accueil d’adolescents, dans des centres de loisirs ou culturels. Sans cette amorce transférentielle initiale, sans une relation personnalisée avec un professionnel qui a pu gagner leur confiance, ils ne s’adresseraient pas à un « psy » d’une institution soignante. En soulignant ces difficultés, je ne me réfère pas bien sûr aux adolescents et jeunes adultes qui ont à faire avec des soignants dans un moment de décompensation aiguë ou subaiguë, ce qui ne leur laisse plus trop le choix.</p>
<p>Je me fonde sur trois registres d’expérience pour mettre au travail la clinique de ces patients : celui de patients qui consultent ponctuellement ou sur une courte durée, celui plus surprenant de patients qui ne révèlent leur appartenance à une bande qu’une fois débuté un suivi, à l’occasion d’un problème rencontré au sein de leur groupe et enfin, celui qui est le plus enseignant, le cas de ces patients qui ont quitté ce microcosme de la bande, qui peuvent en témoigner dans l’après-coup, avec du recul, souvent parce qu’ils ont commencé à interroger leur trajectoire de vie. Ces derniers peuvent d’ailleurs s’y mettre des années plus tard et certains le font sur le divan d’un psychanalyste.</p>
<p>Ces patients présentent des caractéristiques cliniques qui me semblent représentatives des nouvelles modalités d’expression de la division subjective que nous constatons dans la clinique contemporaine. Je les rattache aux effets de « perversité » du démenti induits par le discours du capitaliste sur la structure du sujet divisé, celui de la parole, et sur les autres discours, ce qui traduit une mutation du lien social. Elles ne sont pas circonscrites aux « jeunes » de ces zones de relégation, elles sont tout simplement paradigmatiques de l’évolution plus globale de la clinique du fait de remaniements dans le Symbolique. J’insiste néanmoins sur le fait que le trépied structural freudien (névroses, psychoses, perversions) garde toute sa valeur, cependant que la « perversité » se retrouve à divers échelons de la clinique actuelle : changements très relatifs dans la clinique des psychoses, plus marqués dans celle des perversions, non pas sous l’angle freudien des perversions sexuelles qui demeurent identiques, mais sous celui de la perversion sociale, modifications encore plus nettes de la clinique des névroses que je qualifie de « clinique contemporaine des névroses » au titre de sa phénoménologie évolutive. Pour autant, ces « jeunes » étant pour beaucoup des adolescents, ces caractéristiques nécessitent d’être réfléchies au regard des remaniements structuraux à l’œuvre à cette période cruciale de leur vie et ne permettent pas de conclure trop hâtivement sur leur devenir singulier.</p>
<p>&#8211; Le langage : celui des « cités » est très codé. Il est essentiel dans le microcosme de la « bande ». Langage commun, vernaculaire à l’instar d’un argot, il a une fonction identitaire, bien qu’il fasse désormais partie intégrale de la langue française qui en a adopté des mots, des expressions. Il permet de parler entre soi, de se conforter dans l’idée que tout ce qui est Autre est étranger à la « bande ». Ce langage, brassage de plusieurs langues de jeunes gens d’origines diverses, permet en tout cas qu’il n’y ait pas, dans la majorité des bandes, de barrières ethniques. En ce sens, il rassemble, il est fraternel et s’il est commun avec les autres bandes, il n’en est pas moins la propriété de chacune. Il est fondé sur une langue inventive, par certains aspects, avec son vocabulaire, ses codes, son phrasé, mais aussi sur le langage du corps, la gestuelle, les choix vestimentaires, les goûts musicaux…propres à chaque « bande ». Mon hypothèse est que ce « langage des cités » est emprunt des effets du retentissement du démenti dont j’ai fait état sur la division subjective. Ces jeunes adultes et adolescents manient une langue qui fait plus de place à la métonymie qu’à la métaphore. Leur parler est souvent vif, rythmé par une oralité immédiate, insistante et explosive avec une sensible tension agressive. Les mots fusent sans ambages, avec une certaine crudité, à la manière des chanteurs de rap. Un certain nombre de signifiants, souvent à connotations vindicative et sexuelle infiltrent un langage où s’entremêlent des phrases ordinaires et des termes en verlan. Les phrases sont courtes, avec des scansions perceptibles, pour ne pas dire marquées et quelque peu stéréotypées. Ce langage paraît plus soumis aux codes qu’aux messages.</p>
<p>&#8211; Le rapport à l’Altérité et, plus globalement, la question de la position subjective sont spécifiques. Ils ont peu le souhait de s’exprimer et ne semblent pas aptes à subjectiver leurs propos, tellement ils paraissent insipides, pauvres, faisant valoir avant tout combien ils sont les uns et les autres victimes de la même galère sociale, par identification imaginaire. Cependant, ce n’est pas de l’ordre d’un défaut de réflexion dû à leur bagage scolaire et culturel souvent trop maigre. Le souci d’historiciser leur vie n’est pas au premier plan. Il y a même un certain évitement à restituer, par exemple pour lesdits jeunes français « issus des immigrations », le parcours d’émigration de leurs parents et grands parents, faisant comme s’ils n’étaient pas au courant ou ne s’en souciaient pas, sans compter que cela ait pu être passé sous silence, pour ne pas dire refoulé, dans leurs familles. La curiosité d’une appartenance à la langue et à la culture parentales est peu évidente pour ces jeunes hommes (elle est plus nette dans l’ensemble pour les jeunes femmes), sauf dans les cas devenus plus fréquents pour lesquels les enjeux identitaires reviennent en force, entre autres, par le biais de la religion. Peut-être est-ce ainsi par crainte de trop de discrimination ou de préjugés négatifs de la part du clinicien qui les reçoit. Il existe chez nombre de jeunes garçons nés en France mais marqués par les signifiants de l’ « origine », de l’ « étranger », un sentiment d’appartenance à la bande de leur « cité » qui les baigne dans une subjectivité qui ne se réclame ni de leur langue d’origine ni de la langue française, mais relève d’un micro séparatisme énigmatique : celui d’un entre-deux qui les laisse dans un no man’s land, dans un rapport au présent qui serait comme délié de tout arrimage symbolique à leur culture d’origine comme à la culture française. Le plus marquant c’est le peu de poids qu’ils semblent accorder à leur propre parole. Peut-être est-ce en grande partie lié au fait de s’adresser à un « psy », c&#8217;est-à-dire à quelqu’un envers qui ce n’est pas la confiance qui règne… Bien sûr, il faut tenir compte des conditions de leurs demandes, ce qui suscite au moins dans un premier temps réactions de prestance, rébellion, hostilité, jusqu’à une agressivité affichée. Il est clair qu’ils ne sont pas sans avoir intégré leur appartenance à un environnement social et familial stigmatisé, avec la représentation dévalorisée qui en découle. Cela incite à être plus vigilant dans le transfert, notamment à faire preuve de respect à leur égard, comme à veiller au respect qu’ils doivent au praticien. Il y a pourtant un paradoxe dans ces « bandes » : ces notions de respect et de parole ne se sont en effet pas du tout volatilisées, puisque dans leurs codes internes elles ont une grande place, elles sont très importantes au titre de la parole donnée et du code d’honneur qui régit les trafics internes. Mais, je crois qu’il s’agit aussi d’autre chose, je dirai une vraie difficulté à authentifier, à engager leur parole, ce qui dilue d’autant plus la question de leur responsabilité personnelle dans la parole à soutenir. C’est pourquoi, leur position subjective est surtout marquée par une sorte de flottement énigmatique, de discours impersonnel que j’attribue, non pas à une absence d’Altérité, ni vraiment à une banalisation névrotique, mais à un discrédit du savoir dans l’Autre. Le S2 subit les effets du démenti qui circule dans le social et qui réduit le langage à un instrument de communication, à l’instar du langage informatique et électronique qui a envahi notre quotidien. Il en résulte une méconnaissance accentuée de ce qui peut faire symptôme pour chacun, de leur savoir inconscient. Cette dévalorisation de la parole et du discours relève à mon sens d’un effet de recouvrement de la division subjective. Je le qualifie de « pseudo-suture ». Ils disent des paroles mais font comme s’ils ne s’attribuaient ni leurs dires ni la portée de ces dires, ce qui induit une sorte d’inertie dialectique. Leur agressivité est aussi liée à cela. Sans oublier que leur rapport au temps est marqué par l’immédiateté. Ainsi, ils ont du mal à prendre du recul en cas de conflit, prenant au pied de la lettre les moindres propos tendancieux, susceptibilité qui les pousse à en découdre<i>in petto</i>, comme si la seule réponse possible n’était que la force.</p>
<p>&#8211; Il n’est donc pas étonnant que le registre de l’agir prenne le dessus sur celui de la parole. Les diverses passages à l’acte sont assez explicites en ce sens. Ce court-circuitage de la parole est largement facilité par l’usage ordinaire et quotidien, pour beaucoup, de drogues diverses, d’alcool, à des niveaux de consommation variables. Cette place si ancrée du recours à un toxique, dans leur <i>modus vivendi</i>, témoigne de la nécessité d’avoir à portée de main un objet réel. Cela en dit long sur leurs capacités à supporter la dimension du manque. Cet impératif les pousse à se le procurer au prix de violences. Cette façon de coller à un objet concret pour supporter leurs existences rend compte d’une dérive perverse, même si l’objet drogue ne prend pas valeur de fétiche. Par ailleurs, le recours aux armes est aussi facilité par la présence et l’infiltration de milieux mafieux qui savent aussi utiliser ces bandes de jeunes à dessein et les entretenir dans un engrenage de malversations diverses.</p>
<p>&#8211; La grande attirance qu’éprouvent ces jeunes gens pour les objets de consommation (vêtements de marques, objets <i>high-tech</i>..) traduit aussi leur fascination à se procurer les mêmes objets de jouissance que les fils de bourgeois. Elle dénote l’ancrage, l’influence, l’emprise de l’économie de marché dans ces lieux de ségrégation sociale et l’impérieuse nécessité de pouvoir en jouir, au nom des idéaux sociétaux ambiants, ceux du profit, de la richesse, de la réussite. Leur souci majeur est en effet de se procurer « la thune » (l’argent dans le « langage des cités ») qui leur fait défaut à tout prix. Que cela induise des pratiques délinquantes et qu’elles soient alimentées par la pègre locale n’est donc pas surprenant. Pour ceux qui se livrent à des <i>deals</i>, l’effet du manque qui les constitue comme sujet est démenti par leur jouissance à se satisfaire des produits du marché. Ils se traitent et traitent leur semblable en objet instrumentalisé, ce qui les réduit eux-mêmes à n’être que les objets de leur propre trafic. La dérive perverse se confirme.</p>
<p>&#8211; Les difficultés symboliques que ces patients rencontrent leur font éprouver la nécessité de se regrouper en bandes. Elles révèlent à quel point l’autorité symbolique paternelle est en défection et combien ils la recherchent. Elles sont repérables dans le fonctionnement et la structuration de ces bandes. Il y a un chef, le plus âgé ou le plus fort ou le plus craint. Tous les membres, bien que frères de galère, n’occupent pas la même place. Ils n’échappent pas à une hiérarchie ni à une diversité, malgré le sens du partage dont ils font parfois état. Le culte de la virilité y est exacerbé et les rites initiatiques dans les risques à prendre, les défis à transgresser, sont autant d’expériences qui mettent à l’épreuve et qui les font se jauger les uns les autres. Comme dans tout groupe. Les affrontements entre bandes sont l’occasion de faire la preuve qu’ils sont bien des hommes n’ayant pas peur de se battre. Ils montrent leur solidarité vis-à-vis du groupe comme du chef. Tous les excès de boissons, de drogues, de vitesse sont des défis lancés à leur virilité et au delà, un défi à la mort. Il ne faut jamais perdre de vue que ce sont des adolescents qui composent la grande majorité de ces bandes. Les enjeux de conquêtes de filles, sœurs ou petites amies des garçons du clan adverse sont également très valorisés. J’ajoute que certains enfants dans le primaire peuvent confier désormais qu’ils commencent à intégrer des bandes « pour avoir une protection », car dans certaines écoles, ceux qui n’en font pas partie se font taper et deviennent des boucs émissaires. La bande par ses effets imaginaires de miroir, de ralliement, de reconnaissance entre frères, fait office de « prothèse imaginaire », de suppléance à la déliquescence de la fonction paternelle. Elle rassemble ainsi des jeunes personnes en déshérence (terme juridique qui rend compte, en l’absence d’héritier pour recueillir une succession, de la charge qui en incombe alors à l’Etat ; par extension à la loi symbolique, cela traduit une modalité contemporaine propre à certains névrosés de refuser la dette symbolique qui leur échoit au titre de leur inscription dans une filiation et de la laisser porter par d’autres, y compris par l’Etat), c’est à dire qui ont du mal à se situer dans la chaîne générationnelle de leurs aïeuls, mais qui surtout adoptent une position subjective de démenti par rapport à ce qui leur a été transmis.</p>
<p>&#8211; Enfin, il y a dans ces bandes des <i>parlêtres</i> aux diverses structures cliniques. La dérive perverse de la bande peut entraîner des personnes psychotiques et même parfois les protéger, pendant un temps, d’une décompensation. Elle peut aussi permettre à des pervers de trouver le moyen de jouir de leur perversion et de la déployer. J’avancerai que se retrouvent aussi dans ces bandes des jeunes névrosés égarés transitoirement sur ces chemins de traverse. Certains parviennent à s’extirper progressivement de cette aliénation de la bande, grâce à une rencontre avec un tiers, un ami, un aîné, une personne de la famille qui a été là au bon moment. D’autres trouvent une échappatoire artistique : rappeurs, <i>slameurs</i>, adeptes de la <i>breakdance</i>&#8230; D’autres enfin peuvent, par le biais d’un travail transférentiel, parvenir à se sortir de cette ornière de la bande. Pour ceux-là, il a fallu la rencontre avec un analyste. Celle-ci a nécessité un temps préliminaire souvent conséquent. Sur ma propre expérience, il me semble que le clinicien doit apprendre à composer, dans un maniement du transfert souvent fort délicat qui en passe par un savoir faire particulier : accepter d’occuper vis-à-vis de ces patients une place de semblable, d’alter ego qui se met à la portée de leurs difficultés, tout en essayant de maintenir de l’Altérité. Ce temps préliminaire s’avère indispensable pour que quelque chose se déplace dans leur position subjective. Si cela opère, le gel de la subjectivité fait alors place à la dimension et à la singularité du symptôme jusque-là comme enfouies. C’est à ce prix que les mises en acte avec leur cortège de violences peuvent céder le pas à la parole qui ferait acte.</p>
<p>&#8211; Il est remarquable enfin que l’Altérité, sous son angle <i>princeps</i> de la différence des sexes, ne soit pas vraiment mise en cause dans cet univers des bandes. Elle persiste très nettement et ce n’est pas l’intégration de certaines filles qui cherchent à montrer qu’elles sont capables de faire comme les hommes et même mieux qu’eux, qui vient le démentir. De plus, quand bien même la consommation de drogues est très prégnante, elle est dans l’ensemble plutôt un adjuvant à la jouissance sexuelle qui contribuerait à l’exacerber qu’un enfermement dans une jouissance addictive exclusive qui s’y substituerait.</p>
<p>Les bandes urbaines constituent bien un paradigme de la dérive perverse de la logique de la ségrégation. Cependant, certains glissements sont très inquiétants. Ainsi, lors de combats entre bandes rivales (bandes qui souvent portent comme nom le signifiant de la « cité » ou du quartier dans lesquelles elles sévissent) le toponyme peut coller à la peau au point de devenir le porte-drapeau réel de leur lieu d’habitation. Dans ces cas, la bande prend la forme d’une paranoïa collective. Elle s’emploie à défendre son territoire coûte que coûte, comme pour faire Un, pour faire ciment commun. Nous avons donc intérêt à en prendre la mesure.</p>
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<p><a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref1" name="_ftn1">1.</a></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3649" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara1.jpg" alt="sciara1" width="361" height="109" srcset="https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara1-300x90.jpg 300w, https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara1.jpg 361w" sizes="(max-width: 361px) 100vw, 361px" /></p>
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<p><a href="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3650" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara2.jpg" alt="sciara2" width="369" height="170" srcset="https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara2-300x138.jpg 300w, https://tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara2.jpg 369w" sizes="(max-width: 369px) 100vw, 369px" /></a></p>
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<p><a href="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara3.jpg"><img decoding="async" class="alignnone  wp-image-3651" src="http://www.tempofreudiano.com.br/wp-content/uploads/sciara3.jpg" alt="sciara3" width="355" height="275" /></a><br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref2" name="_ftn2">2.</a>E. Maurin, <i>Le ghetto français – Enquête sur le séparatisme social</i>, La République des idées, Seuil, 2004.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref3" name="_ftn3">3.</a>M. Augé, <i>Où est passé l’avenir?</i>, Panama, Paris, 2008.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref4" name="_ftn4">4.</a>A. Rey, <i>Dictionnaire historique de la langue française</i>, Le Robert, Paris, 1998.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref5" name="_ftn5">5.</a>A. Rey, <i>A mots découverts</i>, R. Laffont, Paris, 2006.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref6" name="_ftn6">6.</a>E. Kraepelin, « Criminels pathologique et vagabonds », <i>Introduction à la psychiatrie clinique</i>, Analytica, Navarin, 1984.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref7" name="_ftn7">7.</a>M. Czermak, « Signification psychanalytique du syndrome de Cotard », <i>Passions de l’objet</i>, Joseph Clims, Paris, 1986, p. 205/233.<br />
On doit à Jules Cotard, un célèbre aliéniste français, la description du « délire des négations » (1882) et à Régis, un autre aliéniste, d’en avoir souligné la symptomatologie en distinguant le « syndrome de Cotard »: manifestations d’anxiété, idées de damnation, de possession, d’énormité, propension au suicide et aux mutilations volontaires, analgésie, anesthésie affective, idées hypocondriaques de non existence et de destruction de divers organes, du corps tout entier, de l’âme, de Dieu, qui sont exprimées par ces patients sur un mode uniquement négatif (« je n’ai pas de&#8230; »), mais qui valent comme affirmations absolues, perte de la vision mentale et enfin la certitude d’être condamné à l’immortalité. Le Cotard est caractéristique d’une mélancolie anxieuse et d’une forme extrême d’hypocondrie qui témoigne d’une plénitude totale du sujet.. Marcel Czermak a permis d’en dévoiler sa haute valeur structurale. Le « cotardisé » est celui qui illustre typiquement le concept lacanien de « mort du sujet », cette mort symbolique qui plonge dans une perte totale de toute temporalité, de toute spatialité, du fait d’une totale complétude. Il en appelle alors à le tuer, à le décompléter, pour en finir avec cette insupportable douleur d’avoir à vivre éternellement.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref8" name="_ftn8">8.</a>Jacques Lacan, « La science et la vérité », Écrits, Seuil, Paris, 1966, p. 861<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref9" name="_ftn9">9.</a>L’objet <i>a</i> est cet objet que Lacan a inventé, qui cause la division du sujet, cause son désir et organise son fantasme. Il vaut comme manque d’objet et fait écho à l’ « objet perdu » de Freud.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref10" name="_ftn10">10.</a>J.P.Lebrun, La perversion ordinaire, Denoël, Paris, 2007.<br />
<a href="http://www.tempofreudiano.com.br/index.php/bandes-urbaines-violences-et-logique-de-la-segregation?cod=94#_ftnref11" name="_ftn11">11.</a>G.Mauger, <i>Les bandes</i>, Belin, Paris, 2006.</p>
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