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	<title>Anna Carolina Lo Bianco &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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	<description>O Tempo Freudiano é uma associação de psicanalistas, fundada em abril de 1998, no Rio de Janeiro.</description>
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	<title>Anna Carolina Lo Bianco &#8211; Tempo Freudiano Associação Psicanalítica</title>
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		<title>O ato no texto analítico: significação e autorização</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/o-ato-no-texto-analitico-significacao-e-autorizacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Anna Carolina Lo Bianco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2014 13:01:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Carolina Lo Bianco]]></category>
		<category><![CDATA[ato]]></category>
		<category><![CDATA[discurso analítico]]></category>
		<category><![CDATA[discurso universitário]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[O ato no texto analítico: significação e autorização]]></category>
		<category><![CDATA[palavra]]></category>
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					<description><![CDATA[Tomei como questão uma reflexão sobre o discurso psicanalítico e o discurso universitário tal como eles articulam um texto.

Meu objetivo foi tentar apreender o que faz de um texto analítico algo de diferente do texto que é composto do lugar do discurso universitário. Essa questão para mim é muito urgente porque, estando às voltas com o impossível que está na relação da análise com o discurso universitário, trabalhar a diferença entre os dois discursos é uma das maneiras que tenho encontrado de enfrentar essa condição.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Anna Carolina Lo Bianco</p>
<p>Tomei como questão uma reflexão sobre o discurso psicanalítico e o discurso universitário tal como eles articulam um texto.</p>
<p>Meu objetivo foi tentar apreender o que faz de um texto analítico algo de diferente do texto que é composto do lugar do discurso universitário. Essa questão para mim é muito urgente porque, estando às voltas com o impossível que está na relação da análise com o discurso universitário, trabalhar a diferença entre os dois discursos é uma das maneiras que tenho encontrado de enfrentar essa condição.</p>
<p>Parto da passagem do Seminário XVII, em que Lacan examina o uso de Sellin por Freud em <i>Moisés e o monoteísmo</i>. Tomo de início, vocês se lembram, a discussão com André Caquot, professor de Ciências Religiosas na École des Hautes Études, que a meu ver é um exemplo precioso do que são as posições sustentadas pelo discurso universitário e as que vêm do lado do discurso psicanalítico.</p>
<p>Lacan pede a Caquot que encontre no texto de Sellin alguns vestígios que indiquem algo sobre o assassinato de Moisés. Ele é movido pelo seguinte problema: “como, por que, Freud precisou de Moisés”, e, mais que isso, por que “precisou do assassinato de Moisés”.</p>
<p>É muito interessante acompanhar a discussão entre os dois, ver a diferença entre o que Lacan considera importante e o que Caquot ressalta do texto de Sellin; e, principalmente, é importante escutar a discussão, tendo em vista o que Freud escreveu!</p>
<p>Ao analisar o texto de Sellin, Caquot começa por delimitar a sua ideologia e a sua opção metodológica — e, em toda a sua fala, nos deparamos com a mesma preocupação, com a mesma crítica por não encontrar em Sellin uma prova mais segura, uma demonstração de que Moisés haja sido morto. Considera a hipótese de Sellin “frágil”, chegando a achar nela uma “imaginação desenfreada”, e se refere ao assassinato como um “pretenso assassinato” que Sellin “pensa” circunscrever — uma “conjectura gratuita”. Respondendo a uma pergunta de Lacan, Caquot menciona ainda que, a despeito do rigor e da clareza, o argumento era falso. Mas, o que chama mais atenção é que, por duas vezes, afirma que Freud teria usado a referência de Sellin por seu prestígio acadêmico, já que talvez a lembrança que Freud tivesse fosse a de uma passagem de Goethe em que esse autor “imaginava” (novamente a crítica) que Moisés havia sofrido uma morte violenta.</p>
<p>Acredito que a gente possa considerar a intervenção de André Caquot como bastante representativa de uma intervenção cuja estrutura esteja dada no discurso universitário.</p>
<p>Em contraposição a essas observações, por outro lado, encontramos uma breve menção de Lacan que nos oferece uma visão diferente do uso que Freud faz do texto de Sellin. Em seguida à exposição de Caquot e depois de alguns comentários, Lacan diz que Freud não se baseia em nada dessa articulação realizada por Sellin nas várias edições de sua obra. Ou seja, Freud procura no texto, muito pelo contrário, a “extraordinária latência” implicada na maneira de proceder de Sellin e, até certo ponto, é muito concebível que Freud haja valorizado justamente uma lembrança, uma suposição, que ressurge a despeito de todas as resistências.</p>
<p>Acredito que possamos avaliar o passo que Freud estava dando ao afirmar o assassinato de Moisés: basta lembrar as conseqüências que isso traz para o real que ele vem fundar na religião judaica e para todas as questões que tocam esse tema, seja a do recalque, a da recusa, a da tradição, a da transmissão ou outras. Podemos reconhecer aí uma maneira de operar que implica quem está escrevendo para além de sua vontade; ou seja, a operação não é automática e a garantia não está dada de fora: o que garante o achado que o texto traz é o ato de quem escreve. Freud, ao supor o assassinato de Moisés, seja a partir de sua leitura de Sellin ou de Goethe, usa esses autores como ponto de apoio para se lançar numa decisão conceitual audaciosa e corajosa e, nesse ponto, o ato de Freud é ao mesmo tempo um ato ético e um ato teórico, conforme Christiane Lacôte nota em relação a outros momentos da escrita freudiana. Nesse ponto, torna-se nítida a diferença entre o domínio do discurso universitário e a incidência do discurso do analista sobre o texto que está sendo produzido. Por um lado, nos encontramos em busca de coerência e consistência, como eu acho que é o caso de Caquot; por outro lado, ao considerarmos o discurso freudiano, estamos em outra dimensão. Não encontramos mais o apaziguamento assegurado pela citação, pelas referências aos grandes autores, a menos que se inclua aí uma relação de transferência, que não é uma crença cega.</p>
<p>O que vemos, então, Freud fazendo no seu texto é menos significar o assassinato de Moisés do que autorizá-lo. Acredito que essa distinção entre significar e autorizar possa ter eco entre o que é uma operação comandada pelo saber e outra comandada pelo analista no seu lugar de causa.</p>
<p>Talvez seja a isso que Lacan se refere quando fala que não vai dizer o que sabe sobre os nomes-do-pai ou que não vai sacanear a sua audiência fazendo-a entender o que é os nomes-do-pai. Porque, se a fizer entender alguma coisa, a chance de que as coisas mudem vai ser mínima. E a característica do que é dito a partir de um saber estabelecido é que o que quer que seja dito, “dos temas mais ardentes, até mesmo da atualidade política, por exemplo, seja apresentado, seja posto em circulação, de forma tal que não leve a nenhuma conseqüência”.</p>
<p>Acerca do discurso freudiano, ao contrário, pode-se falar tudo ou mesmo já se falou muito, mas não se pode dizer que ele não teve conseqüências&#8230;</p>
<p>Bem, mas nesse ponto eu acho que é preciso fazer ainda alguns movimentos para que a gente não caia num maniqueísmo em que se identifique um discurso como bom e outro como mau, ou então em algo que diga respeito à vontade daquele que articula um texto. Acho que há outras questões que têm que ser levadas em conta para que se possa situar o que eu estou chamando do ato no texto analítico. Porque, se ele é ato, não comporta um sujeito, menos ainda um eu da vontade ou da intenção.</p>
<p>Recorri então a um texto de Charles Melman “<i>Ce que nous avons oublié</i>”, em que ele, num colóquio sobre “a filiação entre a fé e a razão” sobre Ibn Rushd, Maimônides e santo Tomás de Aquino, vai falar de uma disjunção-conjunção entre o conhecimento e a palavra, que acaba por situar o sujeito num lugar de exílio, como eu vou falar mais, foracluído pelo conhecimento e abolido por sua própria palavra. Acho que esse texto me trouxe muitos elementos para considerar que é de um ato que se trata na articulação de um texto analítico — vou resumir brevemente o que pude apreender nesse texto.</p>
<p>Começa por uma menção ao que o texto de Ibn Rushd acredita ser um texto religioso. Ele diz que nesse texto há uma ordem interna à redação do texto, que não é imposta de fora, pela vontade divina, por exemplo. É uma ordem necessária, da escrita mesmo. Trata-se do emprego do silogismo que vai permitir a decifração do texto, indo do desconhecido ao conhecido. É um método que permite a retificação do texto literal e, ao mesmo tempo, dá os limites da interpretação.</p>
<p>Tal método rejeita as proposições que são contraditórias com as premissas e Melman diz que essa rejeição é comandada por um “automatismo inerente ao jogo de escritura”. Ou seja, esse método reconhece um automatismo no jogo de escritura, um “comando automático”, que exclui qualquer intervenção do sujeito.</p>
<p>Melman se pergunta se um texto desse tipo dá conta do fenômeno da Revelação, i.e., de uma lei que não se articula a partir de um jogo de escritura mas sim a partir da emergência de uma voz.</p>
<p>Diz que Ibn Rushd é ambíguo ao responder a isso, mas que santo Tomás e Maimônides afirmam que esse texto, que se articula a partir da voz, é de uma outra ordem e vem de um lugar diferente da razão.</p>
<p>Bem, para falar desse lugar, Melman toma uma decisão: diz que não vai se valer da lógica da demonstração, mas de sua própria palavra, para dizer que, se o sujeito é foracluído pela lógica, ele é abolido também pelo jogo significante, na medida em que está sujeito às leis da linguagem. Essas leis da linguagem comportam prescrições e interditos e chegam ao sujeito sob a forma de uma Lei (com L maiúsculo), que lhe é revelada do real.</p>
<p>Melman menciona, nesse ponto, um conflito marcado por uma disjunção-junção entre o que se profere pela boca como palavra (com autoridade e a paixão e o caráter assertivo que acompanham a palavra quando ele é proferida), repito, uma disjunção-conjunção entre a palavra e a racionalidade pela qual tenta se defender dela — porque essa oposição é a mesma entre o saber intuitivo espontâneo que anima essa palavra (mesmo que ela não saiba nada ela está sempre persuadida de seu saber e de como ela é bem-fundada e de seu direito e de sua legitimidade), ou seja, essa oposição entre palavra e racionalidade é a mesma entre saber intuitivo e conhecimento pelo qual o sujeito pode tentar não ceder ao fanatismo que habita intrinsecamente a sua palavra.</p>
<p>É aí que Melman fala que, se o sujeito é foracluído pela lógica (pela demonstração, pelo conhecimento), ele não é menos abolido por sua própria palavra — na medida em que essa palavra o arrebata, o deixa sem recursos (ou seja, ele sempre é surpreendido com perguntas do tipo “por que eu disse isso?” ou “por que fui tomado desse jeito pela palavra?)</p>
<p>Ou seja, o sujeito está, de um lado, foracluído pela lógica e, de outro, abolido pela sua própria palavra — seu lugar é então entre o conhecimento e a lógica, de um lado, e a palavra, de outro. Melman fala que o lugar dele é, portanto,um lugar de exílio.</p>
<p>Acho que é nesse ponto que me autorizo a dizer que desse exílio só se pode sair por um ato que, com sua dimensão de real e com sua ponta de significante, vai oferecer como efeito um lugar para o sujeito.<br />
______________________________________</p>
<p><a id="_ftn1" href="http://www.tempofreudiano.com.br/site/artigos/detalhe.asp?cod=22#_ftnref1" name="_ftn1">1. </a>Apresentação nas Jornadas do Seminário O Avesso da Psicanálise. Tempo Freudiano Associação Psicanalítica. Março de 2004.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A objetividade do experimento: a elisão do sujeito e de seu ato</title>
		<link>https://tempofreudiano.com.br/artigo/a-objetividade-do-experimento-a-elisao-do-sujeito-e-de-seu-ato/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Anna Carolina Lo Bianco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2014 13:03:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Sobre os Seminários de Lacan]]></category>
		<category><![CDATA[A objetividade do experimento: a elisão do sujeito e de seu ato]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Carolina Lo Bianco]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo de Sá]]></category>
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					<description><![CDATA[Há uma surpreendente coincidência nas biografias de Sigmund Freud e Ivan Pavlov que nos auxilia a precisar a filiação da psicanálise ao movimento científico do fim do século XIX e a melhor circunscrever sua radical ruptura com esse movimento. Em que pesem as inúmeras diferenças de contexto e de cultura de que provêm, ambos têm uma formação rigorosa em fisiologia geral e fisiologia do sistema nervoso ligada à escola de Helmholtz. Essa escola foi fundada por quatro discípulos de Johannes Müller, influente fisiologista de meados do século XIX.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Anna Carolina Lo Bianco<br />
Ricardo de Sá</p>
<p>Há uma surpreendente coincidência nas biografias de Sigmund Freud e Ivan Pavlov que nos auxilia a precisar a filiação da psicanálise ao movimento científico do fim do século XIX e a melhor circunscrever sua radical ruptura com esse movimento. Em que pesem as inúmeras diferenças de contexto e de cultura de que provêm, ambos têm uma formação rigorosa em fisiologia geral e fisiologia do sistema nervoso ligada à escola de Helmholtz. Essa escola foi fundada por quatro discípulos de Johannes Müller, influente fisiologista de meados do século XIX. Além do próprio Hermann Helmholtz, faziam parte dela Emil Du Bois-Reymond, Carl Ludwig (com quem Pavlov trabalhou) e Ernst Brücke, chefe do Laboratório de Fisiologia da Universidade de Viena, de quem Freud foi discípulo dileto (Amacher 1965).</p>
<p>Todos os experimentos desenvolvidos nesse laboratório trazem a marca da escola que procurava explicar o funcionamento dos organismos em termos exclusivamente físicos ou físico-químicos. Baseavam-se na química e na física, e sua posição era expressa em um “juramento solene”, que, conforme escreve Du Bois-Reymond a Ludwig, o primeiro havia feito com Brücke, e no qual se comprometiam com a seguinte “verdade”:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;nenhuma força outra que as fisico-químicas comuns são ativas no organismo. Os casos que, no momento, não puderem ser explicados por essas forças têm que encontrar a explicação sobre a forma ou a maneira específica de sua ação por meio do método físico-matemático ou supor novas forças iguais em dignidade às físico-químicas inerentes à matéria, redutíveis à força da atração e da repulsão (Bernfeld 1944 citado por Amacher 1965: 10).&#8221;</p>
<p>Desde as pesquisas de Müller, uma certa função nervosa era isolada para que se correlacionassem os estímulos externos à excitação nervosa. Tais estímulos precisavam “ser adaptados aos órgãos do sentido – ser homogêneos: assim a luz é o estímulo adaptado ao nervo da visão, enquanto vibrações de menor velocidade, que atuam sobre o nervo auditivo, não são adaptadas ao nervo ótico, ou são indiferentes a este” (Müller 1826). Fica, dessa forma, estabelecido um esquematismo das funções nervosas, isoladas fundamentalmente em termos de vias nervosas aferentes e eferentes. Está sendo, nesse momento, engendrada a noção de reflexo, referida a um substrato físico-químico nervoso e, portanto, aparelham-se cientificamente os princípios mais caros a uma abordagem mental das sensações. Vale dizer, forja-se aí a explicação de uma excitação nervosa pela sua capacidade de representar o estímulo físico advindo de um objeto externo. Através da introdução da operatividade de um sistema de nervos sensitivos, podemos dizer, propõe-se uma solução científica própria a um dilema cartesiano.</p>
<p>Pavlov e Freud são herdeiros do mesmo percurso que se inaugurou com Descartes, no entanto é interessante ressaltarmos uma vez mais o lugar que Freud conquista para si nessa herança, contrastando-o com a interpretação feita por Pavlov acerca do texto cartesiano. Este recolhe em Descartes uma oposição entre a atividade automática dos animais e a do homem, para considerar que “toda atividade do organismo é resposta necessária deste a algum agente do mundo exterior”. Correlaciona, então, “o órgão ativo com o agente considerado numa relação de causa e efeito, relação essa que estabelece com a ajuda de uma via nervosa determinada” (Pavlov 1924: 60).</p>
<p>Ao fazer essa aproximação com Descartes, Pavlov nos permite acompanhar o desdobramento de um problema posto trezentos anos antes, e que se recoloca então em outros termos, ao ser interpretado como um movimento reflexo. Com a noção de função nervosa e de sua correlação com o agente externo, permanece a questão que foi vastamente tematizada pelo pensamento cartesiano e que se constitui como esteio para uma abordagem mentalista da realidade. Torna-se necessário saber como uma mente, no interior de suas representações, poderia conhecer verdadeiramente algo que lhe fosse exterior, uma vez que só teria acesso a esse exterior através de representações. Do ponto de vista de Pavlov, essa questão se colocou de forma ainda mais candente, posto que, para ele, não é a psicologia que oferece subsídios para a fisiologia, mas, ao contrário, é sobre o estudo fisiológico que deve se assentar a análise da vida mental do homem (: 59).</p>
<p>A peculiar maneira de Pavlov encarar a psicologia encontra ressonâncias nas formulações freudianas, pois ambas procuram igualmente afastar o subjetivismo de suas concepções. Como veremos, no entanto, os caminhos tomados por cada um para lidar com essa ameaça são inteiramente distintos. Antes, porém, é interessante observar a coincidência de algumas colocações que os dois, rigorosamente imbuídos do espírito científico inspirado no mesmo formalismo, defendem. Um exemplo dessa coincidência está no valor dos fatos, da práxis e da teoria para um e para outro.</p>
<p>Pavlov é taxativo: “o fato é o ar do cientista”. Mas, dizia ele para seus alunos, “não permaneça como um mero gravador dos fatos”, não fique contente com a superfície das coisas, “é preciso penetrar em seus mistérios” (Pavlov 1921 citado por Seabra-Dinis 1971: 33). E acrescenta: “se a tua cabeça não tiver idéias, de nada adiantam os fatos” (: 34). Ora, esse procedimento é muito próximo, de início, do que é próprio à psicanálise, sobretudo quando Freud acentua a necessidade do encontro com o fato, por exemplo por exemplo, da observação da sexualidade infantil para a clínica (Freud 1905). Esse encontro com o fato, com o real da clínica, Freud considera imprescindível. Todo o texto de <i>Três ensaios de teoria sexual </i>é baseado na articulação, a mais cuidadosa, de fatos corriqueiros da história infantil, no entanto é o próprio Freud quem afirma que, “se dependesse apenas da observação, esses <i>Três ensaios</i> poderiam nunca ter sido escritos” (: 120), visto que, para ele, o fato não se apresenta de forma naturalizada. É preciso colhê-lo num dispositivo discursivo, para que ele ganhe sua realidade clínica. Nesse sentido, para que um fato ganhe alguma objetividade, é preciso que “se aplique ao material certas idéias abstratas que se recolheram de alguma outra parte, não apenas da experiência nova” – e “essas idéias são ainda mais indispensáveis no tratamento ulterior do material bruto” (Freud 1915: 113). O lugar que ocupa o <i>Stoff</i>, o material da observação, ou o fato, como o estamos chamando, no trabalho freudiano não pode ser subestimado.</p>
<p>Lacan chama a atenção para uma passagem que tem a mesma orientação: Freud, em uma de suas novas conferências sobre psicanálise, enfatiza que “se trata não verdadeiramente, mas realmente, de concepção, isto é, eu quero dizer, de representações abstratas corretas cuja aplicação ao material bruto da observação permitirá fazer nascer a ordem, a transparência” (Freud 1932: 75; Lacan 1962-3: 101). Essa formulação, exigida de saída na aproximação daquilo que poderia ser algo dado para o sujeito, no âmbito do que estamos chamando de fato clínico, afasta o discurso psicanalítico do risco de cair em um empirismo ingênuo, por um lado, e de uma metafísica ou de uma psicologia subjetivista, por outro. Referindo-se ao caso do <i>Homem dos Lobos,</i> Lacan enfatiza que Freud trabalhava na “navalha das certezas da data” (1953: 257) – com a escrituração do dia, da hora, de quantos anos e quantos meses o menino tinha quando o fato se deu, não porque ele acreditasse que poderia recuperar um passado já perdido, mas porque dessa forma alguma coisa poderia ser formalizada para ele, e isso não lhe era indiferente. Surpreendemos aqui a mesma referência precisa aos fatos, que, para serem observados, tomados como objeto, não podem ser tomados em si, e só ganham valor a partir do conceito que os ilumina e dá a eles sua direção.</p>
<p>O esforço para lidar apenas com dados positivos, por sua vez, serve a Pavlov como garantia para se afastar de qualquer presença do que ele chamou de “mundo subjetivo” (1932: 262), na busca do qual, como dizia, a psicologia de sua época estava se embaraçando. Tal como acontece a Freud, era fundamental para ele manter-se distante do senso comum, isto é, de uma posição psicologista e subjetivista. Pavlov, desde seus primeiros experimentos, lamenta que os fenômenos fisiológicos que procurava delimitar estivessem tomados por um hábito natural de “substituir o próprio estado subjetivo pelo mecanismo de reação no animal em que se estava conduzindo um experimento” (1903: 43). Segundo ele, o sistema nervoso só havia sido estudado, até então, “fundamentalmente, pelo ângulo da ‘reação subjetiva” (: 43).</p>
<p>Para alcançar o cerne da posição de Pavlov, é preciso acompanhar sua manobra de rejeitar qualquer procedimento que corresse o risco de introduzir as “reações subjetivas” (: 43) no objeto de estudo. Assim, o fisiólogo que procurasse fazer uma “análise científica exata da vida subjetiva do homem” teria de buscar uma outra via que não a intuitiva, e que o afastaria das “noções do espírito” e lhe permitiria percorrer “uma análise experimental do objeto segundo o método objetivo” (Pavlov 1924: 61), utilizando-se, para tanto, de outras ciências, como a “física, a química, a mecânica” (: 59). Nesse ponto, insistia que era preciso jamais atribuir sentimentos, desejos e imaginação ao cão – seu objeto experimental, tendo chegado uma vez a contar que, em seu laboratório, em dada época, havia haviam resolvido instituir uma multa para aquele que tentasse explicar uma reação do cão por referência ao que este houvesse “desejado”, “adivinhado” ou “querido” (Pavlov 1917: 220). Foi uma tentativa de disciplinar, com tenacidade, os experimentadores para serem “impecavelmente objetivos” (: 220).</p>
<p>Lacan reconhece nesse ponto o funcionamento de uma “ideologia pavloviana” (Lacan 1967-8, aula de 15 de novembro de 1967). Recorre a ela para se referir a um sistema mais amplo de idéias, valores e crenças. Naturalmente, tal ideologia não se resume à posição de Pavlov, mas pode ser utilizada para tipificar os pressupostos nos quais se assentam as afirmações e, mais que estas, o <i>modus operandi</i>daqueles que, como Pavlov, visam a uma apreensão dos “dados positivos” com o intuito de construir a “tarefa sublime da ciência”, que é conquistar uma “verdade sólida e inabalável” (Pavlov 1903: 53).</p>
<p>Os procedimentos de Pavlov realizam o sonho de todo o procedimento científico, ou seja, o de abolir o erro – um sonho que, ainda hoje, ao embalar a ciência, não deixa de seduzir também aos que, como nós, não estão diretamente envolvidos com as suas operações. Para Pavlov, o erro se apresenta como um problema persistente. É preciso saber como eliminar os inúmeros excitantes que se imiscuem nas reações que são estudadas. No experimento de condicionamento do cão, verificou-se que “qualquer agente do mundo exterior poderia tornar-se um excitante da glândula salivar” sob exame. “Qualquer ruído, qualquer odor podem servir de estímulo que excitará a salivação, o mesmo acontecendo com a comida que for mostrada à distância” (Pavlov 1917: 222). Ora, ante a essa variável, o que faz Pavlov? Passou a controlar da forma mais exata possível, tentou determinar todas as circunstâncias que introduziam novos excitantes, de modo a abolir o acaso em seu experimento. Assim, ao se perguntar “que importa que os excitantes sejam novos, se se repetem infalivelmente em circunstâncias determinadas?”, concluiu, necessariamente, que em seus procedimentos não havia “lugar para o acaso” (: 222). E, por mais surpreendente que possa parecer, nesse mesmo movimento reencontramos um Pavlov desejante, o cientista que, como ele próprio afirma, desejava ser impecavelmente objetivo.</p>
<p>Assim, vemos que é o desejo de Pavlov que se escreve com seu experimento. Isso implica que o sujeito não está fora da experimentação, nem sequer do próprio experimento. De um ponto de vista discursivo, a operação pavloviana permite ler como o enquadramento da cena que captura nosso olhar de forma objetificada nos indica a presença de um sujeito que a ciência insiste em recusar, mas que, mesmo assim, pode ganhar um corpo nessa cena, para se fazer representar, nem que seja ao preço de sua radical alienação. Esse é o destino do sujeito na ciência, que encontra no experimento de Pavlov, paradoxalmente, a possibilidade de ser representado no corpo do cão pelo afeto com o qual este responde ao comando que lhe é dirigido.</p>
<p>Recorrendo a Lacan (1967-8), podemos ver aí a estrutura significante que sustenta os procedimentos pavlovianos. Lacan mostra como a campainha, usada no condicionamento do cão, que secreta sua saliva ao escutá-la, ocupa o lugar de um significante mestre (S1) que representa justamente o desejo de Pavlov. O cão, por sua vez, responde a esse significante interveniente por se situar na posição de S2. Essa abordagem, possibilitada pela introdução dos significantes e da leitura lacaniana, afasta-nos inteiramente da reprodução da situação asséptica visada no laboratório, em que qualquer vestígio da presença do experimentador deve ser banida.</p>
<p>Lacan permite desmontar um olhar que nos captura ao não nos permitir apreender a estrutura mesma da cena que observamos. Trata-se, aqui, de romper com uma perspectiva baseada na estrutura da visão, porque recolhe o que nessa cena do experimento se escreve para além do sensível.</p>
<p>Embora nessa contraposição que fazemos à psicanálise antevejamos de imediato os pontos de ruptura entre o experimentalismo pavloviano e as operações psicanalíticas, faz-se presente, de uma forma ainda mais sutil, o cuidado formal que tanto Freud quanto Pavlov receberam como exigência de seus mestres. Podemos apreender mais precisamente o corte que demarca Freud de Pavlov, quando consideramos que o primeiro funda uma clínica e não se restringe ao campo da pesquisa científica. As questões que circunscreve em sua clínica mostram claramente como ele procedia em relação à exigência de se afastar do subjetivismo. Freud é cauteloso e se preocupa em não deixar com que o imaginário, as vontades, a sugestão do médico assumam o comando do trabalho a ser realizado pelos analisantes. Se há uma ruptura com a tradição científica que o formou, é no mesmo movimento de recusa do subjetivismo, caro à ciência, que vemos se instaurarem os contornos do conceito de transferência psicanalítica. Conceito que paradoxalmente torna sua prática tão distante do que qualifica o método científico. Ao ressaltar a importância do endereçamento produzido na análise, Freud, numa operação muito mais complexa do que a de um controle exercido sobre as variáveis, evita cair na armadilha colocada pelo subjetivismo. Estabelece dessa forma uma série de procedimentos que implicarão o desenvolvimento do dispositivo analítico. Procedimentos esses que engendra como forma de resposta a sua inquietação de ver a experiência que se produzia em sua clínica se reduzir a uma troca subjetiva. Mas o exemplo da transferência e de seu manejo, não é demais enfatizarmos, mostra que ele dá um destino radicalmente diferente a essa preocupação. Enquanto Pavlov procura excluir o subjetivo para garantir o exercício de uma objetividade sem equívocos, Freud faz do ruído que se inscreve na relação transferencial o motor mesmo da operação psicanalítica.</p>
<p>Da mesma forma, não haverá uma manobra para elidir o acaso, com a tentativa de multá-lo por sua insistência em se presentificar. Isso porque o acaso que irrompe no ato, no instante mesmo em que ele se mostra como ato falho, apresenta algo de inesperado, com o qual Freud situará o próprio sujeito. Sujeito que terá advindo ali no instante em que reconhece nesse acaso seu próprio desejo inconsciente.</p>
<p>O contraponto entre as vias tomadas por Pavlov e por Freud, portanto, permite-nos situar a diferença radical na práxis derivada de cada uma delas. E se é verdade que o solo comum aos dois pode ser tomado para aproximá-los, é importante deixar marcado que a referida proximidade facilita o estabelecimento de limites bem definidos que não podem ser transpostos. No passado, vislumbrou-se a possibilidade de romper tais limites numa leitura de <i>Projeto de psicologia </i>(Freud 1895) que se apoiava na noção de reflexo condicionado (Pribram &amp; Gill 1976; Pribram 1998; Brook 1998). Ao dar esse passo, os autores não reconheceram a diferença que torna irreconciliável a aproximação entre a psicanálise e uma psicologia com ênfase estrita no fisicalismo, cuja adoção faria o analista recuar diante dos fundamentos mesmos em que se apóia o discurso analítico.</p>
<p>São da mesma ordem, do recuo em relação às premissas freudianas, outras tentativas derivadas da escola russa de psicologia. Dessa forma, podemos pensar os modelos operativos fornecidos pelas neurociências, que comportam uma exigência pragmática muito contemporânea e só reconhecem a existência de um objeto pela sua comprovação material, necessidade hoje largamente atendida pelos exames tornados possíveis pelas neuroimagens. Trata-se de uma tradição que se funda nos mesmos princípios seguidos por Pavlov e que correlaciona uma lesão neurológica ao comportamento a ela associado. Encontra-se, nesse ponto, uma linhagem de trabalhos filiados a uma abordagem fundada na causalidade física do ocorrido, bem afeita ao apetite de reduzir o fato à prova material que dele se pode apresentar (ver, por exemplo, Vygotsky 197819??; Luria 198119??).</p>
<p>Nesse sentido, a importância da ideologia pavloviana mencionada acima se faz ver pelo efeito que seus trabalhos produziram em toda uma geração de psicólogos, sendo possível falar de uma escola russa de psicologia devida justamente à filiação que diversos pesquisadores estabeleceram com a visão pavloviana. Os mencionados Vygotsky e Luria são os mais destacados entre eles. Hoje, aqueles que buscam tratar a psicanálise como uma neurociência encontram no trabalho desses dois psicólogos a prática de observações clínicas que lhes é essencial para manter suas pretensões científicas (Pribram &amp; Gill 1976; Brook 1998). Chama a atenção, no entanto, como se valem das premissas ditadas pelos antecessores, sem titubear em face de fatos clínicos que poderiam fazê-los vacilar ou questionar suas certezas. Não se verificam abalos em seus princípios, mesmo os que mais gritantemente se alterariam em certas afasias ou apraxias, como os que se referem ao tempo e ao espaço, ou à representação de si. Diante de bizarrices ou evidências que, mesmo do interior da neuropsicologia, poderiam levantar suspeitas, perante noções que não parecem ser tão absolutas para falar do sujeito, os princípios ditados por Pavlov são seguidos sem perturbação (ver, por exemplo, os distúrbios de agnosia visual e a síndrome de afasia acústico-mnêmica em Luria 1981: 97 e 120).</p>
<p>Podemos suspeitar, em contrapartida, que essa configuração do fato experimental identificada em Pavlov tem como efeito promover certa pacificação da realidade, na qual, de nosso ponto de vista, vemos o real ser domesticado por uma formatação do experimento em que o sujeito e seu ato são elididos e, em conseqüência, permanecem fora de cena os elementos nodulares da realidade que lhe poderiam fazer questão. Se a escuta de Freud escapa desse enquadramento, não é de estranhar que ela cause mal-estar a um saber comprometido com tal olhar sobre a realidade. Muito menos que os cientistas que se nutrem dele encarem o discurso analítico como uma visão mal fundada, a ser reassimilada ao projeto original da ciência com o qual ela rompe de forma tão cortante.</p>
<p>De certa forma, reconhecemos na voga que propõe uma leitura cognitivista ou neuropsicológica das estruturas clínicas (que a psicanálise, por seu turno, isola em seus dispositivos), um retorno ao ponto de corte mesmo no qual a psicanálise diverge do positivismo que forma essas leituras. Elas se fundam na crença de que, hoje em dia, estaríamos mais bem instrumentados para dar conta do que antes seria inapreensível. Sob essa perspectiva, a psicanálise só teria tido lugar por uma espécie de falta de ciência. Desse modo, ela estaria em pleno direito de reclamar de volta um campo que a psicanálise lhe haveria usurpado. Podemos entender esse movimento como o refluxo de uma maré que, desde os primeiros momentos de sua articulação, pretende-se hegemônica e se inquieta com um olhar que não pode ser reduzido ao seu.</p>
<p>Freud, ao contrário, pôde fundar um novo dispositivo clínico justamente porque se submeteu à impossibilidade de aceder aos dados positivos que Pavlov ambicionava controlar. Assim, podemos circunscrever o ato de Freud que torna possível recolher o que não se presta a ser apaziguado e dominado por um olhar. Ato que funda o dispositivo que opera com o rebotalho da fala do paciente, resto do que não pôde ser assimilado, reintroduzido como causa no discurso do sujeito pelo que daí vem a articular. Tal dispositivo permite precisar os pontos de emergência do sujeito do inconsciente, de um sujeito que é sujeito ao que é falho e que nem mesmo a muito custo e em condições controladas e supostamente ideais, pode-se dominar e amestrar. Abandonando as garantias da ciência, na medida em que se submete às conseqüências de sua clínica, sobretudo do que aí emerge de indomável e arredio a qualquer controle, Freud se encontra com o acaso que Pavlov visa exterminar, para tratá-lo nessa clínica. Mesmo que os conceitos elaborados por ele lhe pareçam por vezes “especulação forçada” (Freud 1937), constrói as condições possíveis para tornar isso que resiste a ser articulado numa cadeia lógica de causa e efeito o motor de seu trabalho, criando então a psicanálise.</p>
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